Cartas Cruzadas

Quantas cartas é que já se contam?

domingo, dezembro 30, 2012

Projecto Cartas Cruzadas :)

Hoje quando fui arrumar o resto das cartas que me faltava responder na minha caixa do projecto Cartas Cruzadas, deparei-me com uma quantidade tão grande de cartas que já não as conseguia segurar só com a minha mão. Resolvi contá-las, e a verdade é que já conto com 72 respostas a todas as cartas que mandei! Infelizmente já perdi a conta do número de cartas que já mandei mas deve muito bem passar das 120. Isto porque a maior parte das cartas que mandei não tiveram resposta, infelizmente, e alguma delas nem sequer sei se receberam as cartas ou não, mas não obstante a isto, este projecto tem sido algo que tem caminhado comigo durante este ano, nos bons e nos maus momentos tenho recebido e enviado palavras a pessoas lindas que fui conhecendo. E mesmo eu estou feliz por ter tido a ideia de um projecto que me faz sentir tão realizada e tão feliz. É bom ver que realmente consigo chegar às pessoas por forma de palavras e nalguns casos ainda ajudar. Tão bom, tão bom, aconchega-me tanto o coração e a alma. Obrigado a todos. 

Também queres participar? Vê aqui como.

Reflexões

Usar toda a (tua) força ~*

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Absolutely Balancing Rocks . . .
Era uma vez, um pai e um filho. O filho com sete anos, ajudava o pai com os trabalhos, quando ele lhe pediu para ir buscar uma pedra de cem quilos que se encontrava próximo deles. A criança dirigi-se até à pedra de forma apressada, quase tropeçando nos pézinhos ainda em crescimento, e enchendo o peito com todo o ar, tenta erguer a pedra com toda a força. Ela não se move. Tenta mais uma vez. E o resultado é ainda pior. Desanimado, volta para a beira do pai.
- Não consigo levantar a pedra, papá.
- Usaste toda a tua força?
- Sim...
- Não me quer parecer, vai lá tentar outra vez filhote.
Ele lá foi, já com as mãos sujas de pó. Empurrou a pedra com as pernas, com as costas, deu-lhe pontapés, e mesmo assim ela não se mexeu. Ainda mais cabisbaixo volta para a beira do pai.
- É impossível tirar a pedra.
- Usaste mesmo toda a tua força?
- Já te disse que sim.
- Tenta só mais uma vez.
Desta vez, a criança dirigiu-se à pedra, e com toda a raiva atirou-lhe pedras para que ela se movesse, esfolou os joelhos a tentar e depois de uns bons minutos, voltou para perto do pai.
- Não consigo, não consigo mesmo.
- Usaste mesmo toda a tua força? - a criança acena com a cabeça - Não, não usaste. Não me pediste ajuda.



Sempre serás parte de mim, minha força. 

Reflexões

À procura de: potes no fim do arco-íris.

terça-feira, dezembro 18, 2012

Rainbow over the Rocky Mountains - Colorado

Life ain't no easy ride, At least that's what I'm told; Sometimes the rainbow baby, Is better than the pot of gold."
Poison (Cry Tough)

Quando era pequenina disseram-me que no fim de cada arco-íris havia um pote de felicidade escondido. Nunca cheguei ao fim de um para o confirmar, mas como nestes dias já acredito em tudo, que a chuva pare e que o sol se chegue um bocadinho a este mundo cinzento para que o arco-íris chegue. Se isso acontecer procurarei em cada bocado desta cidade o fim do arco-íris só para encontrar um pote cheio, não de felicidade, mas de força, de energia, porque isto ultimamente anda muito fraco. Ontem já ia no meu quarto café e mesmo assim o sono levou a melhor. Mas bem, uma pessoa tem sempre que acreditar que melhores dia virão. Para além de que só é preciso um mês para criar hábitos, portanto se eu durante este mês for forte, depois ser forte torna-se um hábito, certo? Não? Bem, de qualquer forma rezo para encontrar o pote de força, seja onde for e como for, quero que tudo fique melhor.

Reflexões

Três luas com os teus mocassins.

segunda-feira, dezembro 17, 2012

Pézinho.

Toda a gente conhece o "põe-te na pele da outra pessoa", ou várias frases feitas que nos dizem que temos que compreender os outros. Na verdade a frase que me diz mais, sobre esse tipo de coisas, foi uma que li uma vez num livro da Susanna Tamaro "Antes de julgares uma pessoa, caminha durante 3 luas com os seus mocassins." Acho curioso porque, quando falamos em compreensão somos todos uns peritos, contudo quando chega a hora de realmente o ser, as coisas já são bem diferentes. Fica bonito dizer "eu compreendo-te", mas será essa a verdade? Não estará a pessoa a dizer só que sim para parecer amigo? Existem coisas por mais que queiramos só as conseguimos compreender se realmente conseguirmos colocar-nos na pele da outra pessoa. Não por cinco minutos, mas por mais tempo. Como se realmente aquela fosse a nossa vida. Como se aquilo nos tivesse a acontecer a nós. Como é que nós reagiríamos  Como nos sentiríamos? Como diz, novamente, a grande Susanna Tasmaro "Vistas de fora, há muitas vidas que parecem falhadas, irracionais, loucas. Enquanto se está de fora, é fácil compreender mal as pessoas, as suas relações. Só de dentro, só caminhando durante 3 luas com os seus mocassins é que se pode compreender as motivações, os sentimentos, aquilo que faz agir uma pessoa de uma forma e não de outra. A compreensão nasce da humildade, não do orgulho do saber." E isso é mesmo a verdade. Quando nos tornamos as outras pessoas, as coisas tornam-se não só mais claras como também se consegue explicar certas reacções ou maneiras de pensar. Fica a dica, quando disserem que compreendem, compreendam mesmo.

Leituras

O elogio do Amor por Miguel Esteves Cardoso. {sunday sun} {sol de domingo}

domingo, dezembro 16, 2012

      "Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
       O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.

       Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. 
      O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. 
    Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Reflexões

E mesmo que o comboio já tenha passado, atreve-te a ir a pé.

quinta-feira, dezembro 13, 2012

Que tipo de pessoa é que tu queres ser Mariana? Que tipo de pessoa é que tu és Mariana? És do género de pessoas que segue o seu caminho, ou do género de pessoas que deixa que lhe ditem o seu caminho? Quem és? O que fazes para ser? Acorda. A vida não é fácil, mas também não é assim tão difícil. Acorda miúda, tens um mundo e uma vida à tua frente, uma mão cheia de sonhos, que não merecem ser guardados mas antes viajados, vividos, experimentados. O que tens a fazer é parar de ser preguiçosa. Organiza-te. Faz-te ver, vive-te. Levanta-te e recomeça a viver com toda essa força que a tua idade te caracteriza. Já sabes que parada não vais chegar a lado nenhum. E, mesmo que durmas para sonhar, nunca durmas tempo a mais, porque os sonhos são bem mais do que ideologias experimentadas por entre os lençóis. Atreve-te, mexe-te. Não sejas o tipo de pessoa que deixa o comboio passar. Faz-te à viagem. E mesmo que o comboio já tenha passado, atreve-te a ir a pé. É bem melhor do que ficar parado.

Leituras

Como é que se esquece alguém que se ama? {sunday sun}

domingo, dezembro 09, 2012



Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar. 
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar. 

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

Leituras

{palavras}

domingo, novembro 25, 2012




A solidão é como uma chuva. Ergue-se do mar ao encontro das noites; de planícies distantes e remotas sobe ao céu, que sempre a guarda. E do céu tomba sobre a cidade. 

Cai como chuva nas horas ambíguas, quando todas as vielas se voltam para a manhã e quando os corpos, que nada encontraram, desiludidos e tristes se separam; e quando aqueles que se odeiam têm de dormir juntos na mesma cama: 
então, a solidão vai com os rios...  
Maria Rilke Rainer

Minimalismo

Bem vinda segunda-feira e organização!

segunda-feira, novembro 19, 2012



     Lembram-se de eu ter dito aqui os planos que tinha para o mês de Novembro? Não posso dizer que têm corrido bem, nem que têm corrido mal, a verdade é que existem avanços mas também existem retrocessos  E por esse motivo as coisas não têm evoluído muito. Até hoje. Hoje foi o dia perfeito, devo dizer. Não tive aulas, mas mesmo assim às 5h45 já estava acordada, pronta para tomar banho, fazer um pequeno almoço equilibrado e dedicar-me ao estudo (que correu bastante bem!), passei a ferro, arrumei o quarto e ainda experimentei uma receita nova - chuchu estufado.... uma delícia!, segui para Vila Real e antes de ir para o estágio ainda tive tempo de fazer gelatina, arrumar as coisas e lanchar enquanto li um bocado o livro da semana: "A Arte da Felicidade". O estágio correu como habitual, mas desta vez não passei pelo continente para comprar bolachas e vim directa para casa, onde fiz um chá quentinho e comecei a tratar dos relatórios de estágio e plano de intervenção. Nada mal! Mas o dia ainda não acabou: ainda planeio ir dar uma caminhada depois de jantar, organizar mais uns trabalhos e ler! 
     Acho que a estratégia por ter dias destes, é focar-nos somente naquilo que queremos fazer. Por exemplo, como esta semana vai ser uma loucura, sabia que se não fizesse as coisas hoje seria pior depois, então foquei-me realmente no que queria fazer. Habituei-me a colocar num papel tudo o que quero fazer durante determinado dia/semana e é uma gratidão enorme poder riscar uma e outra coisa até a lista estar completa. Esta é uma forma também de não me esquecer que tenho que fazer algumas coisas pequeninas, que me acontece várias vezes, como por exemplo imprimir um documento, trazer um gorro, comprar fósforos, etc. Outra mania que ando a arranjar também é o de planear a alimentação (e os gastos que vou ter), dessa forma vejo os alimentos que preciso, se tenho que trazer de casa, ou preciso comprar, e acabo por distribuir os alimentos de acordo com as minhas necessidades semanais. Dessa forma evito comprar comida mais cara (como em bares, cafés) e acabo por comer comida caseira! 
       Outro habito meu - que começou desde que conheço o N. - era de levantar cedo. Só que agora, como ele acorda todos os dias às 6h30 estou a começar a seguir-lhe as passadas. Sempre adorei acordar cedo, ver o nascer do sol, aproveitar o dia. Mas uma coisa é "gostava de o fazer", outra coisa é realmente fazer. Temos sempre dificuldade em passar as coisas que gostávamos de fazer, para as coisas que realmente fazemos. Desde este ano lectivo que tenho feito um esforço por acordar cedo. E normalmente até acordo mas o que acontece é que olho para a janela e está tão escuro que desisto e volto a virar-me na cama. Até que apareceu o grupo "Boas manhãs" criado pela Rita que me tem dado imenso animo (ver mais sobre o grupo aqui)! E acredito plenamente que esta semana inteira consiga acordar às horas que estipulei! E vocês? Têm truques para a organizar ou nem por isso? Partilhem comigo, que aposto que vou adorar saber! 

Boa semana para todos! 

Leituras

Livro: "O Homem sem Dinheiro" de Mark Boyle.

sábado, novembro 17, 2012

     Depois de três semanas a ler um livro por semana, chegou-me este livro às mãos. Já queria ler este livro há algum tempo, desde que conheci a história do autor: Mark Boyle, que já falei aqui. Ao contrário do que se tem passado, desta vez não foi preciso ler todos os dias da semana - ou quase - para conseguir acabar o livro. Na realidade bastou-me um dia e pouco. Mais do que apaixonar-me por este livro, comecei a amá-lo. Levei-o para a cama e fiz amor com ele. E mesmo quando tudo acabou ele voltou a regressar ao meu pensamento, mesmo quando já não o estava a ler, mesmo quando nem sequer devia estar a pensar nele. Foi um livro que me marcou de uma forma bastante positiva e que, para além do mais, me fez lembrar de certas coisas que já me tinha esquecido.
     O livro fala do ano que o economista Mark Boyle decidiu vender o seu barco (onde vivia), cancelar a sua conta e viver sem dinheiro. Exacto, viver sem dinheiro. Parece impossível  Ele prova que não é. No livro ele relata toda a história de onde surgiu a ideia, os motivos que fizeram com que tomasse essa opção e ainda tudo o que enfrentou. É um livro que, sem dúvida alguma, nos liga à Natureza e nos faz dar  importância a coisas antes tomávamos como garantido ou nem sequer ligávamos. E para além disso tudo, o livro tem ainda várias opções para conseguirmos fazer várias coisas sem precisar de gastar dinheiro, tal como: fazer tinta e papel a partir de cogumelos, entre outras. Podem estar a pensar que é mais um daqueles livros extremistas e que são só escritos para vender por serem alternativos. Eu não achei isso. Até porque o autor revela bastantes desvantagens deste estilo de vida e ainda é bastante sincero em relação às suas dúvidas.
    Deixo-vos algumas das citações que me marcaram:

"Se gastar o seu tempo a dar o seu amor ao mundo, então é razoável acreditar que irá beneficiar de um mundo com mais amor."
"Acredito que nos tornamos pessoas mais saudáveis - mental, física  emocional e espiritualmente - no momento em que começamos a viver da maneira que acreditamos que devemos viver, seja lá isso o que for. A auto-disciplina existe para libertar e não para retrair a alma."
"A maioria das pessoas dizem que querem 'paz', sem saberem realmente o que isso quer dizer. A paz não vai cair do céu; é um quebra-cabeças cujas peças são as nossas interacção diária uns com os outros e o planeta."


      Até colocava aqui mais frases, mas como podem ver pela fotografia passava o tempo nisto! As marcações que o livro tem são de todas as citações ou organizações frisadas que achei importante marcar para rever mais tarde. Para além destas marcações o livro tem várias frases riscadas, dados estatísticos importantes ou qualquer parte do livro que achei que me fosse inspirar; por exemplo sublinhei uma parte que à maior parte das pessoas não diria nada mas que a mim me fez sonhar bastante, numa parte do livro ele descreve a maneira como bebe o chá, desde o momento em que o coloca a aquecer na fogueira e ouve os pássaros enquanto dá uma golada e vê a orvalhada na Natureza. Achei essa parte deliciosa! E sei, que, sempre que precisar de animo está lá algo que posso ler e me vai fazer feliz. Até porque tenho a nítida noção que vou reler este livro várias vezes.


Sem mais nada a acrescentar, desejo-vos boas leituras!
E muita inspiração no fim de semana! :)

Leituras

{A cidade das pessoas carimbadas,}

domingo, novembro 11, 2012

"Era uma vez uma cidade onde todas as pessoas tinham meia dúzia de carimbos estampados na cara: carimbos de várias cores e diferentes marcas, escarrapachados na cara, no queixo ou nas bochechas.
Havia carimbos postos pelos pais aos filhos desde pequeninos, outros vinham dos vizinhos, dos professores, dos médicos ou dos colegas de trabalho.
Podiam ser carimbos de muitas qualidades.
Por exemplo, algumas crianças ficavam com um carimbo azul que dizia que eram filhas de pessoas importantes e por isso deviam também ser tratadas como pessoas importantes. Outras recebiam um carimbo castanho a dizer que eram filhos de gente sem importância e não devia dar-se-lhes nenhuma atenção especial porque iriam também ser gente sem importância.
Algumas crianças recebiam um carimbo dourado assinalando que na sua família havia pessoas muito inteligentes e outras recebiam um carimbo roxo a avisar que tinham nascido numa família de gente estúpida e por isso também elas iriam reprovar na escola várias vezes.
Claro que havia muitas outras qualidades de carimbos, para marcarem os doutores e os ignorantes, os da direita e os da esquerda, os honestos e os aldrabões, os putos e os viciados, fossem estes alcoólicos, toxicodependentes ou prostitutas, em suma pessoas "boas" e pessoas "más".
Uma coisa importante e que aqueles carimbos, uma vez postos, ficavam para sempre e havia pessoas que todos os dias se olhavam ao espelho várias vezes, avivavam certos sinais e faziam por viver de acordo com os carimbos, bonitos ou feios que tinham na cara. Também havia gente que procurava disfarçar os sinais de certos carimbos mas, por mais que as pessoas tentassem isto, os outros continuavam a atirar-lhes a cara com os carimbos que lhes tinham posto anteriormente e todos acabavam por se resignar a viver de acordo com os carimbos que traziam.
Ate que um dia voou sobre aquela cidade o Anjo da Liberdade. Não sei se já ouviram falar dele alguma vez: é um anjo parecido com uma nuvem, que atravessa o céu muito devagar como se fosse arrastado por uma brisa.
O Anjo da Liberdade olhou com atenção para aquelas pessoas e ficou triste porque estavam todas presas aos carimbos que traziam, sem que ninguém tivesse coragem para tentar mudar, até porque ninguém aceitava que outra pessoa passasse a agir de maneira diferente da que os seus carimbos lhe mandavam.
O Anjo da Liberdade sofreu com tudo isto, e enquanto ia voando devagar ia pensando em como é que podia ajudar aquela cidade sem fazer batota, porque não sei se perceberam mas os milagres são uma batota pois fogem as regras do jogo que é a vida… e o Anjo queria que as pessoas fossem livres, mas sabia que, precisamente por isso não podia impor um caminho, dar uma ordem. Era necessário que fossem as próprias pessoas a escolher o caminho de serem livres e varrerem as teias que as prendiam aos carimbos.
Então o anjo descobriu: em vez de tentar fazer batota, podia baralhar e dar de novo as cartas do jogo da vida. As pessoas que escolhessem depois.
Pediu ajuda a outras nuvens para que fizessem cair sobre aquela cidade uma chuva especial.
Estava-se no mes de Maio e costuma-se dizer que em Maio a chuva cheira a rosas porque traz consigo o perfume das flores, mas aquela chuva tinha um cheiro tão agradável e tão intenso como as pessoas nunca tinham experimentado. Eram pingos leves a cair devagar e apetecia, no calor morno da tarde, ficar ali, no meio das ruas, praças e jardins, a saborear a chuva que caia ao longo de horas e horas. Era uma sensação tão boa que as pessoas se chamavam umas às outras porque tinham gosto que todas experimentassem aquela maravilha, e os avós traziam os netos, os filhos iam buscar os pais, os amigos e os vizinhos e quando a noite chegou todas as pessoas andavam cá fora à chuva, molhadas e alegres. Trouxeram música, fizeram fogueiras, como na altura dos santos populares e toda a gente começou a dançar, a cantar e a viver a festa daquela chuva fresca numa noite de Maio.
E as pessoas importantes dançaram com as pessoas sem importância, mas não se importaram com isso. Tão pouco se importaram os puros e os inteligentes quando cantaram de braços dados com os estúpidos, os toxicodependentes, os alcoólicos e as prostitutas - assim como também aconteceu que doutores e ignorantes, honestos e aldrabões partilharam uns com os outros os comes-e-bebes, as danças e as cantorias.
Assim durou a festa até de madrugada, sem que ninguém se cansasse ou desistisse.
Foi só quando o sol nasceu e iluminou de novo a cidade que as pessoas repararam, ao olharem umas para as outras, que todos os carimbos tinham desaparecido das suas caras, lavada pela chuva.
E puseram-se a rir à medida que percebiam que os carimbos não eram necessários e que cada um tinha o direito de começar de novo, em cada dia, à procura de construir o seu próprio caminho, sem que os carimbos lhe traçassem o destino. Porque era possível ser diferente a partir de agora por muitos disparates que já tivessem cometido. Por outro lado, os que tinham um passado com coisas boas, não se podiam encostar a isso, porque, em cada dia novo, tinham de continuar a provar a si próprios e aos outros que eram capazes de continuar assim...
Passado algum tempo, o Anjo da Liberdade voltou a sobrevoar a cidade e sorriu de alegria. É verdade que os carimbos continuavam a existir, mas estavam todos arrumados no fundo das gavetas e ninguém lhes voltou a tocar.
As pessoas eram agora livres de construir a imagem que quisessem para si próprias, e, quando faziam disparates, os outros acreditavam que elas pudessem mudar e ajudavam-nas a tentar de novo...
E pronto. Acaba aqui a história da cidade das pessoas carimbadas que ficaram livres dos carimbos.
Já agora... Que quando cada um de nós se vir ao espelho ou olhar para os outros na rua, repare bem se há ai marcas de carimbos nas caras."
por António Cardoso Ferreira

Leituras

Livro: "Vozes Silenciosas" da Torey Hayden.

sábado, novembro 10, 2012

Dizem que existe um dia em que as coisas que mais gostam, acabarão por te desiludir. Ontem, foi o dia de um livro da Torey Hayden - a minha escritora favorita - me desiludir. Li o "Vozes Silenciosas" numa semana, mas não se comparou em um bocado aos livros que já li da Torey Hayden (que na realidade foram todos, com excepção do "Raposas Inocentes"). Quando leio os livros dela... é como se magia acontecesse. Entro naquelas páginas como se fossem a minha vida, oiço as vozes das crianças que ela descreve, leio e releio, sublinho quase todas as palavras e nunca, mas nunca, quero que o livro chegue ao fim. Contudo nada disso aconteceu neste livro. E porquê? Porque este livro é bastante diferente dos habituais livros da Hayden. Primeiro: não fala das aulas dela, nem nas crianças dela. Aliás, não fala dela de todo. A história é sobre outro professor. Mas ao contrário das "histórias da Torey", esta aborda muito o lado pessoal, muito o lado familiar e, o pior de tudo... Insere fantasia no meio disto tudo. Histórias de outras dimensões, de espíritos, e com episódios muito, mas mesmo muito agressivos. 
Na realidade, este livro não me cativou, e nem sequer faz parte dos livros que aconselho. Isto porque não sou pessoa de gostar de ficção cientifica e fantasia, nunca fui, e desiludiu-me bastante a Torey escrever um livro assim. Mas bem, para quem gostar, força! :)

Reflexões

A necessidade de ser forte, seja isso o que for.

quinta-feira, novembro 08, 2012

     Gostava que alguém um dia me explicasse o conceito de "ser forte". Gostava mesmo que me explicassem, sem entre linhas ou pontos de interrogação o que é ser forte. Ser forte é assumir as fraquezas ou saber lidar com elas escondendo-as dos teus sentimentos? Quando nos dizem para sermos fortes, é suposto sermos o quê? Fazermos o quê? Houve um tempo que pensei que ser forte era estar sempre a sorrir, nada nos abalar, e viver feliz no matter what. Mas depois ensinaram-me que ser forte era assumir aquilo que sentirmos e independentemente da situação sermos sempre sinceros e francos com as pessoas e dizermos o que sentimos na realidade. O problema é que, quando tomas esta última "maneira de ser forte", temos que saber que existem pessoas que não vão compreender a nossa sinceridade nem sequer o quão frágil nos colocamos quando somos fortes ao ponto de exprimimos realmente aquilo que somos. E quando existe mais que uma pessoa a não compreender esta maneira, mas sim  muitas, a tua força transforma-se na tua fraqueza e vais-te a baixo. E depois disto, dessa reviravolta, como é suposto saber como voltar a ser forte? 
        Como é suposto depois de tudo isto saber como reagir? Como é que devemos reagir quando o mundo está a desabar à nossa frente e tudo o que mais queremos é manter-mo-nos em pé? Criar barreiras? Continuar a oferecer sinceridade a quem não compreende? Mentir continuamente a nós próprios dizendo que vai ficar tudo bem, quando na realidade nem nos damos ao trabalho de identificar o problema para o combater? Mas e se identificamos e se o problema não tem solução? O que fazemos? Como é suposto anular a dor que sentimos e ainda ter forças para ser forte (signifique isso o que significar)? O problema é que - quase sempre - quando uma coisa não está mal, aparecem mil coisas ainda piores. O que é suposto fazer? 
     Já tive várias técnicas para arranjar forças: pensar, ignorar, perdoar, esquecer, falar... Mas nenhuma delas a determinado tempo parece resultar. Esgotam-se as opções e as respostas tendem a demorar. Entre o agora e o depois, a pergunta persiste: como é que se é forte? Alguém que me diga. E até ter uma resposta por favor, não me digam para ser forte e que vai ficar tudo bem. Porque falar é muito bonito, o problema está nas acções.

Leituras

"A luz de um novo dia" por Torey Hayden.

terça-feira, outubro 30, 2012

Para quem não sabe a Torey Hayden é só a minha escritora favorita. Devoro os livros dela como quem come chocolate e estes são, sem dúvida alguma, um grande foco de inspiração para mim. A Torey Hayden não é nada mais nada menos do que uma professora do ensino especial que escreve livros relatando os casos que enfrenta com os seus alunos. Já tinha este livro algum tempo lá em casa - mal saiu o N. deu-mo - dó que o tempo não tem sido muito. Mas como esta chuva só me dá vontade de ler, o domingo passado voltei-me para o livro, e devorei-o em quatro horas. A verdade é que não consegui parar de o ler. E soube tão bem! Soube tão bem ser seduzida novamente por um livro, perder-me nas páginas, imaginar rostos. É para mim das melhores sensações.
Mas bem, passando ao livro em si. O livro fala da turma que a Torey tem durante esse ano, à qual pertence uma menina com mutismo selectivo - sobre o qual fala o livro - dois rapazes com Síndrome de Alcoolismo Fetal, um com Síndrome de Tourette, uma menina Autista e ainda um rapaz com défice de atenção. É engraçado ver as várias técnicas que Torey usa para controlar a turma tão diferente e disfuncional, desde a culinária até às histórias imaginárias. Todo este relato é sempre feito com as mais carinhosas palavras e também as mais adequadas, dando ao leitor a impressão que ele próprio conhece todas as personagens e pertence a turma.
Aconselho - como não podia deixar de ser - este livro a todas as pessoas que se interessem por esta área e mesmo aquelas que não se interessam. Vale a pena :)

Reflexões

Enquanto a dor reside.

segunda-feira, outubro 29, 2012

Por muito que te custe, vão sempre acontecer coisas que te deitam abaixo. Coisas que vais querer esquecer, que vais querer, o mais depressa possível, que não te magoem mais, que não te façam chorar mais uma lágrima. E qual é o caminho mais rápido para o esquecimento? O perdão. Mas nem sempre as coisas são assim tão fáceis  Saber perdoar até é fácil o problema consiste quando não deves perdoar por muito que queiras. Quando as pessoas te magoam com tamanha brutalidade que só de pensar em voltar a tê-las na tua vida o teu coração compadece. Nem as saudades ultrapassam a dor, nem sequer a vontade de abraçar. Existem certos momentos, pessoas, atitudes que não deves perdoar imediatamente. Não até teres a certeza que não te voltam a magoar. Sim, o perdão é necessário. Mas a dor não é. E quando uma coisa arrasta a outra há que saber tomar certas atitudes e ser fria quando tudo te queima de dor, e saber parar de chorar quando o mundo já está afogado. Custa, mas é por ti que o deves fazer. Por amor ao que és, e não ao que queres deixar de ser. Isto porque existem certas coisas que, se permanecerem na tua vida, só vão fazer com que te destruas e deixes de ser quem és. 

Leituras

domingo, outubro 28, 2012

"As pessoas não se sentem sempre bem. Por vezes ficamos aborrecidas ou irritadas, ou cansadas ou até enervadas. E isso tudo faz parte de nós e, embora seja importante controlas essas emoções para não magoar ninguém  não é o mesmo que comportar-mo-nos como se não existissem  E o facto de existirem não é errado. Quando agimos como se nos sentíssemos assim, mentimos emocionalmente."
in "A Luz de um Novo Dia" por Torey Hayden


Reflexões

Vive como se fosse o teu último dia. #

sábado, outubro 27, 2012


    
    É verdade. É verdade que devemos viver cada dia como se fosse o último. É verdade que devemos aproveitar cada segundo, cada minuto, cada respirar, cada companhia. E, é também verdade que não o fazemos. Simplesmente, não-o-fazemos. Para que? Haverão mais dias, mais horas, é certo, quase certo. Mentira. Nada é certo. Um dia podemos estar felizes, como no outro temos perdido alguém, por mais invencível que essa pessoa pareça. Na nossa vida, esquecemo-nos que a cada segundo morrem pessoas. E tal, como não estamos livres da sida, ou de outras doenças, também não estamos livres da morte. Muito menos da morte. Ela aparece quando menos esperamos, arrebatamos quando menos precisamos. Ela é assim, verdadeira. E a verdade que nela há, não é só a verdade do adeus, mas também a verdade de que devemos viver cada dia como se fosse o último.
       Pelo menos num período de vinte e quatro horas, devemos satisfazer-nos. Devemos procurar o pote de ouro no fim do arco-íris. Se não houver arco-íris, bem então aí criamos- lo. Nada é impossível. Mesmo que pareça, há sempre maneira (sempre!) de darmos a volta por cima, de sermos felizes. E, digo, que pelo menos num período de vinte e quatro horas devemos satisfazer-nos, porque mesmo que vivemos a vida a cem por cento, não nos esqueçamos de uma simples palavra: esperança. Esperança. É preciso ter a verdade da esperança connosco. É preciso mergulhar-mos nela. Abraça-la. Prova-la. É preciso amá-la. É preciso ter esperança, num futuro. Num futuro que vamos e pudemos viver. Em vícios que pudemos mudar, pessoas que podemos abrigar. Um futuro, num planeta, em pessoas melhores. Em nós próprios sermos melhores. Em acolher-mos o modo de vida, que queremos. Em lutar-mos, sem vergonha alguma, por aquilo que queremos, que acreditamos. E consegui-lo. Temos que ter esperança, no brilho dos nossos olhos.       
    E, o que é a esperança sem a força? Temos que ter também força no sorriso, que cultivamos, que amadurecemos, que partilhamos. Força e esperança. Força para agir. Esperança para não desistir. E, um bocado de coragem. Coragem para mudar-mos. Para mostrar-mos que não estamos contentes com o que vemos. Com a maneira como vemos as coisas, como aproveitamos os nossos dias. A minha mensagem hoje é simples. Vivam como se agora fosse o vosso último minuto, segundo. Não tenham medo de morrer, tenham medo antes, de não viver enquanto puderam. Cada segundo que passa na ignorância, é uma oportunidade que desperdiçamos. Portanto, fechem os olhos. (estão fechados?) Agora, pensem que daqui a um segundo morriam. O que faziam..? Façam-no. Porque verdade seja dita, não sabemos se daqui a um segundo estamos cá, ou se as pessoas ou lugares, de que dependiam os nossos desejos estão cá.

Leituras

{O Planalto e a Estepe, por Pepetela.}

domingo, outubro 21, 2012


"Se tiver tempo.
O tempo é um atleta batoteiro, toma drogas proibidas, corre mais que todos. E quanto mais o quisermos apanhar, porque resta pouco, mais ele corre. Por isso são sábios os velhos dos kimbos, nunca querem agarrar o tempo, deixam-no passar por eles, as peles devem ser rugosas e o tempo entranha-se nelas, deslizando com mais dificuldade. Entranha-se mesmo nas peles das mulheres velhas tratadas diariamente com leite coalhado e óleos tirados de sementes especiais para ficarem macias. Se elas usam a sabedoria dos anciãos  as peles lisas pelo leite e óleo têm no entanto, escarificações, travando a corrida do tempo. Nós achamos ser superiores, modernos, vivemos em cidades, porém não sabemos nada disto. O tempo goza com a nossa estúpida vaidade, passa por nós como um foguete, nos torna seus escravos. Os velhos dos kimbos não correm atrás, antes ficam parados contemplando as diferentes manchas de uma vaca, distinguindo uma de outra, assim conhecendo toda a sua manada, a sua e a dos seus vizinhos. Ficam a ver as formigas fazendo carreiros no solo seco ou os pássaros sulcando riscos no espaço. Tantos riscos desenham os pássaros no espaço! Só é preciso saber ver.  Então, o tempo passa devagarinho, como uma solitária gota de chuva se desprendendo com dificuldade de uma folha de árvore mutiati."

in O Planalto e a Estepe,
por Pepetela.

Reflexões

Afinal quem é que sabe o que é O amor? (...)

sábado, outubro 20, 2012

Amor. Alguma vez se perguntaram o que é que, na verdade, era este sentimento? Já, claro que já. Em milhões de canções, de histórias, de filmes, e até de pinturas, descreve-se ou tenta-se descrever esta grande força que é o amor. Não se consegue. A arte no seu geral, passa por esta imensa incógnita. Há quem o defina como a maior dor do mundo, outros como a melhor alegria deste. E a minha questão nem é “o que é o amor?”, mas sim “quem é que sabe o que é que o amor é?”.
De repente olho à minha volta, e anda tudo apaixonado. Aliás, não só apaixonado, mas enamorado. As pessoas já não falam em paixão, isso já começou a parecer mal, é demasiado carnal e passageiro para as pessoas o admitirem e andarem por aí a dizerem. Não, esta sociedade elevou os padrões. Agora ama-seAs pessoas amam-se umas às outras em semanas, fazem juras eternas, espalham carícias e palavras publicas com a mesma facilidade como abrem um guarda-chuva. Até agora? Nada contra, cada um sabe de si.
Eu só começo a ficar contra isto quando vejo pessoas da minha idade (!) e mais novos (!!) a falarem de amor. De histórias eternas, de decisões precoces a tempo inteiro. Eu sou contra muita coisa, sempre fui, mas fui aprendendo a ser cada vez mais. E, muito sinceramente – e sim, é mesmo para deitar a baixo os hipócritas que dizem amo-te da boca para fora – porque é que esta gente agora tem toda a necessidade de mostrar a todos o que sente? Porque é que as pessoas se habituaram ao amo-te e ao para sempre e lhe tiraram a sua magia? A sério quantos de nós é que nunca disseram um amo-te? E quantas dessas pessoas a quem o dissemos ainda estão connosco? E em quantos amo-tes acreditamos agora? Pois.Não vos soa mal a resposta a estas perguntas? Infiltra-mo-nos numa sociedade de consumistas de palavras, que, mais tarde ou mais cedo, consomem sentimentos. Já não existem relações levadas a sério se um amo-te não for prenunciado. Muito pelo contrário se se sabe isso, é um escândalo porque provavelmente não passa de paixão, de carnal! E é esta a parte em que eu digo.. POUPEM-ME!
Eu sou contra esta precocidade toda, porque acredito que um amo-te, nunca ou quase nunca deve de ser dito. Ainda que defenda que os sentimentos devem de ser exprimidos, as palavras não são o meio ideal para o fazer. São os actos. Porque com os actos não há enganos, as coisas são como são. Já com as palavras há enredos, exageros e grandes males entendidos. De qualquer das formas acho que um amo-te, o grandioso sentimento do verdadeiro amor, demora anos a ser formado, e mesmo quando que formado demora tempo a sair, porque se sabe a importância do sentimento (nem é da palavra em si).
Não me acho capaz de dizer quando se ama ou não, aliás acho que nem tenho esse direito. Mas caramba esta nova moda dos amo-tes e dos sempre, está a dar cabo de mim. É que enjoa. Não me tomem por insensível, não o sou a sério, mas um bocadinho de realidade nessas hormonas aos saltos e paixonetas por muito que seja difícil de alcançar é preciso ter. Calem-se um bocado com todas as palavras. O amor não se define, sente-se. O amor não se escrever, exprime-se agindo – amando sem definição. E nenhuma palavra, nem mesmo o glorioso amo-te, é capaz de o descrever na totalidade. Respeitem o amor, respeitem o que sentem, respeitem os outros. E parem de enjoar a magia que esses sentimentos deveriam dar ao mundo.

escrito a 28 de Novembro de 2010

Reflexões

Surpresas do mundo.

quarta-feira, outubro 17, 2012

Existem sempre aquelas coisas pelas quais esperamos a vida inteira, ou só um bocado dela. Existem também aquelas alturas em que certas coisas, pessoas ou sonhos são postos em espera. E nós até esperamos, até vamos esperando, quando queremos vamos contendo o desejo de querer que algo se realize e vá uma pessoa até espera. Mas, certo dia, cheio de sol, ou cheio de nuvens, essa coisa aparece. Pode ser um momento que nós até nem tínhamos em mente, ou um que nos surpreende no seu máximo e de repente, pow, o que nós esperávamos está bem à nossa frente, seja um telefonema, uma pessoa ou até aquela lição que esperávamos que a vida nos desse. Acontece, passado um mês, um ano, ou cinquenta anos, mas acaba por acontecer. E de vez em quando, tudo o que temos para fazer é manter essa surpresa, esse momento e agradecer por ter acontecido ou fim de tanta espera. Portanto dia de hoje, obrigado por me teres tirado duas coisas das minhas listas de espera. Foste fenomenal. 

Leituras

{adeus..}

domingo, outubro 14, 2012

"Prefiro acreditar que não nos dissemos adeus, 
mas que nos separamos para que o destino nos dê um reencontro feliz."  
 Raphael Bacellar 

quarta-feira, outubro 10, 2012


Leituras

Livro "Uma Vida Sem Limites" por Nick Vujicic.

terça-feira, outubro 09, 2012

Não sei se já vos tinha dito, mas eu adoro ler. Adoro sentir o cheiro dos livros e as histórias que contam, assim como tudo o que um livro é capaz de deixar numa pessoa. Este livro foi dos que mais deixou de si em mim. Já o tenho há mais de um ano, na verdade é meu e do N. (como o preço dos livros é gigante, e como até temos os gostos parecidos, eu e ele compramos livros a meias agora), mas só estas férias o consegui ler. Devorei-o em três dias, por sinal. É dos livros mais bonitos, mais simples e mais humildes que conheço. 
A história é retratada na primeira pessoa por Nick Vujicic, um homem que nasceu sem pernas e braços e possuí apenas um pequeno pé - como podem ver na fotografia. Vujicic conta-nos como conseguiu ultrapassar as dificuldades, desde os primeiros tempos, e como chegou ao ponto de agora ser uma pessoa extremamente feliz. Ele anda por todo o mundo a dar palestras sobre a felicidade e o perdão. Certamente já viram este video dele (entre outros que existem), se não aconselho-vos a ver. 
Fiquei sensibilizada várias vezes durante a leitura, e também algumas vezes pus-me a pensar "Caramba, ele tem razão, devias deixar de te preocupar com coisas que não são verdadeiramente importantes." Este livro é  uma lição de vida, um empurrão para vermos a vida com olhos de ver, para nos vermos a nós próprios e a todos os que nos rodeiam com outros olhos. E aprender que mais importante do que segurar a mão de outra pessoa, é segurar-lhe o coração. E isto, certamente, este Homem sabe fazer.

«Eu tenho uma escolha. Tu tens uma escolha. Podemos escolher remoer desapontamentos e limitações. Podemos escolher ser amados, zangados ou tristes. Ou, quando confrontados com tempos difíceis e pessoas maldosas, podemos escolher aprender com essa experiência e seguir em frente, assumindo a responsabilidade da nossa própria felicidade.»

«Algumas feridas saram mais rapidamente se continuares a mover-te. Acontece o mesmo com os reveses da vida. Talvez perca o teu emprego. Uma relação pode não resultar. Talvez as contas se amontoem. Não pares a tua vida para ficares a pensar na injustiça de feridas passadas. Em vez disso, procura formas de seguir em frente. Talvez haja à tua espera um emprego melhor, mais enriquecedor e recompensador. Talvez a tua relação tivesse mesmo de sofrer um abanão, ou talvez haja alguém melhor para ti. Talvez as tuas dificuldades financeiras te inspirem a encontrar novos meios criativos de poupar e construir riqueza.»

Reflexões

segunda-feira, outubro 08, 2012

Como é que é suposto libertar o passado se ele nem anda com cadeado à nossa beira? Como é que é possível libertar uma coisa que tem que inevitavelmente de estar connosco? Como é suposto existir presente ou futuro? Não é, pura e simples. Faz parte de nós. E por mais voltas que a vida dê, vai haver sempre qualquer coisa a lembrar-mo-nos que ele existiu, seja um passo de dança, um lugar, uma maneira de pensar. Portanto mais vale aceitá-lo e saber viver com ele, certo? Mas porque raio é que isso é às vezes tão difícil? 

Leituras

{mais uma vez, amor}

domingo, outubro 07, 2012


«Fui como um ferido pelas ruas até que compreendi que havia encontrado amor, meu território de beijos e vulcões. Não sabia o que dizer, a minha boca não sabia nomear, meus olhos eram cegos, algo me golpeava a alma, febre ou asas perdidas, fui me fazendo só, decifrando aquela queimadura, e escrevi a primeira linha vaga.
 E eu, um mínimo ser, ébrio do vazio enorme constelado, à semelhança, à imagem do mistério, senti-me parte pura desse abismo, girei as estrelas, meu coração se desatou no vento. 
Te amo, beijo em tua boca a alegria. Tragamos lenha. Faremos fogo na montanha.
Ainda não estou preparado p'ra crescer e aceitar que é natural,para reconhecer que tudo tem um princípio e tem um final.
Ainda não estou preparado para não poder te olhar ou não poder te falar.Não estou preparado para que não me abraces e para não poder te abraçar...
Já és minha. Repousa com teu sonho em meu sonho ... enquanto eu sigo a água que levas e me leva: a noite, o mundo, o vento enovelam seu destino, e já não sou sem ti apenas teu sonho.
Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas a amada já...Saudade é amar um passado que ainda não passou,é recusar um presente que nos machuca,é não ver o futuro que nos convida...Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Chegastes à minha vida com o que trazias, feita de luz e pão e sombra, eu te esperava, e é assim que preciso de ti, assim que te amo, e os que amanhã quiserem ouvir o que não lhes direi, que o leiam aqui...
Amanhã dar-lhes-emos apenas uma folha da árvore do nosso amor, uma folha que há-de cair sobre a terra como se a tivessem produzido os nosso lábios, como um beijo caído das nossas alturas invencíveis para mostrar o fogo e a ternura de um amor verdadeiro.
...Nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas nunca o teu riso, porque então morreria.
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante...
E desde então, sou porque tu és. E desde então és, sou e somos...E por amor... Serei... Serás...Seremos...» 

 Pablo Neruda

Cartas Cruzadas

Cartas Cruzadas, ponto de situação Outubro.

terça-feira, outubro 02, 2012

    Passou mais um mês de projecto, e no total já lá vão três meses. O projecto cresceu de uma forma inexplicável como já tinha mencionado. E agora já está noutra dimensão: eu não só tenho que escrever os dez pedidos de cartas por mês a pessoas novas como também responder a todas as cartas que recebo e me pedem resposta. Bem, só para terem a noção a semana passada quando cheguei a casa tinha nove cartas para responder. E como daqui a nada começam as frequências tenho que tratar já das cartas. No total hoje já escrevi seis e a noite ainda só começou agora. Mas bem, excluindo as dores de mão, estou a adorar o projecto e a amar cada carta que escrevo/recebo! Obrigado a todos :) Ficam aqui os pedidos de cartas de Outubro:


Leituras

{Diário da Nossa Paixão.}

domingo, setembro 30, 2012

“Foi à tardinha, com pinceladas de vermelho a cortar o céu de Verão, e os despojos do dia a desvanecerem-se. O céu estava a mudar lentamente de cor e, enquanto observava o Sol a descer, lembro-me de ter pensado naquele momento breve e súbito em que o dia de repente se torna noite. O crepúsculo, apercebi-me então, é apenas uma ilusão, porque o Sol ou está acima ou abaixo do horizonte. E isso significa que o dia e a noite estão ligados de uma maneira como poucas coisas o estão - não pode haver uma coisa sem a outra, porém não podem existir ao mesmo tempo. Como seria a sensação, lembro-me de perguntar, de estar sempre juntos, porém para sempre separados?”

Reflexões

Em tempos de paz mostram-se as armas.

segunda-feira, setembro 24, 2012

       
      Todo o mundo tem uma arma certo? Todo o mundo quando a coisa está pior que ovo podre tira do bolso algo que o protege e o faz enfrentar tudo, não é? Pois, creio que sim. Hoje sem mais nem senão vou-vos apresentar a minha arma: pensamentos positivos e força de vontade. Em verdade vos digo, ontem não foi um dia muito famoso. A febre voltou a atacar-me e passei as 24h na cama no leito da minha cama - e a chuva desta vez não ajudou muito... Foi um dia ... como é que se diz? Deprimente, acho. Mas ontem quando me fui deitar disse para mim mesma: Mariana, amanhã vais acordar e vais fazer com que o dia te corra bem. E assim foi.
      Acordei com os primeiros raios de sol, tomei o pequeno almoço, vi as noticiais, e duas horas antes das minhas aulas começarem sai de casa e fui dar uma caminhada até chegar à Universidade. Na caminhada senti um dos meus cheiros favoritos - ao da terra molhada e de folhas de eucaliptos. O sol brilhou e senti imensa alegria por me encontrar receptiva aos seus raios. Coisa que por coisinhas de nada não acontece sempre, não é? Burrice tua, Mariana! O dia continuou e com calma lá fui fazendo o meu sorriso aumentar mais. De tarde com chá de morango na janela e incenso a vaguear pelo quarto as minhas "manas" estiveram cá e foi daquelas tardes em que - mais uma vez - perdemos as horas no seu curso. E assim se foi movimentando o dia, numa aragem limpa. E agora que ele está quase a chegar ao fim, sei que amanhã vai ser um dia ainda melhor. De certeza - não fosse essa a minha arma. 

Leituras

{..}

domingo, setembro 23, 2012

«Há tanto que eu não digo, que eu não te disse... E esta ausência incomoda-me. E este incómodo "nasce não sei de onde" e "dói não sei porquê". Espero que o ácido da minha voz não te tenha queimado a pele, com o tempo comecei a dominar a arte de levantar muros e de me prender dentro de mim própria. Mas sinto que preciso de dizer e por isso digo. Desculpa. Desculpa a minha ausência. Compreendo-te agora enquanto me debato com a tua. Às vezes faço de conta que te sentas ao meu lado e ficamos só a ver o mundo passar à nossa frente. Às vezes faço de conta que sei ver. Deixa que segure a tua mão. Não é fácil caminhar ao meu lado, acompanhar o meu ritmo. Se dás um passo à frente eu dou dois atrás, mas não quer dizer que não queira continuar a andar. Sinto que preciso de dizer e por isso digo. Quero continuar a caminhar. Não vou dizer já o que o meu peito berra aos meus ouvidos. Levo o meu tempo a ouvir-me. O impulso é algo que não existe no eu sóbrio. Diz-me, que dor te impus para que tivesses de me apagar? Sou um ser egoísta... Não somos todos? Há tanto que quero dizer e não digo, mas se disser agora será que me ouves?»
 Retirado daqui.

Yoga

"Aproveite para sorrir mais, abraçar mais, viver mais."

quinta-feira, setembro 13, 2012


      Lembram-se da última vez que vos falei aqui sobre sonhos e de que a partir de agora iria largar os meus das gavetas? Apesar de me estar a referir a um sonho mais especifico quando escrevi o texto, a atitude que tomei perante a minha vida desde aí fez com que ocorressem uma série de modificações. Uma delas foi: finalmente inscrever-me nas aulas de yoga. Já desde 2009 - mais coisa menos coisa - que o bichinho do yoga se começou a apoderar de mim. Contudo tudo o que tive foi umas aulas grátis de lés a lés. Nunca me prontifiquei a realmente inscrever-me e a saber mais. 
    Até que esta semana, tomei a decisão de me inscrever. E hoje tive a minha primeira aula. Bem, acho que não me podia sentir melhor. Aposto que amanhã não vou aguentar de dores musculares, mas isso nem me importa (na verdade, até gosto). Foram quase duas horas somente em mim: no meu estado físico e psíquico e em todas as energias que ainda tinha reservadas em mim para espalhar pelo Universo. É engraçado que ali nem me lembrei da crise, ou de qualquer outro problema que me estivesse a afectar. Ali só me lembrei do quanto ainda tinha de mim para dar ao mundo. A quantidade de energia que havia dentro de mim e que eu nem sequer me lembrava disso diariamente. Sai de lá cheia de vontade de abraçar, sorrir e aproveitar muito mais esta oportunidade que me está a ser dada!
     E para quem tem a ideia que yoga é só "levitações" ou relaxamento, devia experimentar pelo menos uma aula. Aposto que mudam totalmente de opinião e quiça começam a gostar.

Reflexões

Largar sonhos da gaveta.

sábado, agosto 25, 2012

      O serão da última sexta feira à noite foi passado a ver o filme "No mundo das mulheres". Não é dos filmes com melhor história, mas não sei porquê adoro vê-lo. Ontem foi a vez de o rever (pela milésima vez) com o N. E não sei se foi por ver de mão dada com ele, ou por ter o barulho das gotas de chuva como plano de fundo, mas desta vez o filme disse-me qualquer coisa. 
     Passo a explicar. A história fala de um rapaz que tem um desgosto amoroso e como resultado vai viver com a sua avó (que está prestes a morrer), na casa da avó encontra como vizinhas uma adolescente típica e uma mãe com cancro. Ele torna-se amigo da família de vizinhos e ouve cada um dos seus problemas, com elas e com a morte da avó, aprende que já anda há muito tempo a adiar sonhos e planos, esperando sempre que as pessoas o façam por ele. E é quando começa a lutar pelos sonhos que encontra um novo caminho cheio de felicidade na sua vida.
    A parte que mais me tocou e que mais me pôs a pensar foi certamente a parte do "adiar planos/sonhos". Quem é que não faz isso? Quem é que anda a lutar por todos os sonhos? Gostaria de dizer que eu sim. Infelizmente tenho um sonho guardado dentro da gaveta que ainda não fui capaz de o libertar (a seu tempo, digo-vos qual é). Porque é que ainda não o libertei? Fácil. Tenho medo de não ser suficientemente capaz de o realizar, suficientemente boa. E por causa disso, nunca tentei realizá-lo com pés e cabeça.
    Quando acabei de ver o filme, de pernas à chinês virada para o N, olhei para ele e disse-lhe -com toda a determinação que se pode ter - que tinha que começar a lutar por esta parte que me falta. Estivemos a falar sobre formas e maneiras de eu o conseguir, ainda durante um bom tempo o que me encheu de ideias e vontade de deitar as mãos à massa. Como sempre, ele deu-me o maior apoio. Está mesmo na hora de tentar, não é? Se não tentar aí é que nunca vou conseguir. Vá, vamos guardar os sonhos da gaveta e começar a construí-los. 

Leituras

Projecto Felicidade, o livro.

domingo, agosto 19, 2012

      Acabei hoje de ler, pela segunda vez seguida o livro "Projecto Felicidade" da Gretchen Rubin. Na verdade, devo-vos dizer que não é meu hábito reler livros, aliás foi a primeira vez que o fiz se não contar o livro “A Lua de Joana”. Porém, mesmo que já o tenha feito mais vezes, esta foi a primeira vez que o fiz seguido. Mal acabei de ler o livro pela primeira vez, comecei-o logo de início. Um livro destes, a meu ver, merece ser relido, merece ser realmente saboreado. Merece ser riscado e ficar com as páginas dobradas de tanto as marcar. 
    E porquê? Porque este é um daqueles grandes conjuntos de palavras impresso em letras que realmente muda a vida de uma pessoa. E não se limita a dizer que vai mudar na contra capa, como tantas vezes acontece. Pelo menos, este livro de 329 páginas, mudou a minha vida completamente. Lembro-me bem de quando o encontrei, andava a vaguear por uma livraria (como costumo fazer sempre que passo por uma) com o N, quando ele se baixa, vai à prateleira de baixo e diz pegando num livro azul “Devias de olhar para este”, e assim foi abri-o e cada palavra que li-a sussurrava-me ao ouvido e ao coração «tens que me levar para casa», até que logo nas primeiras páginas encontrei esta frase “Seja quando for que leia este livro, seja onde for que o leia, estará no lugar certo para o começar”; creio que escuso dizer o que se passou de seguida. Já comprei este livro há uns largos meses, mas ao contrário do que que costumo fazer – que é devorar os livros – optei por ir lendo-o aos bocadinhos, para ele me inspirar aos poucos, dia a dia, hora por hora. 
  Mas afinal o que retracta este livro? Este livro é o relato anual de uma advogada, com uma vida perfeitamente normal e designada por “feliz” que começa a questionar a maneira como vive, a maneira como a vida está a passar por ela. O que eu gostei neste livro é que este relato, não é extremista como por exemplo o da autora de “Comer, Orar e Amar”. Não, ela alterou as suas rotinas dentro da própria rotina, dentro da própria normalidade. Continuou casada e com as suas filhas, não deixou de trabalhar, nem tão pouco mudou de casa. Este livro fez-me entender que a mudança está ali mesmo ao nosso alcance, basta nós querermos. E também por isso, comecei a escrever este blogue, a minha versão do meu projecto felicidade. 
        Durante um ano, a autora estabeleceu listas de tarefas e metas que teria que cumprir mês a mês, consoante as mudanças que ela achava revelante para a sua vida, para a sua felicidade. E é sobre isso que avança todo o livro. Contudo, embora possam pensar que o livro possa ser maçador, e mais um diário chato de alguém, enganam-se. Uma das provas disso é que no meu livro de duas em duas páginas encontram uma frase, um pensamento, algo, riscado – sim, eu sou daquelas pessoas que risca os próprios livros. Ao longo deste blogue vou colocando algumas dessas frases, para já aproveito para deixar alguma. Caso alguém queira ler o livro e não esteja para o comprar, entre em contacto comigo e pode ser que arranjemos uma alternativa. Despeço-me assim com as frases que mais me marcaram no livro. 

 “Embora partamos do princípio que agimos por causa daquilo que sentimos, muitas vezes sentimos devido à forma como agimos. Por exemplo, muitos estudos mostram que até um riso induzido artificialmente causa emoções mais felizes e uma experiência sugeriu que as pessoas que usam Botox são menos propensas à ira, porque não conseguem fazer expressões coléricas.” 

“- Acho que não te contei qual é o novo ritual de boa noite da Eleanor. Agora, quando a acabo de a embalar, levo-a ao colo até à janela e ela diz, «Boa noite mundo.»” 

“Em dias de sol penso «óptimo», um dia bom para estar ao ar livre e em dias cinzentos penso «óptimo», um dia bom para estar dentro de casa. Tem tudo a ver com a nossa atitude. Eu escolho estar feliz, independentemente do drama que se esteja a desenrolar na minha vida.” 

Ps: Nunca senti tamanha “tristeza” por um livro ter chegado ao fim, podem crer.

Cartas Cruzadas

Este blogue tem sido falado por aqui e acolá:

quarta-feira, agosto 08, 2012

      Felizmente, as coisas têm corrido muito bem para estes lados, e existem vários blogues lindos e fantásticos que têm divulgado não só este blogue como também o projecto "Cartas Cruzadas". Têm sido pequenas alegrias do meu dia e que fazem tudo valer ainda mais a pena. Obrigado a todos, listo aqui todos os sítios onde o blogue já foi mencionado, e encontram-se todos na barra direita do blogue. Aproveitem e dêem uma olhadela a este sítios mágicos, vale a pena.

Cartas Cruzadas

sábado, agosto 04, 2012

Como já passei as 50 encomendas totais de cartas, a partir de agora todos os pedidos ficam em stand-by. Provavelmente só voltarei a escrever cartas para os novos pedidos em Setembro. Repito: eu continuo a receber pedidos, contudo só escreverei as cartas para os novos pedidos em Setembro. Até lá pode ser que volte com novos dinamismos para o projecto.

Cartas Cruzadas

Como participar no projecto "Cartas Cruzadas".

segunda-feira, julho 30, 2012

Como o número de pessoas interessadas no projecto tem vindo a aumentar, resolvi elaborar uma série de passos necessários para a participação neste projecto estar concluída. Espero ser o mais breve e simples possível, caso tenham alguma dúvida contactem-me ou por comentários, ou para o meu mail.

       
O que é? 

     O projecto chama-se "Cartas Cruzadas" e tem como objectivo renovar o hábito de mandar cartas às pessoas. Já há algum tempo que troco cartas com uns amigos meus e sempre o achei mágico. A ideia de ler e sentir a letra de outra pessoa, de conseguir cheirar os cheiros, ou de ainda puder anexar coisas pessoais é linda e realmente inspiradora. Sempre que chega uma carta ao correio cá de casa é como se formasse uma orquestra cheia de lindas sinfonias no meu coração e não parasse de tocar até eu ler a última palavra da carta. É uma sensação óptima. E quero dar a conhecer essa sensação a outras pessoas, sejam elas quem forem, de 1 mês a 100 anos. Torna-se assim mais uma maneira de partilhar felicidade. (...)  Não vos peço nada por mandar as cartas, é só a vossa morada, e mais dia menos dia, recebem um bocadinho da minha felicidade nas vossas casas.
artigo completo aqui.

Como participar?

 Mandar um e-mail para mmariana.neves@gmail.com com a respectiva morada, assim como os tópicos que gostaria que abordasse na carta e como descobriu o projecto.

Obrigado e boas cartas (cheias de felicidade) para todos! :)

Chá

Este blogue aconselha: Poison d'amour.

domingo, julho 29, 2012

      Andávamos a visitar as ruas em direcção ao Príncipe Real depois de sair do Jardim Botânico de Lisboa, quando num prédio cor de rosa, rodeado de vidros fumados descobrimos mais um recanto mágico da nossa capital: a Poison d'amour. Automaticamente fascinados pela montra decidimos entrar, ainda que tivesse sido necessário um bocado de força para abrir a porta principal. Contudo, todo esse esforço foi compensado quando mal abrimos a porta fomos invadidos por um cheiro a bolos e os nossos olhos se maravilharam com a quantidade e qualidade de bolos que se mostravam à nossa frente. Por momentos, devo admitir, não consegui tirar os olhos do mostrador de bolos. Era tão originais, potencialmente deliciosos e coloridos que me hipnotizaram imediatamente. Mas assim que quebrei (ainda que por meros o segundos) o feitiço e direccionei o meu olhar para a empregada encontrei um sorriso bastante acolhedor, com tendência para o sincero. A senhora deve ter percebido o meu encantamento e deixou-nos ver os bolos um a um, explicando de que se tratava cada um e ainda nos deixou andar a escolher o sítio onde nos queríamos sentar.


          Entre a sala perto da entrada, a sala que dava acesso ao pátio, e o pátio, como é lógico - especialmente numa tarde de Verão - escolhemos o pátio. Este era um miminho, estava decorado com sofás roxos, azulejos em tons de amarelo,as mesas de pedra e as cadeiras relembravam as cadeiras dos jardins mais bonitos de Paris. À volta do pátio via-se ainda as árvores do jardim botânico de Lisboa, o que lhe dava um encantamento excepcional. Uma vez sentados, decidimos por pedir um lanche para cada um. O N. pediu um croissant com amêndoas e um sumo de laranja natural. Eu, como não podia deixar de ser, pedi um chá frio de Rooibos com canela e casca de laranja (que veio muito bem servido, com o tempo de infusão certo e bem fresquinho tal como foi pedido) e ainda ousei experimentar um pudim de banana, que me levou ao céu não só devido à sua textura como ao fiel gosto da banana. Ainda ficamos lá umas boas horas: eu a escrever cartas, o N. a ler uma revista. E assim passamos um bom fim de tarde. Coisas menos positivas a apontar? Os custos, claro. Por este lanche pagamos quase dez euros. O que não se justifica mesmo apesar da boa qualidade. À parte disso, e porque vezes não são vezes, aconselho este espaço mágico na nossa grande Lisboa.


Ler a crítica do fugas ao Poison d'Amour aqui.

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