Cartas Cruzadas

Quantas cartas é que já se contam?

domingo, dezembro 30, 2012

Projecto Cartas Cruzadas :)

Hoje quando fui arrumar o resto das cartas que me faltava responder na minha caixa do projecto Cartas Cruzadas, deparei-me com uma quantidade tão grande de cartas que já não as conseguia segurar só com a minha mão. Resolvi contá-las, e a verdade é que já conto com 72 respostas a todas as cartas que mandei! Infelizmente já perdi a conta do número de cartas que já mandei mas deve muito bem passar das 120. Isto porque a maior parte das cartas que mandei não tiveram resposta, infelizmente, e alguma delas nem sequer sei se receberam as cartas ou não, mas não obstante a isto, este projecto tem sido algo que tem caminhado comigo durante este ano, nos bons e nos maus momentos tenho recebido e enviado palavras a pessoas lindas que fui conhecendo. E mesmo eu estou feliz por ter tido a ideia de um projecto que me faz sentir tão realizada e tão feliz. É bom ver que realmente consigo chegar às pessoas por forma de palavras e nalguns casos ainda ajudar. Tão bom, tão bom, aconchega-me tanto o coração e a alma. Obrigado a todos. 

Também queres participar? Vê aqui como.

Reflexões

Usar toda a (tua) força ~*

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Absolutely Balancing Rocks . . .
Era uma vez, um pai e um filho. O filho com sete anos, ajudava o pai com os trabalhos, quando ele lhe pediu para ir buscar uma pedra de cem quilos que se encontrava próximo deles. A criança dirigi-se até à pedra de forma apressada, quase tropeçando nos pézinhos ainda em crescimento, e enchendo o peito com todo o ar, tenta erguer a pedra com toda a força. Ela não se move. Tenta mais uma vez. E o resultado é ainda pior. Desanimado, volta para a beira do pai.
- Não consigo levantar a pedra, papá.
- Usaste toda a tua força?
- Sim...
- Não me quer parecer, vai lá tentar outra vez filhote.
Ele lá foi, já com as mãos sujas de pó. Empurrou a pedra com as pernas, com as costas, deu-lhe pontapés, e mesmo assim ela não se mexeu. Ainda mais cabisbaixo volta para a beira do pai.
- É impossível tirar a pedra.
- Usaste mesmo toda a tua força?
- Já te disse que sim.
- Tenta só mais uma vez.
Desta vez, a criança dirigiu-se à pedra, e com toda a raiva atirou-lhe pedras para que ela se movesse, esfolou os joelhos a tentar e depois de uns bons minutos, voltou para perto do pai.
- Não consigo, não consigo mesmo.
- Usaste mesmo toda a tua força? - a criança acena com a cabeça - Não, não usaste. Não me pediste ajuda.



Sempre serás parte de mim, minha força. 

Reflexões

À procura de: potes no fim do arco-íris.

terça-feira, dezembro 18, 2012

Rainbow over the Rocky Mountains - Colorado

Life ain't no easy ride, At least that's what I'm told; Sometimes the rainbow baby, Is better than the pot of gold."
Poison (Cry Tough)

Quando era pequenina disseram-me que no fim de cada arco-íris havia um pote de felicidade escondido. Nunca cheguei ao fim de um para o confirmar, mas como nestes dias já acredito em tudo, que a chuva pare e que o sol se chegue um bocadinho a este mundo cinzento para que o arco-íris chegue. Se isso acontecer procurarei em cada bocado desta cidade o fim do arco-íris só para encontrar um pote cheio, não de felicidade, mas de força, de energia, porque isto ultimamente anda muito fraco. Ontem já ia no meu quarto café e mesmo assim o sono levou a melhor. Mas bem, uma pessoa tem sempre que acreditar que melhores dia virão. Para além de que só é preciso um mês para criar hábitos, portanto se eu durante este mês for forte, depois ser forte torna-se um hábito, certo? Não? Bem, de qualquer forma rezo para encontrar o pote de força, seja onde for e como for, quero que tudo fique melhor.

Reflexões

Três luas com os teus mocassins.

segunda-feira, dezembro 17, 2012

Pézinho.

Toda a gente conhece o "põe-te na pele da outra pessoa", ou várias frases feitas que nos dizem que temos que compreender os outros. Na verdade a frase que me diz mais, sobre esse tipo de coisas, foi uma que li uma vez num livro da Susanna Tamaro "Antes de julgares uma pessoa, caminha durante 3 luas com os seus mocassins." Acho curioso porque, quando falamos em compreensão somos todos uns peritos, contudo quando chega a hora de realmente o ser, as coisas já são bem diferentes. Fica bonito dizer "eu compreendo-te", mas será essa a verdade? Não estará a pessoa a dizer só que sim para parecer amigo? Existem coisas por mais que queiramos só as conseguimos compreender se realmente conseguirmos colocar-nos na pele da outra pessoa. Não por cinco minutos, mas por mais tempo. Como se realmente aquela fosse a nossa vida. Como se aquilo nos tivesse a acontecer a nós. Como é que nós reagiríamos  Como nos sentiríamos? Como diz, novamente, a grande Susanna Tasmaro "Vistas de fora, há muitas vidas que parecem falhadas, irracionais, loucas. Enquanto se está de fora, é fácil compreender mal as pessoas, as suas relações. Só de dentro, só caminhando durante 3 luas com os seus mocassins é que se pode compreender as motivações, os sentimentos, aquilo que faz agir uma pessoa de uma forma e não de outra. A compreensão nasce da humildade, não do orgulho do saber." E isso é mesmo a verdade. Quando nos tornamos as outras pessoas, as coisas tornam-se não só mais claras como também se consegue explicar certas reacções ou maneiras de pensar. Fica a dica, quando disserem que compreendem, compreendam mesmo.

Leituras

O elogio do Amor por Miguel Esteves Cardoso. {sunday sun} {sol de domingo}

domingo, dezembro 16, 2012

      "Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
       O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.

       Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. 
      O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. 
    Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Reflexões

E mesmo que o comboio já tenha passado, atreve-te a ir a pé.

quinta-feira, dezembro 13, 2012

Que tipo de pessoa é que tu queres ser Mariana? Que tipo de pessoa é que tu és Mariana? És do género de pessoas que segue o seu caminho, ou do género de pessoas que deixa que lhe ditem o seu caminho? Quem és? O que fazes para ser? Acorda. A vida não é fácil, mas também não é assim tão difícil. Acorda miúda, tens um mundo e uma vida à tua frente, uma mão cheia de sonhos, que não merecem ser guardados mas antes viajados, vividos, experimentados. O que tens a fazer é parar de ser preguiçosa. Organiza-te. Faz-te ver, vive-te. Levanta-te e recomeça a viver com toda essa força que a tua idade te caracteriza. Já sabes que parada não vais chegar a lado nenhum. E, mesmo que durmas para sonhar, nunca durmas tempo a mais, porque os sonhos são bem mais do que ideologias experimentadas por entre os lençóis. Atreve-te, mexe-te. Não sejas o tipo de pessoa que deixa o comboio passar. Faz-te à viagem. E mesmo que o comboio já tenha passado, atreve-te a ir a pé. É bem melhor do que ficar parado.

Leituras

Como é que se esquece alguém que se ama? {sunday sun}

domingo, dezembro 09, 2012



Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar. 
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar. 

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

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