Como se mandam postais para o céu?

segunda-feira, dezembro 15, 2014

Estive a escrever postais de Natal. E no meio da minha "colecção" encontrei um perfeito para ti, riqueza. Pensei mesmo em enviar-to. Sabia exactamente o que te escrever. Escrevia que queria que voltasses dessas férias tão demoradas e me viesses resgatar de uma saudade certeira que todos os dias me arrebata o coração e me deixa vazia. Escrevia que já não tem piada comprar àrvores de Natal pequeninas para a vossa sala, e que a tua toalha de Natal ficava bem mais bonita na tua mesa do que na nossa. Escrevia que os Natais são silenciosos sem a tua voz e que a Aletria já nem sabe ao mesmo. Suplicaria para que voltasses. Gastaria cada mílimetro do postal a descrever as saudades que sinto tuas e a que sabem estas lágrimas que passam pela minha cara sempre que me lembro de ti. Mas, falava também do sorriso que é ter-te aqui: no meu pensamento, no meu coração, no meu sangue. Falaria da felicidade que é ter-te sempre presente, meu anjo, minha riqueza, minha esperança. De todos os postais que escrevi, queria era escrever este teu.. Mas, avó, como se mandam postais para o céu?

Viagens

Mudei-me...

sexta-feira, dezembro 12, 2014


Mudei de vida, mudei de cidade... Mudei-me para crescer mais. Para evoluir mais. Para aprender mais. Hoje sou uma rapariga de 21 anos que decidiu vir para Mafra por causa de um emprego. Amanhã decerto tornar-me-ei numa profissional melhor, numa pessoa melhor e quem sabe numa mulher que há uns anos atrás resolveu ir ter uma aventura em Mafra. Aventura, sim, porque é exactamente isto que agora é... Novos horários, uma cidade nova para estrear cada canto, para descobrir cada sorriso e iluminar cada olhar apagado. Estou abismada com a oportunidade que tenho à frente e sinto-me perdida numa montanha enorme cheia de coisas maravilhosas para ver. Sabe tão bem estar perdida.. Ai Mafra, mudas-te-me e eu mudei-me para ti. Sê boa para mim, sim? 

Chá

Chá das 17h: Assam Tippy Golden Fop Blend {Gramas de Chá}

quinta-feira, dezembro 04, 2014




A última vez que visitei a Gramas de Chá, o Pedro (que é a cara por detrás desta maravilha de loja) deu-me uma pequena lição sobre chá: falou-me dos vários tipos de chá preto, da qualidade, da colheita, do tempo de infusão.. de tanta coisa que nem fui capaz de assimilar tudo! Por isso se quiserem saber alguma coisa sobre chá falem com o Pedro, ele é a pessoa que eu conheço que mais sabe de chá. Aliás é impossível sair da loja sem uma pequena lição de chá. O Pedro adora o que faz e isso nota-se. Digo isto, porque quando me entregou este chá para as mãos ele falou-me das suas qualidades superiores, e do facto deste chá ser a "jóia" do chá preto. 


GRAMAS DE CHÁ ® ASSAM TIPPY GOLDEN FOP BLEND 
 Ingredientes: Chá preto Assam de folhas especialmente pequenas e aromáticas com uma infusão forte.

Quando me decidi a experimentar este chá, já ele me tinha sido falado muito bem por uma pessoa: estava ansiosa por o fazer. Abri o pacote e como acontece sempre que experimento um chá: viajei para outro sítio. Viajei para os finais de tarde, para os típicos chás da cinco, para a casa de uma avó pintada de branco com mantas azuis sobre os sofás. Uma avó que vai buscar os netos à escola e se senta na mesa da sala, servindo o chá num bule de porcelana acompanhada com bolachas maria com queijo. Viajei para um ambiente carregado de energia, de vida, de carinho. Porque foi exactamente isto que o chá me transmitiu. É forte, como as memórias dos seus lanches da avó e delicado como o seu carinho. Bebo agora mais um gole de chá. Sim, o chá sabe exactamente a isto. A memórias que enchem um coração: e estas são as minhas memórias. 

Um xi- bem quentinho, 
Mariana.

Cosmética Natural

In my way to the green beauty #3 {situações da vida}

quinta-feira, dezembro 04, 2014

Ontem fui a um shopping e parei naqueles "blocos" para ver uns produtos de manicure. Sabem aquele bloquinho que ajuda a realçar o brilho natural das unhas sem ser preciso usar verniz? Fui comprá-lo. Não sei bem a composição daquilo, mas de certo que é bem melhor do que usar verniz. (Para quem não sabe do que estou a falar, é isto). Nesse mesmo bloco havia há venda uns esfoliantes para o corpo e para as mãos que nos deram a experimentar (a mim e à minha mãe). Bem, aquilo era maravilhoso! Uma pessoa sentia logo a pele super suave e hidratada e o cheiro.. magnifico! A senhora fazia-nos um desconto de dez euros e estávamos bem tentadas a levar. Até que eu tive a brilhante ideia de pegar na embalagem e ler o rótulo. Qual foi a primeira coisa que li? Paraffinum Liquidum. Uma das coisas que não quero na minha pele, no meu corpo.
Mas afinal o que é? Não é nada mais, nada menos do que um derivado do petróleo. E posto isto não é preciso dizer mais nada, pois não? Óbvio que não compramos o esfoliante. Óbvio que fiquei um bocadinho mais orgulhosa de mim e desta vida mais verde que tento levar. 

Aconselho a leitura: Cosmética - Ler os Ingredientes.

Minimalismo

Destralhar e porquê é que o meu quarto é o meu porto de abrigo favorito.

terça-feira, dezembro 02, 2014


     Ontem a Joana falou no blogue dela sobre minimalismo e ainda na semana passada soube que ia passar mais um mês em casa. Conclusão? Ontem à noite revirei o meu quarto de pernas para o ar e examinei tudo novamente. Já o fiz várias vezes, desde que comecei esta luta por uma vida mais simples que o faço regularmente. Mas a verdade é que sempre que o faço, descubro mais coisas que não preciso, que já não deviam estar na minha vida. Sempre que o faço lá vem a minha mãe dizer "até tenho medo das coisas que vais deitar fora agora". Nem sempre as deito fora. Deito-as fora da minha vida, simplesmente. A maior parte das vezes até arranjo um outro lugar para elas. A verdade é que ontem não estava à espera de ter deitado tanta coisa fora da minha vida. Pensava que já tinha poucas coisas... que já me podia chamar minimalista. Estava tão enganada! 

     Mas não era só em relação a isso que estava enganada. Estava enganada também em relação ao meu quarto. Moro nesta casa apenas há quatro anos. Nunca considerei o meu quarto realmente a minha casa. Havia sempre sombras do outro quarto... o quarto da casa antiga, onde vivi com rastas, com sete plantas e um bonsait à janela. Nunca achei que este quarto pudesse realmente tornar-se meu. Foi ao fotografá-lo que apercebi-me que este quarto realmente não era meu... eu não o possuo... ele faz parte de mim. Cada pedaço dele tem um grande pedaço de mim: a fotografia dos meus pais perto da minha mesinha da cabeceira, o meu mural de inspirações perto do quarto de elefantes que a C. me deu e do caçador de sonhos que a F. me fez, ou a minha árvore de pessoas na porta do armário (que não fotografei, fica para a próxima), ou as três fotografias que estão perto da minha secretária, ou "santuário" à entrada com a fotografia do girassol perto do espanta-espiritios e do tapete de yoga... Afinal, haveria melhor porto de abrigo que este? Haverá outro porto de abrigo melhor que este para mim? Não me parece.


     Enganos de parte, vamos falar de coisas sérias. Vamos falar de destralhar e de técnicas de organização. Uma das técnicas que tenho para estar tudo organizado visualmente é de organizar as coisas por cores. Desde os livros, das camisolas, da roupa interior... Desde há uns meses para trás organizo tudo por cores. Em relação aos livros é só para ficar visualmente mais bonito, em relação às outras coisas é porque é muito mais útil para mim. Isto porque tenho a mania de conjugar tudo por cores, assim é só ir ver a cor que quero e tenho as minhas opções bem perto e distintas. 

      Ainda em relação aos livros, voltei a fazer uma escolha rigorosa e neste momento só tenho no quarto aqueles com que quero realmente ficar. Os outros? Vou oferecer, vender, doar... Logo se vê o que se arranja. {estás interessada em saber quais são os livros para os adquirir? manda-me e-mail}

    Na estante dos livros posso agora contar com: 53 livros (credo!! ainda são tantos?!), cinco cadernos de recortes (tenho que os digitalizar!), uma caixa com seis colares (os únicos que tenho, mas que mesmo assim raramente uso... tenho que ter coragem para os mandar dar uma volta), quatro malas de pano (já vos disse que AMO malas de pano?!), nove capas cheias de artigos/livros coisas da faculdade, uma caixinha com recordações, duas caixas cheias de cartas do projecto cartas cruzadas e os meus 30 cd's (tenho que arranjar coragem para me livrar dos cd's dos morangos com açúcar, não tenho?)


    Passando para a secretária, passamos também para o meu dilema profundo. Para além de ter sempre post-its por todo o lado (não me culpem, mas se não for assim esqueço-me das coisas que me pedem ou de coisas que tenho que fazer... sou uma despistada!), tenho montes de coisas pessoais: uma moldura de uma fotografia com os meus avós, um panda que o N. me deu, um girassol que me deram para pendurar coisas, post-its de imensas cores, um copo cheio de canetas e lápis de escrever (não uso metade... será que nas escolas aceitam doações?), um suporte para a minha pen que fiz há uns anos com papeis reciclados (enquanto a pen está ali sei que não está perdida). E para piorar: os montes de papeis que vou juntando. Já estou muito melhor, mas basta um dia receber mais cartas e puf lá está a secretária cheia.. Vamos melhorar, vamos melhorar!

     No que toca às gavetas da secretária, as coisas melhoraram bastante. Na primeira gaveta estão os dicionários (francês?! Outra coisa para arranjar dono) e o material de escritório: um estojo para tesouras, colas e coisas do género, outro só para canetas de cor, outro para lápis de cor e outro para washi-tapes (porque raio tenho um estojo com isso?! outra coisa para mudar...). Na segunda gaveta tudo coisas do Projecto Cartas Cruzadas e sinceramente aí nem vale a pena mexer muito... está cheia de envelopes, carimbos, papeis, cartas para responder, postais.. Coisas que tenho mesmo que ter para o Projecto andar para a frente. Na terceira gaveta, estão as coisas de informática. As três capas que falei aqui, funcionaram e continuam super eficientes a organizar a minha papelada. Os carregadores (arranjei umas molinhas para os cabos não andarem sempre soltos entrelaçados uns nos outros) e os telemóveis antigos, bem como a câmara fotografia antiga... (é no Dolce Vita que recolhem electrodomésticos usados, não é? Tenho que ir lá!). Na quarta gaveta estão as coisas de Verão: duas toalhas de praia, três biquinis e um fato de banho. Mais simples, impossível. Só de pensar como eram estas gavetas há uns anos atrás...


    Da secretária passamos para o armário e mais uma desgraça..  Acho que o armário é daquelas coisas que nunca está bem arrumado: roupa que entra e nenhuma que sai, gavetas cheias e nunca sei que vestir. Por isso mesmo, "destralhar" o armário não é de todo uma tarefa fácil. O meu armário divide-se em dois: parte para roupa pendurada (onde tenho quase tudo e por cores) e por cima arrumação para os lençóis. E do outro lado: parte de cima: arrumação da roupa de Verão que já arrumei, tripé da máquina e coisas que guardei para o "enxoval" (sim, sou uma romântica e tenho dessas coisas). Na parte de baixo: mais lençóis, uma parteleira com as três malas de mão que tenho, outra para as "jóias", que tem uma caixinha com cartas pessoais e os relógios, e a outra prateleira com o saco do ginásio, o creme e óles de massagem. E depois as gavetas.



E as gavetas são a coisa mais simples do mundo: primeira: roupa interior, pijamas e meias. Segunda: cheia de fato de treino e camisolas para treinar (eu já vos disse que se pudesse andava sempre de fato de treino?), terceira gaveta: 8 cachecóis e 2 polares, quarta gaveta: kanguros e camisolas mais quentes. Simples, não? O problema é que mesmo assim sei que tenho roupa a mais... demasiadas coisas, ainda.

Adorava ter daqueles quartos branquinhos, com fotografias e pouco mais. Mas ainda não consigo. Ainda me apego demasiado às coisas: às minhas velas (dez na totalidade, só no quarto), às minhas conchas/búzios/seixos (tenho imensas.. e dão-me uma serenidade indescritível), às coisas que me dão que têm uma carga emocional tão grande (o que faço com elas?). Por isso, tenho a certeza que isto de minimizar é um processo longo. Um processo para mudar mentalidades e a minha forma de estar na vida. E sei que, com tempo, chegarei lá. Aliás, já estou tão diferente de há um ano atrás, porque não continuar a mudança?


 Um xi-,
Mariana.

Leituras

O Poder da Diligência {Thich Nhat Hanh}

segunda-feira, dezembro 01, 2014

"A diligência tem quatro aspectos. O primeiro é que, quando as emoções negativas não se manifestaram na nossa mente, não lhes damos qualquer hipóteses de se manifestarem. A psicologia budista descreve a nossa consciência como sendo constituída por duas camadas, dois níveis. A camada mais profunda é designada como consciência de armazenamento e a camada mais superficial designa-se de consciência mental. A consciência mental é a nossa mente normal, a nossa mente de vigília; a consciência de armanzenamento é a nossa mente inconsciente.
A consciência de armazenamento assemelha-se à terra, ao solo, com grande quantidade de sementes guardadas. A nossa consciência de armazenamento guarda sementes de alegria, de perdão, de atenção, de concentração, de insight e de serenidade. Mas guarda igualmente sementes de cólera, de ódio, de desespero e assim por diante. Todas estas sementes são mantidas pela nossa consciência de armazenamento . Uma das funções da consciência de armazenamento é preservá-las.
Quando uma semente é regada na nossa consciência de armazenamento, ela manifesta-se sob a forma de energia na nossa consciência mental e transforma-se numa formação mental. Temos uma semente de cólera, mas, quando ela se encontra adormecida, latente na nossa consciência de armazenamento, não nos sentimos encolerizados. No entanto, quando a semente é tocada, quando é activada, transforma-se numa formação mental chamada cólera, e nessa altura sentimos a energia da cólera a manifestar-se. Podemos imaginar a consciência mental como uma sala de estar e a consciência de armazenamento como uma cave. Se regarmos uma semente de alegria, essa semente manifesta-se no nível mais elevado da consciência mental, embelezando a sala de estar. Se regarmos a semente da cólera ou do ódio, ela transformará a sala de estar da nossa mente num inferno para nos e para aqueles que amamos.
Todos nós temos uma semente de cólera, uma semente de desespero e uma semente de ciumes dentro de nós. O facto de vivermos num ambiente negativo pode fazer despoletar estas sementes. Se vivermos num ambiente positivo, então as sementes da ânsia, da violência, do ódio e da cólera não são tocadas nem regadas facilmente. Por esta razão é sensato escolhermos um ambiente benéfico que evitará que estas sementes negativas sejam tocadas com frequência. Não devemos permitir que as pessoas que nos rodeiam toquem nestas sementes e não devemos permitir-nos regá-las."


Excerto do livro: "A Arte do Poder" de Thich Nhat Hanh

Cosmética Natural

O melhor hidratante de lábios do mundo #2 {ArteSana}

quarta-feira, novembro 19, 2014


    Eu já falei deste hidratante de lábios aqui quando o nomeei o melhor hidratante de lábios do mundo. Isto numa época em que a ArteSana ainda era "Sabonetes da Su" e eu ainda morava em Vila Real. Agora as épocas são outras. Pois é, muitas coisas mudaram desde então, mas a minha paixão por este hidratante não foi uma delas. 
    Depois de ter usado e abusado do bálsamo de Alecrim/Menta chegou a vez do de Amora. E pronto: apaixonei-me. Recebi-o na Primavera e aquele cheirinho a amora, a suavidade e o toque feminino da cor vieram mesmo a calhar. Apaixonei-me uma e outra vez, todas as vezes que o colocava, e os meus lábios pediam sempre por mais. Tal como aconteceu com o de Alecrim/Menta o de Amora revelou-se também o melhor amigo dos meus lábios.
   Tanto na Primavera, como no Verão, Outono e Inverno este baton é o indicado para ultrapassar as peles secas, as feridas... o Inferno que sofria antes de conhecer estes hidratantes. E o melhor? É natural, é português e é feito bem pertinho de mim pela maravilhosa Susana (que eu já falei no blog uma série de vezes). E agora podem encontrá-la não só no Mercado Porto Belo aos sábados mas durante a semana no seu atleier - que é tão lindo quanto tudo o que ela faz. Aconselho as vezes que forem precisas, porque coisas como estas são raras. E se não sabiam como substituir aquele baton cheio de químicos... cá está a solução.

Um xi-♥ não testado em animais, biológico, 
100% biodegradavel e só com produtos naturais, 
Mariana.

Chá

Um brilho de sol... Earl Grey Blue Bio ✿ {Gramas de Chá}

terça-feira, novembro 18, 2014


Nestes dias cinzentos e com tanta chuva , por vezes, faz falta um bocado de sol. Não é? Faz falta algo que nos anime, algo que nos aqueça a alma e que desperte um bocadinho mais o brilho do nosso coração. É nesses dias que este chá parece a o testo perfeito para a panela, a outra metade do copo para ele estar realmente cheio. Encaixa, conforta e alegra-nos qualquer nuvem de tristeza que possa estar a passar. Este é, claro, mais um chá da loja Gramas de Chá, em Vila Real.

GRAMAS DE CHÁ ® EARL GREY BLUE BIO  ~ Ingredientes {Em Proporção Variável}: Chá preto Assam*, flores de aciano* e aroma natural a bergamota. *Produtos de cultivo biológico.


    Quando experimentei este chá, só o seu cheiro fez-me lembrar os tempos em que comecei a apaixonar-me por chá, por este vício, por este amor. Quando o que mais bebia era o chá Preto. Mas claro que nunca, nos inicios bebi um chá tão bom. Se assim fosse estaria enamorada desde o primeiro gole de chá. O cheiro lembrou-me os chás da cinco, as torradas com manteiga e mel, mas depressa o meu pensamento viajou e me apercebi que este chá era a maneira perfeita para começar um dia. Para despertar cheia de boas energias. Assim que o coloquei na colher medidora de chá (em cima) fiquei espantada com a delicadeza das flores, com as cores, com o aspecto magnífico. Não demorou muito para eu estar em pulgas para provar o chá. Não me decepcionou. Com o sabor familiar e agradável do chá preto, este chá tem ainda um sabor floral, adocicado que me convence ainda mais. 
   Com este chá, as minhas contas com o café continuam a ser 1-0 com o chá a ganhar. Porque naqueles dias em que chove na alma, vai ser exactamente este o meu escudo. E como provém de agricultura biológica parece que ainda ilumina mais o meu dia. É tão bom encontrar estes raios de sol pela forma de chá. 



Um xi- bem quentinho e boa sorte, 
Mariana.

Cartas Cruzadas

35 cartas e um calo na mão {Projecto Cartas Cruzadas}

quarta-feira, novembro 12, 2014


      Voltamos. Voltamos aos longos serões à volta de uma página branca, às canetas que ficam sem tinta e aos envelopes que lá tento fazer. Voltamos a sorrisos que são levados por um selo e envelopes cheios de abraços. Voltamos a chás à distância, a cumplicidades de lua nova, a amizades de meio mundo. Voltamos. Voltei a fazer aquilo que mais gosto: escrever e dedicar-me aos outros. Voltei ao Projecto dos meus olhos que tanta falta me fez. Voltei a contactar-me com as pessoas maravilhosas que este mundo me deu a conhecer. Voltei a ter os dias mais felizes. 
     Mas com os dias felizes vieram mais cartas. Quarenta e sete no total. Quase meia centena! Já escrevi doze. Ficam a faltar trinta e cinco. Trinta e cinco. Tantas, credo! Até custa a escrever tamanho número. Mas depois penso nas pessoas que estão por detrás das cartas. Correcção: das pessoas fantásticas que estão por detrás das cartas. Das pessoas que preenchem o meu coração e às quais vou escrever com todo o carinho que tenho. Se bem que não vou escrever com uma letra muito bonita porque ontem escrevi uma carta com seis páginas e ganhei um belo de um calo no dedo. Quem me dera ser daquelas pessoas que conseguem escrever com as duas mãos, isso sim é que me dava jeito! Mas bem, 12 dias de Novembro, 12 cartas. Pelas minhas contas, se começar a escrever duas por dia, no final de Novembro tenho as cartas todas mandadas. Boa! Sim? Agora vamos lá rezar para não me crescerem mais calos. 

Um xi- e boas escritas (ou leituras),
Mariana.

Cosmética Natural

In my Way to Green Beauty #2 {uma questão de ingredientes}

terça-feira, novembro 11, 2014

No último post do "In My Way to Green Beauty" falei daquilo, que eu acho, que é importante os nossos produtos de higiene terem, como o símbolo de agricultura biológica, não ser testado em animais e ser de comércio justo, contudo é ainda mais importante analisarmos os componentes dos mesmos. Sabem, aquela listinha numa língua que poucos de nós entende em letras tão minúsculas que é mesmo para não lermos. Hoje falo-vos como forcei os meus olhos ao ler essas letrinhas todas à procura dos ingredientes considerados prejudiciais à nossa saúde. 


      E como é que eu sabia quais é que eram? Pesquisei. Há uns tempos deram-me uma lista desses ingredientes e ainda acrescentei uns tantos. Ao todo eram mais de trinta ingredientes. As listas que vos falo são as seguintes: esta e esta. Escrevi os ingredientes todos no word e fui buscar todos os produtos que tinha. Coloquei-os no chão, como podem ver, e dispus-me a analisá-los um por um. 
      A primeira selecção que fiz foi quais eram ou não testados em animais. Dessa forma era mais fácil excluir logo uns tantos antes de examinar o rótulo. Decidi começar por esta selecção porque tomara a decisão que não queria usar mais nada que remetesse para a crueldade animal. Era uma decisão que estava tomada a 100%. 
  Assim as marcas que eu tinha que testavam em animais, pelo que pesquisei, eram a: Méthode Jeanne Piaubert, a Mary Kay, a Roger & Gallet, Garneier, a L'Oreal, a Escada, a Avon e a Yves Saint Lauren. Não verifiquei a marca Essentya, nem a Listerine, nem a Marionnaud porque não era preciso pesquisar muito que aquilo provavelmente devia estar cheio de químicos e também estavam no fim e não planeava voltar a comprar. Fiquei com dúvidas em relação à Colgate (no site da PETA diz que estão a tentar mudar essa realidade), e à Essence - as pesquisas que fiz diziam que não testavam mas eu tinha as minhas dúvidas, até porque não havia muita informação. Já as que não testavam em animais eram: Bioderma (segundo informação colocada pela marca), Corine de Farme, Dr. Organic, Biopha Nature, BodyShop, Yves Rocher e Dior.
    Desta forma tinha excluído logo dezasseis produtos num total de vinte e nove. Só de pensar na minha carteira até me doía a alma. Mas piorou quando comecei a pensar naquilo que consumia há tantos anos sem saber a crueldade que estava por detrás. Às vezes somos (sou) mesmo ingénua não é? Era tão bom que pudéssemos escolher à vontade sem pensar em questões éticas e morais, porque tudo era "correcto", ou pelo menos aquilo que nós achamos como correcto. Mas infelizmente não é assim.
    Continuei a minha busca e passei a examinar os treze itens que restavam. Analisei-os o mais cuidadosamente que pude, não percebendo patavina do que estava escrito nas linhas pequeninas (um dia disseram-me: se não entendes os ingredientes das coisas que consomes então estás no mau caminho). Enquanto lia apercebia-me que o meu caminho não era só mau como estava também cheio de químicos horríveis. Fiquei super decepcionada quando me apercebi que a Corine de Farme, marca que sou totalmente fã, tinham três daquelas substâncias arrepiantes (e pelo que li, já que não percebo nada da matéria, das mais perigosas). Custou-me saber que o champô que me acompanhou anos da minha vida de estudante afinal não era assim tão natural quanto dizia, e que o meu gel de banho com cheiro a baunilha apesar de ter o melhor cheiro do mundo de resto não tinha nada de bom. Já no que toca ao amaciador, nunca me perdi de amores por ele, portanto nem fiquei muito desiludida. Ter-me apercebido disto chocou-me o coração. Sabia que ia ter surpresas desagradáveis mas nunca pensei que esta fosse uma delas... sentia-me no mínimo enganada. E essa sensação piorou quando descobri duas substâncias na minha base (e assim me despedia da minha melhor amiga quando as borbulhas aparecem) e cheguei ao fundo do poço quando descobri que na minha água micelar da Bioderma (que eu aconselhava a toda a gente) havia uma dessas substâncias. Senti-me horrível, enganada, sem esperança no que aí vinha e uma impostora por ter andado a dizer tão bem destes produtos, que afinal não eram assim tão bons.


     No final as contas eram de num total de 29 produtos, 16 reprovados e apenas oito aprovados. Contudo como o dinheiro não reina cá em casa, não deitei os produtos que foram reprovados fora, obviamente! Deitei fora apenas: a mascara de argila da Avon e o serum para as pontas espigadas da Essentya porque reparei que já tinham passado do prazo de validade, já não gastava há tanto tempo! Deitei fora também três riméis porque já estavam secos, fiquei apenas com o invisivel da Mary Kay que também está quase a acabar e com um novo que tinha da Maybelline. O elixir, o amaciador, o esfoliante e o desmaquilhante estavam quase a chegar ao fim por isso mais uma utilização e dei cabo deles! Ficaram-me a sobrar as sombras: guardei-as. Porque tinham um valor sentimental muito grande. Decidi também acabar a pasta dos dentes, o champô, o gel de banho, a àgua micelar e o perfume da escada. Apesar de tudo sou contra o desperdicio. Se bem que a próxima vez que os usar vai ser tão estranho! No meio disto tudo não analisei a àgua de alfazema porque tenho total confiança no trabalho da Susana, e os produtos dela (bem como o sabonete que está na minha casa de banho) são algo que uso sem pensar uma ou duas vezes. 
       E a partir de agora é que começa a parte engraçada do Projecto! Começar a ver alternativas para todos estes produtos que reprovei. Vai ser uma caça e tanto! Ansiosa por começar (isso quase que anula a desilusão que esta analise me trouxe...). E vocês, já fizeram a vossa analise? Vamos lá limpar os nossos armários!

Um xi- não testado em animais, biológico, 
100% biodegradavel e só com produtos naturais, 
Mariana.

Chá

Fomos até à Índia... Dourada. {Gramas de Chá ®}

segunda-feira, novembro 10, 2014


     Pois é, voltamos às review dos melhores Chás de sempre! Os da Gramas de Chá, pois claro. Devo-vos dizer que voltar a escrever sobre este assunto enche-me o coração de uma alegria imensa e de uma gratidão tão profunda como as raízes da árvore mais velha do Planeta Terra. Para além de adorar ter novos chás nas mãos, adoro partilhá-los com vocês. E este caso é mais um exemplo disso. Mal abri o pacote creme onde vinha o chá que tive vontade de o experimentar. Bastou-me abrir o pacote, ser invadida pelo seu aroma e logo a seguir fui tele-transportada por um sítio longínquo. 
     Um sítio onde era ainda de manhã, o céu estava enevoado, lá fora haviam montes verdejantes que rodeavam toda a minha vista. E dentro de casa havia um cheiro a queques de maçã, a lareira estava acessa, e sobre mim tinha um gato de cor branca sobre o meu colo. Este chá levou-me até este sítio. Que não sei, nem nunca saberei, onde era. Mas que, de certo, era um dos melhores sítios onde já estive. E tal começou a ser mais evidente quando comecei a provar o chá. 

GRAMAS DE CHÁ ® ÍNDIA DOURADA ~ Ingredientes {Em Proporção Variável}: Chá preto, pedaços de maçã, pedaços de canela, rodelas de laranja, folha de cravo, pimenta rosa, coentro e cardamomo.

      
        Quando se cheira sente-se logo o cheiro da laranja da pimenta rosa e um cheiro tão doce e convidativo a uma chávena de chá para alegrar o nosso coração. Ao beber... é uma explosão de sabor. Aliás, mesmo visualmente, este chá é uma explosão de sabor. É uma delícia ver os vários tipos de ingredientes mal pegamos num bocado de chá com a colher medidora. Isso não se vê naqueles chás de saqueta! É inconfundível a qualidade deste chá. Mas ia eu a dizer... quanto ao sabor: sente-se o calor da pimenta que a meu ver é aquilo que torna o chá tão reconfortante, e depois o sabor doce da maçã e dos coentros dão um final ao chá tão viciante e agradável ao paladar que é quase proibido ficar só por uma chávena. Eu, pelo menos, não consegui. 


Um xi- bem quentinho e boa sorte, 
Mariana.

Cosmética Natural

In my way to the green beauty #1

domingo, novembro 09, 2014


    Quando planeei este projecto na minha cabeça sabia exactamente o que queria: tratar de mim sem descuidar nada ou alguém. Sabia que ao longo dos anos tinha feito muito "trabalho de casa" mas que também me tinha descuidado muito por pensar que já "fazia o suficiente". Não queria que isso voltasse a acontecer. Sabia que com as pesquisas e trocas de sugestões ia descobrir coisas que não gostava assim tanto, coisas que me iam deixar triste e menos esperançosa em relação ao mundo e que por mais coisas que lesse havia sempre algo a aprender. Sabia que no que toca a cosméticos (e noutra coisa qualquer) eu nunca iria saber de tudo. Mas mesmo assim decidi-me a avançar com este projecto.

    A primeira coisa que me lembrei que tinha de falar mal arrancasse com o projecto era do vídeo "The Story of Cosmetics" embora seja de 2010 (já???) é ainda bastante actual e acho que explica de uma forma bastante engraçada a realidade que se passa nos dias de hoje. Houveram muitas coisas que me fizeram olhar para os cosméticos de forma diferente mas foi acima de tudo aquela ideia de beleza que os rótulos transmitem. Decidi afastar-me dos cosméticos naturais por não querer cair acima de tudo na "rede da publicidade". Não queria ver um anuncio para peles luminosas e ficar a pensar: será que a minha pele é luminosa? será que está bem? Será que é horrível? Parece exagerada esta linha de pensamento mas infelizmente é exactamente isso que a publicidade faz por nós nos dias de hoje: faz-nos duvidar da nossa beleza, da nossa maneira única e maravilhosa de ser. Faz-nos pensar que se não formos iguais a toda a gente, então somos nós que estamos mal. E isso está tão mal. 

Primeira coisa a fazer nesta caminhada: desligar-nos da publicidade, do que é suposto parecermos. Ligarmos apenas e exclusivamente aquilo que somos e ninguém tem haver com isso.

Para quem viu também o vídeo apercebe-se que quem manda nisto tudo, no nosso processo de escolha, não somos nós. É quase como quando éramos pequenos e sem sabermos os nossos pais nos davam a volta e nos convencíamos que afinal não queríamos a pasta dos dentes da minnie super cara, o que nós queríamos mesmo era a pasta dos dentes sem bonecos mais barata. Isto tudo, claro, sem darmos por isso. Acho que cada vez mais temos que ter cuidado com aquilo que compramos. Porque aquilo que compramos irá sempre bbeneficiaralguém, mesmo que nem sempre se saiba directamente quem é esse alguém. É fundamental sabermos que "mercado" estamos a aumentar e para onde vai o nosso dinheiro. Posto isto chegou a altura de vos falar de três coisas que eu acho muito importantes no que diz respeito à escolha de produtos de higiene.



 ~ Não ser testado em animais: esta é uma opção minha que diz respeito à minha forma de ver o mundo. Não quero estar a usar creme, ou seja o que for, e pensar que para o usar já algum género de crueldade foi prestada. Felizmente hoje, em dia, já existem algumas alternativas e cada vez mais há marcas que não testam em animais. Para saberem se é testado ou não em animais podem recorrer a esta lista da PETA. Pesquisem a marca que querem saber e logo terão a vossa resposta. Para facilitar também sempre que virem o símbolo em cima à esquerda nos vossos produtos sabem que ele não foi testado em animais.

~ Ingredientes de Agricultura Biológica: para quem acredita nos benefícios da agricultura biológica (como eu) sabe o quão importante é estarmos rodeados de produtos sem qualquer químico. Daí ser também fundamental que os ingredientes dos nossos produtos de higiene também provenham de agricultura biológica, para saber se o são estejam atentos há existência do símbolo do meio nos vossos produtos, ele comprova que todos os ingredientes usados são de agricultura biológica. Atenção, uma pequena coisa que fui aprendido, é que este símbolo é bastante caro, pelo que me contaram é preciso pagar para o ter bem como uma série de burocracias. Conclusão: normalmente as pequenas lojas não o têm. Não por não usarem ingredientes biológicos mas pela questão burocrática. Neste caso aproveitem e tentem falar com a loja em si e perceber a sua filosofia de funcionamento).

~ Ser de comércio justo: Quem é que não gosta de usar manteiga de cacau? Eu sou uma fã imensa. Adoro todos os produtos que sejam mais "exóticos". Contudo para além dos milhares de quilómetros que estes ingredientes têm que fazer para chegar até mim (que já por si poluí imenso), normalmente o comércio entre a "apanha" destes produtos, passando por todo o processo agrícola é feito por uma ninharia. Os fornecedores não são pagos pelo custo justo do seu trabalho. E quando isso acontece os nossos produtos até podem não ser testados em animais, mas passarão a ter crueldade humana. E isso é algo que também não é de aceitar. Claro que esta questão não se levanta se os produtos que comprarmos forem feitos apenas com produtos locais e for tudo tratado por trocas directas. Daí, há que realçar sempre a importância do artesanato, de consumir o que é nosso. Mas, como não há cacau em Portugal há sempre que ressalvar esta questão.

Como disse, todas as nossas escolhas têm alguma influencia e é preciso pensar aquilo que queremos influenciar. Porque, ao que me parece, ainda temos esse poder. Agora, toca a ir vasculhar os nossos produtos: quantos deles têm estes símbolos? Quantos deles sabemos que são feitos com ingredientes de agricultura biológica e proveniente de um comércio justo?

To be continued...

Um xi- não testado em animais, biológico, 
100% biodegradavel e só com produtos naturais, 
Mariana.

Cosmética Natural

In my way to the Green Beauty: o ínicio ~

sexta-feira, novembro 07, 2014


Ao longo de todo o meu (pouco) tempo de existência muitas coisas mudaram. A vida em si, é uma grande mudança e não haver mudança significa quase sempre que algo estagnou. E quando algo estagna, meus caros, nunca é bom sinal: ou é sinal que as pessoas deixaram de se importar ou, no meu caso, é sinal que morri. Mudança é a primeira grande palavra de ordem da minha vida. Acredito que a mudança é boa e positiva (mesmo que mudas vezes não o aparente). Acredito que sempre que mudamos é para chegarmos mais longe naquele caminho que tem o nosso nome tatuado. Acredito que, quando a vida nos faz mudar, ou muda, não é ao calhas. Há sempre algo reservado para nós. Isto tudo para vos falar de uma grande mudança que ocorreu aos poucos e poucos na minha vida.

    Comecei a minha aventura no mundo da "ecologia" (se é que é assim que lhe posso chamar) aos quatorze anos. Agarrei essa forma de proteger, defender, amar o mundo como se não houvesse mais outra forma (de realçar que eu continuo a achar que não há). Contudo nessa minha luta cometi um erro atroz. O erro dos extremos. Durante um grande período apenas lavei o meu cabelo com sabão azul e vinagre e o meu hidratante corporal era azeite. Não foi nenhum erro, aliás, a minha pele e o meu cabelo nunca mostraram desagrado. Mas daí partir para o grande erro. Achava que todas as pessoas que se maquilhavam, pintavam as unhas ou usavam roupa de marca mereciam quase um castigo divino por estarem a causar mal ao ambiente. Achava que tudo o que era mais industrial fazia mal. E por isso nunca o usei. Não ia ao cabeleireiro, não pintava as unhas, usava apenas roupa biológica, com algodão biológico ou que reaproveitava dos meus pais. Digamos que durante uns bons dois anos a minha forma de me apresentar era tão ao estilo "into the wild" que vendo fotos às vezes nem eu me reconheço.
      Tudo começou a mudar por volta dos meus dezasseis/ dezassete anos quando me apaixonei por aquele que até agora tem sido o grande homem da minha vida. O N. sempre foi aquele género de rapaz que sempre vestiu bem, com roupas e produtos higiene todos de marca. Essa era a parte dele que me fazia "comichão", mas ao longo do tempo ele foi-me ensinando que existiam verdades por detrás de muitas marcas de cosméticos. Às vezes bastava procurar melhor, informar-me melhor para encontrar alternativas tão boas ou melhores sem nenhuma crueldade animal ou químico. Essa foi uma das coisas que ele me ensinou e em grande parte é o motivo por estar a escrever aqui. A outra é que, à medida do tempo que me fui apaixonando por ele, fui-me tornando mais mulher. Senti vontade de pintar as unhas, de me maquilhar (e a minha melhor-casa - subentenda-se a M. - ensinou-me a maquilhar-me de um jeito maravilhoso e apanhar gosto por todas aquelas paletes de cores), de vestir roupas mais justas, de usar perfumes e tudo aquilo que antes era proibitivo no meu armário. 
       E aqui começa a altura em que vos falo deste meu novo Projecto. Acredito que tal como eu era há seis anos atrás, ainda existam pessoas assim (espero mesmo!). Pessoas que se preocupam com o ambiente, que pensam naquilo que põem na pele, em que tocam, e acima de tudo: o mercado que estão a impulsionar. Sempre acreditei que eram as nossas escolhas, as nossas opiniões que ditavam em parte o futuro deste planeta. E por mais pequeninos que sejamos ainda somos alguns, certo? Por isso, para esses alguns, e para alertar outros, criei este Projecto: In my Way To The Green Beauty. Como o título diz, este será o meu caminho por uma beleza mais "verde", mais "ecológica", mais "sustentável". Não será, contudo um projecto de certezas, de regras. Será um projecto onde irei pesquisar ainda mais, experimentar projectos e contar-vos tudo sobre o que há no armário de "beleza" cá de casa. Quem me acompanha? 

Um xi- não testado em animais, biológico, 
100% biodegradavel e só com produtos naturais, 
Mariana.

DIY

Reciclar sobras de cera de vela {DIY}

domingo, outubro 26, 2014


Para quem é amante de velas, como eu sou, sabe o quão irritante é ver aqueles restos de cera que ficam depois do pavio arder. Desde cedo que isso me irrita, porque me custa não arder uma vela até ao fim e porque sou contra o desperdício. Então, desde há mais de um ano que comecei a "coleccionar" os restos de velas. Guardei-os por cores (para não se misturarem) e quando achei que já tinha cera suficiente pus mãos à obra! De que precisei?

  • Restos de cera;
  • Cordel;
  • Formas de silicone;
  • Panela


Como fazer?  Derreter os restos de cera na panela até estar tudo fundido. Entretanto passar as formas de silicone por água, mergulhar o bocado de cordel na cera quente. E segurar o cordel no meio da forma com a ajuda de molas de forma a ficar mais ou menos no centro. Colocar lá dentro a cera seca e sem fazer muito movimento colocar a arrefecer, eu coloquei no frigorífico. Retirar da forma só quando estiverem totalmente frias e feitas. Demora sensivelmente meia hora a arrefecer.

Com esta reciclagem consegui fazer sete velas novas. Duas laranjas, duas brancas às quais juntei sementes de lavanda, duas cor-de-rosa (juntei cera branca com cera quente até ter a cor que eu queria) e uma vermelha. Já pus uma delas a queimar e funciona perfeitamente. Que venham mais restos que aqui em casa aproveita-se tudo! E vocês, o que fazem com os restos de cera?

Um xi-
Mariana.


Viagens

Para onde a minha vida me levou. {Vilarinho de São Roque}

sábado, outubro 25, 2014





"Quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não te metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiras-te no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar."
Susanna Tamaro

♥♥♥♥

quarta-feira, outubro 15, 2014

Origami

Lembro-me de ti todos os dias. Todos os dias relembro cada bocadinho de ti, desde o teu cabelo despenteado, à tua cara de chateado. Relembro e decoro a tua voz, o teu cheiro doce que só por si me remete a um oceano de emoções. Todos os dias és parte de mim. Todos os dias, queria fundir-me em ti para juntos aproveitar-mos cada segundo. Porque cada segundo longe de ti, dói e prende-me o peito numa saudade pior que teia de aranha. És o meu veneno, o meu vício, o meu maior desejo. Amo-te. Amo-te tanto. E é tão bom saber que me amas também.

segunda-feira, outubro 13, 2014


Procuro as tuas mãos enrugadas pela cidade, pelos corpos que transitam no trânsito ouso reconhecer-te o rasto. Procuro a tua voz na gargalha dos idosos que jogam à bisca e a tua atenção naqueles que lêem o jornal. No céu, procuro o teu olhar que brilhava como estrelas na noite mais escura. Mas tu escureceste-me. Tiraste-me a luz deste mundo que fica tão cinzento sem ti. Sem ti, não consigo ver claramente. Tiraste-me a visão daquele mundo que conhecíamos, tão belo, tão inocente. Tiraste-me a esperança neste vale de lágrimas. Mas mesmo assim reconheço-te na picada que o meu coração sofre de vez em quando: és tu a dar-me um abraço mais apertado? 
Hoje faz cinco anos que foste embora e ainda espero que voltes. Ó avô vá lá.. volta depressa. Não aguento muito mais. A tua menina mais pequenina está tão crescida. Sabes que agora trabalho num sítio onde tem muitos velhinhos (quase) como tu? (porque nunca vai haver ninguém como tu) E que de vez em quando visito alguns que estavam como tu estavas? Nesses dias a saudade trepa-me pelas paredes do coração e tudo o que o meu corpo grita e pede é para que voltes. Corróis-me a alma, como uma praga que não morre, como um sentimento que sempre cresce. Não exagero se digo que me lembro de ti todos os dias. Tu és a força que me segue, o sorriso que em mim nasce. Sei que lá em cima, lá em baixo, em qualquer sítio que seja, tu (e ela) estão comigo. Mas sabes, a cevada não sabe ao mesmo, as bolachas com queijo já não são tão boas e a vida sem ti, sem vocês, não tem o mesmo sentido. 
Tenho saudades tuas, das tuas bochechas. Prometo e juro que ainda me lembro do toque da tua mão na minha e da forma como sorrias sempre que te dava um beijinho na testa, como vês, nunca te esqueci. É impossível esquecer-te. Revejo-te mesmo estando cega de saudades. Mesmo que o meu coração aperte tanto que me custe a respirar. Vejo-te uma, duas e três vezes na minha memória. Estás encostado ao sofá, sentado na cadeira de rodas junto à janela. Estás nesse teu jeito inclinado a usar uma camisa de flanela e a avó tem o leite a ferver. Os teus olhos estão grandes e a tua pele jovem como que ainda ontem tivesses feito vinte anos. Tens as mãos cansadas e duras do trabalho, mas é no teu sorriso que mora o teu coração de ouro. E é quando me dás um beijinho, com a boca meia fechada (já custa um bocadinho não é?) e me dás a mão que eu te recordo como sempre o fiz: pelo melhor avô do mundo. Por isso hoje recorda-me também: com o cabelo mais curto, mais gordinha, mais menina e com mais luz no olhar e deixa-me dar-te mais um beijinho - bem repenicado - na tua testa. E vamos fingir que estes cinco anos não passaram e ainda hoje nos voltamos a encontrar. Está bem? É que as saudades já são tantas e eu sou tão (a tua) pequenina para aguentar.

Coincidências deste mundo maravilhoso. ♥

sábado, outubro 11, 2014


O mundo é maravilhoso.

      De há uns tempos para cá adoptei um novo lema "O mundo é maravilhoso". Tudo começou quando fui à apresentação do livro da Gabriela Oliveira e nesse mesmo dia ela tinha publicado o post que fiz sobre esta receita que experimentei do livro dela. Logo por aí ganhei o dia, mas não é que no fim do workshop ainda tive oportunidade de falar com ela e tirar esta foto? A partir daí acredito piamente que o mundo é maravilhoso. Mas para além de acreditar, ele prova-me que o é.
        A semana passada comecei a minha nova aventura como contei aqui e para me acompanhar sabia que tinha mais duas raparigas que iam ser as minhas "companheiras de luta". Como Albergaria-a-Velha não é assim um sítio normal de ponto de encontro, estava como que aterrorizada por não saber quem ia encontrar. O que eu não sabia é que uma delas ia ser das melhores amigas de uma das minhas mais queridas amigas (acho que o mundo estava a torcer para que nos encontrássemos) e que a outra já se tinha cruzado nesta minha vida na minha estadia na Holanda. Feitas as contas... o mundo é maravilhoso e mais do que isso faz questão de trazer para a nossa vida pessoas ainda mais maravilhosas. Estou certa ou não?

Um xi- maravilhoso, 
Mariana


Receitas

Pequeno-almoço cheio de amor & creme de chia com alfarroba ~

quarta-feira, setembro 17, 2014


Sementes de Chia - um complemento valioso para misturar em sumos, batidos, sopas, iogurte ou embebidas nos cereais da manhã; para integrar receitas de pão, panquecas ou empadas. Têm um sabor leve e são tão pequenas que mal se dá por elas! Oriundas do México, as sementes de Chia são extremamente rica em fibras, antioxidantes, proteínas, vitaminas e minerais, sendo uma fonte excelente de ómega-3. São muitas as funcionalidades atribuídas às populares sementinhas, como regulador do transito intestinal e auxiliar para perder peso. São, sobretudo, muito nutritivas mas devem ser consumidas trituradas ou hidratadas para serem melhor absorvidas. Uma colherzinha (de café para as crianças e de sobremesa para os adultos) por dia!

         Voltaram os dias cinzentos, estou a ver. Mas não é por eles voltarem que as nossas manhãs têm que ser sem cor. Hoje foi um pequeno-almoço especial: para alegrar e me preparar para mais um treino. Um pequeno almoço para celebrar (já vos falei aqui da importância de celebrar) e por isso mesmo decidi-me a experimentar uma receita nova do melhor livro de cozinha Vegetariana que algum dia vi: "Cozinha Vegetariana Para Quem Quer Poupar" da Gabriela Oliveira. 
           Peço desculpa pela publicidade mas eu estou tremendamente satisfeita com este livro. Durante os meus anos de vegetariana andei sempre feita maluca à procura de livros de receitas realmente bons, comprei imensos, todos eles ficaram aquém da expectativa: ou porque os ingredientes eram esquisitos, ou caros, ou super calórico... enfim, nenhum me satisfez, até que os meus pais me deram este livro (depois de o andar a namorar um bom par de dias) e já corri as páginas dos livros sempre com vontade de experimentar uma receita nova. As receitas são super acessíveis, bem como os ingredientes e o custo dos mesmos e ainda vem com dicas e alternativas maravilhosas. Por isso mesmo, decidi-me a experimentar pelo menos uma receita nova a cada semana (não exclusivamente deste livro).
       Para o pequeno-almoço experimentei a receita do creme de chia com alfarroba (cru e sem açúcar), é mesmo muito fácil de fazer, para quem se quiser iniciar na culinária é daquelas receitas perfeitas. O sabor é maravilhoso então misturado com morangos é qualquer coisa de fenomenal! Foi a primeira receita com sementes de chia que correu bem e prometo repeti-la por muitas vezes com ou sem ocasiões especiais à mistura. A página 209 do livro também promete ser visitada mais vezes. 

Bom pequeno-almoço e bom dia,
Mariana.

Estilo de vida

Dias de ginásio (antes que o cansaço nos separe).

terça-feira, setembro 16, 2014

Estou morta, exausta e super cansada e não sei como ainda tenho forças para escrever este post.

Como mencionei aqui, desde Julho estou inscrita num ginásio aqui perto de casa. Fiz uma avaliação inicial que me assustou imenso (IMC quase no limite do saudável bem como o perímetro cintura/anca e o IMG elevado) e acordei para a minha condição física. Tinha mesmo que tratar mais do meu corpo, afinal é com ele que vou viver o resto da minha vida e tenho que me sentir saudável e bem nesta pele. Sendo assim - a morder os lábios - propus-me a um plano de treino onde o objetivo era perder 6kg e 4 a 5cm do perímetro cintura e anca. Durante o mês de Julho treinei todos os dias por semana (excepto Domingo) e Deus sabe quanto me custou.
Sempre fui uma pessoa muito sedentária, tirando a natação, o yoga e o badmintown nunca me interessei por nenhum desporto. E sempre que as dores começavam a sentir-se eu era a primeira a desistir. Se vos disser que não conseguia correr cinco minutos seguidos não estou a mentir. A minha resistência sempre foi péssima e a minha determinação para o exercício completamente nula. Contudo não sei o que me deu nesta vez para levar esta adiante (há uns quatro anos já me tinha inscrito num ginásio e só gastei dinheiro... prometi que nunca mais, até que chegou este momento). Quer dizer até sei, tenho um namorado que é o maior desportista do mundo e me acompanhou em (quase) todos os treinos e mesmo quando estava transpirada, quase a morrer, me abraçava e me dava força para continuar. E eu lá arranjei a força e continuei. Dos cinco minutos de corrida passei para os vinte minutos e desde aí foram só evoluções para celebrar. 
Contudo entre Agosto e Setembro tive várias semaninhas de férias e o ginásio não esteve sempre presente. Conclusão quando voltei esta semana as dores instalaram-se logo. Quase como se tivesse sido o primeiro dia de treino. Aliás, teoricamente foi. Depois de dois meses com o mesmo plano de treinos (A e B - pernas e braços: C - cardio) recomecei hoje um novo plano. Desta vez não tenho cardio, tenho só A e B. Hoje fiz o treino A e devo-vos dizer que nunca sofri tanto dentro de um ginásio. Suei em bica, ferrei os dentes, suspirei, tentei, tentei, tentei e... morri. Estou morta, exausta e super cansada e não sei como ainda tenho forças para escrever este post. Aliás, nem sei como amanhã vou conseguir treinar, talvez  descanse e me dedique apenas ao treino de yoga (que é super importante para não perder a flexiblidade e não só claro).
Mas bem, antes de me despedir, isto tudo para dizer que estou apaixonada pelos treinos e que mais vale estas dores musculares - que embora me queixe são óptimas de sentir - do que não saber o que é sentir esta sensação de realização e orgulho. Estou apaixonada por esta sensação, pela energia e qualquer dia dou uma abada ao meu desportista a saltar à corda. Para já fico-me por ser a "aluna" mais orgulhosa dele. Obrigada, meu amor.

Bom descanso e boa noite,
 Mariana.

Reflexões

Celebrar, esta vida, estes momentos.*

terça-feira, setembro 02, 2014

Cresci rodeada de alguns pessimistas. Aqueles que entre o copo meio cheio e o meio vazio, vêem o copo partido. Que nem sempre souberam ver os raios de sol por entre o nevoeiro. Por isso mesmo, e porque há que tirar o lado positivo de tudo, todos os dias tento fazer um esforço para reparar o copo que não chegou a cair e afinal estava meio cheio de água. Todos os dias afasto as cortinas deste céu para o sol entrar mais um bocadinho. Aliás, ultimamente tenho feito muito isso. Tenho tido esperança, alegria, motivação, inspiração e muita, muita, vontade de celebrar. 
Mas celebrar? O quê? Seja o que for! Seja porque se está há um mês no ginásio, ou porque o vinho que gostamos está em promoção, ou que nos der na gana. Celebramos porque estamos vivos e essa é a maior celebração de todas. Celebro por e para me sentir bem. Porque não há nada melhor que vestir o vestido bonito e sair para um jantar à luz das velas ou confeccionar um prato diferente para os meus e acrescentar um licor no final da noite. Seja o que for, celebro, porque no final há sempre um brinde a "nós", que estamos vivos. E é tão bom! Portanto, vamos celebrar? 
Vamos! Vamos enfeitar o sorriso, decorar o olhar e aconchegar estes corações que batem cada vez mais ao som alucinante que ritma esta vida. Celebramos, pois então: a vida, os momentos. Celebramos porque ninguém o vai fazer por nós e afinal, cada um de nós, celebra como bem quiser! Hoje celebrei esta noite quente de Verão escrevendo sobre o céu estrelado, partilhando a quem quiser ler o bom poder que é celebrar. E que este ritual se repita, se disperse e, acima de tudo: se partilhe! (afinal o que é partilhar, se não celebrar?) 

Boa noite com um sorriso e um xi-,
Mariana Neves

ps: esta música para celebrar e agradecer a quem me lê.

Reflexões

O que se tem passado nos últimos dias & o regresso ao blog!

quarta-feira, agosto 13, 2014

Ao fim de vários meses desaparecida, chegou o momento de voltar. Existem vários motivos para ter deixado de escrever no blogue, mas a verdade é esta: desliguei-me. Simplesmente desliguei-me. Em Abril / Maio chegou o final de três anos de licenciatura e o trabalho foi árduo, daí nem sequer ter tido tempo para dizer um “olá”. Depois disso, vieram as férias e, muito honestamente, eu só queria descansar. Descansar dos meses agitados que tive: das decisões difíceis e despedidas impossíveis. Descansar do meu próprio cansaço. E para isso foi preciso desligar-me. Desliguei-me do meu cantinho (que embora a distância se tenha imposto, não deixa de ser o meu recanto virtual favorito), do facebook, do e-mail, do Projecto Cartas Cruzadas e de tudo aquilo que me pareceu demasiado exigente para enfrentar agora. 
Porque digo isto? Porque entrei numa fase onde só quero olhar para dentro: o que sou, como sou, quem sou. O resto: os outros, as opiniões insensatas de outros ficam para outras alturas. Não para agora. Não tenho paciência para a vida dos outros, muito menos para “gostar” de a ver publicada só porque sim, só porque “somos melhores que os outros”. Desliguei-me de criticas e analises sobrevalorizadas. Dei-me a liberdade para escolher aquilo que quero ver e viver. E vivo tão bem assim. Sinto como se estivesse em modo “spa”. A repousar. A acalmar-me. A mimar-me. Dando tempo ao tempo, dando tempo a mim própria e só quando todas as cicatrizes estiverem saradas, toda a pele macia (sem esta casca dura que a dor nos provoca) e conseguir respirar ao meu tempo sem querer respirar no tempo dos outros (e não me sentir mal por não o conseguir) é que hei-de voltar. 
Para já, volto aqui. A este meu (e nosso) espaço. Porque nele respiro à minha maneira e porque não há nada como voltar ao meu velho cantinho, à minha escrita, ao meu desabafo, ao meu espelho. Não há como voltar a este espaço - que cheira a incenso, tem uma vela acesa junto do chá e música "ponto de luz" da Sara Tavares a dar como banda sonora. E não há nada como me partilhar nele.


E por falar em partilhas, já que é para voltar, tenho que falar sobre a despedida à minha pequena e bela cidade: Vila Real. Três anos de ti, minha casa. Três anos de conversas nas calçadas, de noites a contar as estrelas. Três anos de aprendizagens novas e aprendizagens repetidas (ou deverei dizer erros?). Três anos de superação, de quebrar desafios. Três anos a crescer longe de tudo o que havia conhecido, mas tão mais perto daquilo que sou. Três anos de Parque Corgo e Alvão. Três anos de croissant com calda de vinho do Porto, massa com molho de iogurte e vodka de morango. Três anos de amizades transcendentes. Três anos de desilusões e milagres. Três anos de luta. Três anos de estudo. Três anos que pareceram uma vida e que criaram esta minha vida. Três anos que me transformaram, que me viram crescer. Crescer. Vila Real fez-me crescer. Fez-me ter um coração maior bem como a determinação e vontade de perseguir os sonhos (quem quer faz, quem não quer arranja desculpas). Fez-me olhar para as coisas com outros olhos. Entender coisas que me pareciam incompreensíveis. Vila Real fez-me sentir sortuda, sortuda por a poder viver e re-viver a cada respiração. Guardo-a no coração. Mentira, o coração é demasiado pequeno para uma cidade tão grande. Guardo-a em tudo de mim. Com cada pedaçinho do meu corpo, porque foi assim que a vivi: com tudo de mim. 
Despedi-me desta cidade com o coração muito apertado, com vontade de nunca a largar, de me prender a ela como uma criança se agarra às pernas da mãe quando não quer ir para o infantário. Uma parte de mim quis ficar e renovar os votos de amor pela minha cidade. Outra parte de mim anseia a mudança: a nova etapa. A etapa dos curriculuns, dos "nãos", das experiências, do "venha o que vier" e do "o que tem de ser tem muita força". Acabada a licenciatura os caminhos eram vários. Acabei por não escolher nenhum. Decidi-me a dar um ano de inexistência de expectativas e planos. Um ano a ver o que a vida tem para mim. A observar. Porque é que tem que ser sempre tudo tão apressado? Decidi que não me ia meter em nenhum mestrado, sem antes ver como estava o mercado de trabalho. Acho que hoje em dia se tem demasiada pressa para chegar a lado nenhum. Acabei o curso, um passo já está. O resto, virá.


Acho que sempre que se acaba uma etapa da nossa vida, é imediatamente feita uma retrospecção geral à nossa vida. Eu costumo fazê-lo várias vezes. Mas quando me apercebi que já tinha o diploma na mão, fui um bocado mais adiante e pensei "em quem te tornaste?". Reflecti muito. Reflecti profissional e pessoalmente e apercebi-me que durante todos estes anos de reflexões havia um "problema" que nunca saia do sítio. O problema de como eu via o meu corpo, de como eu o tratava. Eu sempre fui muito gordinha (ou como costumo dizer "fofinha") e ao longo dos anos os quilos nunca decrescem e a minha condição física tende a piorar. Eu sempre soube disto e sempre soube que para o mudar teria que fazer sacrifícios e dedicar-me mesmo à mudança. Mas do saber ao fazer, vai uma grande distância. Contudo tudo mudou quando em finais de Abril descobri que nas residências de Vila Real havia aulas de Ashtanga Yoga grátis. Para quem já me lê sabe o quanto gosto de yoga e o quanto queria retomar a prática. Daí até começar a ir a duas aulas de três horas por semana foi um instantinho. E não podia começar pelo sítio mais certo. As aulas eram maravilhosas: três horas de auto-conhecimento, simpatia, carinho, mudança, renovação. A professora de yoga superou todas as minhas expectativas e fez-me ainda ficar mais apaixonada por esta filosofia. O meu corpo, aos poucos, começou a ceder: em flexibilidade, em resistência, em equilíbrio, em confiança. Comecei a confiar mais em mim, no meu corpo. A sentir-me bem nesta pele que visto. 
Mantive as aulas até Junho, altura em que deixei permanentemente Vila Real. Em Julho não quis parar (porque se parasse os bichinhos da preguiça iam apoderar-se de mim) então inscrevi-me no ginásio. Desde então faço seis treinos por semana (domingo é o dia do descanso!), continuo com aulas de yoga uma vez por semana e sempre que posso passo pela piscina ou uma corrida à beira mar. Pois é!, já consigo correr mais do que cinco minutos seguidos! Adoro esta mudança no meu corpo. Ainda não sou apaixonada por desporto, mas digamos que sou como uma menina de 14 anos que descobriu o que era o amor e que está a descobrir lentamente o que é sentir as borboletas no estômago e que a seu tempo vai aperceber como é o primeiro amor da vida. Para já, as borboletas no estômago são maravilhosas. Adoro a sensação do pós-treino assim como tudo o que está associado. Manter a pratica de exercício físico regular, faz-me esforçar por ter também uma melhor alimentação (agora sempre que exagero o meu corpo ressente-se imediatamente! Creio que antes não me apercebia disso porque abusava sempre  e nem me apercebia) e estabelecer rituais saudáveis. Os treinos ajudaram-me muito a criar um compromisso comigo mesma. Ajudaram-me a gostar ainda mais de mim (aliás o meu "prémio" por depois do treino é ter o meu tempo para colocar creme no corpo todo e mimar-me ainda mais) e a confiar mais em mim e nas minhas capacidades.


Acredito que quando se faz uma mudança na vida, ela não vem só. Aliás, muito pelo contrário. Ao mudar um bocadinho a minha perspectiva de olhar para as coisas e de as viver, houve um rodopio de mudanças (como já deu para perceber). Foi o ginásio, o yoga, a anulação das expectativas e um esforço ainda maior por aproveitar esta grande Natureza. O tempo de férias, significa um tempo precioso: o tempo de estar em casa. De aproveitar o cheiro do incenso, o sabor a relva acabada de cortar e de desfrutar das noites de luar no jardim. Adoro a minha casa, não só pelo porto de abrigo que é, mas porque me permite viver em comunhão com a Natureza. Desde a minha pequena horta, à horta do meu pai, e aos perus, galinhas e patos, não há nada que goste mais. A sensação de estar a consumir aquilo que semeamos, colher os frutos das àrvores que plantámos... É tudo mágico, é tudo indescritível. Talvez por isso goste tanto de sumo de frutas logo pela manhã, para consumir aquilo que melhor há na nossa terra. Enamoro-me com esta vida. Esta vida de aproveitar o sol, esta vida de simplicidade, esta vida de gestos tão pequenos que se transformam em coisas tão grandes. Sei que esta é a vida que quero levar: uma vida mais natural. Por isso mesmo, voltei à minha vida vegetariana, se bem que dispenso os rótulos. Sou vegetariana a maior parte dos meus dias, mas se me apetecer, se me sentir mal, se a situação for diferente, não me vou sentir mal por consumir um produto animal (biológico!). Mas claro, sem sombra de dúvida, que ser vegetariana é aquilo que sou e é sempre aquilo que me guia, apenas quero criar um equilíbrio entre as minhas escolhas e as escolhas dos outros (ter visto como as pessoas ficaram felizes e "à vontade" quando deixei de ser vegetariana, fez-me entender que a minha escolha estava a incluir bem mais pessoas do que aquelas que pensava). O que me faz repensar naquilo que escrevi em cima... equilíbrio, sempre o equilíbrio. 


Por último, e não menos importante, cada vez me apercebo mais que a vida é demasiado curta, demasiado preciosa, para não a vivermos como queremos, mesmo que isso signifique alguns sacrifícios. É como o meu pai diz: o que seria de nós, sem sacrifício, sem esforço, sem trabalho? Qual seria a realização, o orgulho? O que seria de nós? Sinto-me realizada, orgulhosa, poderosa e só isso vale tudo. Estava a escrever este texto e lembrei-me de uma frase que acompanhou a minha adolescência, de Henry Thoreau "Fui para os bosques viver de livre vontade. Para sugar todo o Tutano da Vida. Para aniquilar tudo o que não era vida e para quando morrer, não descobrir que não vivi." Eu não preciso de bosques, ou montanhas, afinal tenho tudo aquilo que sempre precisei e sempre quis, embora obviamente isso também inclua bosques encantados. Sinto-me grata por isto, por tudo, tão grata. 


 instagram: @mmariananeves
Obrigada por me leres, um xi- enorme,  Mariana.

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