Haja o que houver, o medo e o amar esperam por ti.

segunda-feira, julho 09, 2012

     Mais do que a saudade, mais do que a paixão e até mais que a felicidade, se há uma coisa que anda sempre de mão dada com o amor, como dois namorados que passeiam na praia, é o medo. Medo de perder, medo de deixar de acreditar, medo da mudança, medo dos mundos. Medo de tudo. Quem ama tem medo. Ponto final. E, digam o que disserem, não, não é só aquele medo saudável. não é só aquele medo que faz com que ainda gostemos mais das pessoas e percebamos que não as pudemos perder. Não é só esse medo,é bem mais que isso. É mais aquele medo de um dia acordarmos e não termos o casaco dele em cima da secretária, o medo de já não haver um colo para nos sentarmos, ou um nascer do sol para partilhar. Mais do que perceber que não pudemos perder as pessoas, este medo de que falo, constrói a percepção de que se as perdemos a nossa vida nem de cabeça para o ar consegue ser vivida. Torna-se impossível. E porquê? Porque este medo - de mais do que perder alguém, é o medo enorme de perder a vida com alguém - quando chega e ganha simplesmente nos destrói. Acontece e pronto. Não só perdemos quem mais amamos, como nos perdemos que nem naufrago a atravessar uma tempestade sem controlo nas tábuas que o sustentam. 
        Mas afinal o que gera este medo? Fácil. A distância, a insegurança, ou lá o que seja. Este grande medo, não é gerado pelos amantes, mas sim pelo mundo em que eles vivem. Acontece sempre que há uma despedida. Acontece sempre que se tem que esperar mais uma semana para estar nos braços dele, para andar de mão dada com ele pela noite. Acontece sempre. E não, enganam-se, não é falta de confiança. É o amor. Comecei este texto por dizer que o medo e o amor andam sempre de mão dada, acrescento dizendo, que ao longo do tempo o medo e o amor tornam-se amantes. Dormem na mesma cama e múltiplas vezes se tocam, causando aquele desespero do "não deixar", de que aquele momento é único e nada nos separa, o desespero de um pelo outro. A realidade é que o medo não é assim tão mau. Desde que se ame, o medo não destrói. Quem ama confia, quem ama, ama e pronto. Haja o que houver, os medos são enfrentados. Afinal o amor enfrenta tudo não é? Devia ser. O que estou a tratar aqui, é só fazer perceber que é normal. 
        É normal olhar para o espelho e num dia pensar "eu sou dele" e noutro pensar "eu ainda serei dele?". A questão é que as duvidas colocam-se. A fragilidade acontece. Por muito que às vezes não pareça, ninguém é de ferro. Portanto embora hajam sempre dias em que se passem manhãs a chorar só com a possibilidade de perder, lembrem-se que o amor pode e deve ser mais forte que tudo, haja o que houver. Acreditem. Lutem. Amem. Mas acima de tudo, não tenham medo de ter medo, porque ter medo, é recusar a necessidade que temos da outra pessoa. E afinal vamos a ver e o amor sempre é uma simbiose não é? Mesmo que para isso tenha que existir medo. 

 Haja o que houver.

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4 comentários

  1. Haja o que houver tudo pode acontecer. E está tudo nas nossas mãos, sermos felizes ao lado do outro. Se nos deixarmos levar pelo medo é que não conseguimos amar de forma alguma. :)

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  2. Gostei muito do teu texto Mariana. Concordo que sim, o medo é natural. E como tu o disseste não podemos ter medo de ter medo. Pois o medo pode apoderar-se da nossa felicidade e é isso que destrói as pessoas e as relações. Por isso as pessoas não devem colocar a sua total felicidade nas mãos da outra pessoa. Por mais que a pessoa nos ame, ela vai acabar por nos magoar de qualquer forma. Por tudo isto concordo sim, que amemos muito, mas que o medo de perdermos aquela pessoa não se apodere de nós mais do que devia. A felicidade tem de vir de dentro de nós, para que o outro seja feliz também.
    Li um livro à pouco tempo de Don Miguel Ruiz e ele fala sobre este tema.
    Vou sou deixar um pequeno excerto.
    "A felicidade nunca vem de fora de nós. O homem era feliz por causa do amor que saía dele, e a mulher era feliz por causa do amor que saía dela. Mas, no momento em que ele a tornou responsável por sua felicidade, ela deixou cair a estrela, quebrando-a, porque não podia responsabilizar-se pela felicidade dele.(...)Se der a sua felicidade a alguém, você a perderá. Então, se a felicidade só pode vir de dentro de nós, sendo resultado de nosso amor, nós somos os únicos responsáveis por ela. Nunca podemos tornar outra pessoa responsável por nossa felicidade(..)
    Conclusão: Temos de amar muito a pessoa, mas mesmo assim saber viver sem ela.
    Se quiseres ler este capitulo completo consegui encontrar na net: http://universonatural.wordpress.com/2011/08/10/o-homem-que-nao-acreditava-no-amor/
    ´
    Desculpa o incomodo.
    Beijinho e abraço :)

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  3. O medo,esse chato sempre a atrapalhar!
    Adoro o teu blogue!Continua!

    Um beijinho
    Ana

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