Afinal quem é que sabe o que é O amor? (...)

sábado, outubro 20, 2012

Amor. Alguma vez se perguntaram o que é que, na verdade, era este sentimento? Já, claro que já. Em milhões de canções, de histórias, de filmes, e até de pinturas, descreve-se ou tenta-se descrever esta grande força que é o amor. Não se consegue. A arte no seu geral, passa por esta imensa incógnita. Há quem o defina como a maior dor do mundo, outros como a melhor alegria deste. E a minha questão nem é “o que é o amor?”, mas sim “quem é que sabe o que é que o amor é?”.
De repente olho à minha volta, e anda tudo apaixonado. Aliás, não só apaixonado, mas enamorado. As pessoas já não falam em paixão, isso já começou a parecer mal, é demasiado carnal e passageiro para as pessoas o admitirem e andarem por aí a dizerem. Não, esta sociedade elevou os padrões. Agora ama-seAs pessoas amam-se umas às outras em semanas, fazem juras eternas, espalham carícias e palavras publicas com a mesma facilidade como abrem um guarda-chuva. Até agora? Nada contra, cada um sabe de si.
Eu só começo a ficar contra isto quando vejo pessoas da minha idade (!) e mais novos (!!) a falarem de amor. De histórias eternas, de decisões precoces a tempo inteiro. Eu sou contra muita coisa, sempre fui, mas fui aprendendo a ser cada vez mais. E, muito sinceramente – e sim, é mesmo para deitar a baixo os hipócritas que dizem amo-te da boca para fora – porque é que esta gente agora tem toda a necessidade de mostrar a todos o que sente? Porque é que as pessoas se habituaram ao amo-te e ao para sempre e lhe tiraram a sua magia? A sério quantos de nós é que nunca disseram um amo-te? E quantas dessas pessoas a quem o dissemos ainda estão connosco? E em quantos amo-tes acreditamos agora? Pois.Não vos soa mal a resposta a estas perguntas? Infiltra-mo-nos numa sociedade de consumistas de palavras, que, mais tarde ou mais cedo, consomem sentimentos. Já não existem relações levadas a sério se um amo-te não for prenunciado. Muito pelo contrário se se sabe isso, é um escândalo porque provavelmente não passa de paixão, de carnal! E é esta a parte em que eu digo.. POUPEM-ME!
Eu sou contra esta precocidade toda, porque acredito que um amo-te, nunca ou quase nunca deve de ser dito. Ainda que defenda que os sentimentos devem de ser exprimidos, as palavras não são o meio ideal para o fazer. São os actos. Porque com os actos não há enganos, as coisas são como são. Já com as palavras há enredos, exageros e grandes males entendidos. De qualquer das formas acho que um amo-te, o grandioso sentimento do verdadeiro amor, demora anos a ser formado, e mesmo quando que formado demora tempo a sair, porque se sabe a importância do sentimento (nem é da palavra em si).
Não me acho capaz de dizer quando se ama ou não, aliás acho que nem tenho esse direito. Mas caramba esta nova moda dos amo-tes e dos sempre, está a dar cabo de mim. É que enjoa. Não me tomem por insensível, não o sou a sério, mas um bocadinho de realidade nessas hormonas aos saltos e paixonetas por muito que seja difícil de alcançar é preciso ter. Calem-se um bocado com todas as palavras. O amor não se define, sente-se. O amor não se escrever, exprime-se agindo – amando sem definição. E nenhuma palavra, nem mesmo o glorioso amo-te, é capaz de o descrever na totalidade. Respeitem o amor, respeitem o que sentem, respeitem os outros. E parem de enjoar a magia que esses sentimentos deveriam dar ao mundo.

escrito a 28 de Novembro de 2010

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