Uma questão de flores.

quarta-feira, fevereiro 19, 2014


     Uma das minhas maiores marcas é o girassol. Adoro girassóis, pela sua alegria, pela sua grandiosidade, pela sua felicidade e especialmente, pela sua vida. Na verdade, não são só os girassóis que eu adoro, adoro todas as plantas e a sua presença, desde sempre, me acalma. Gosto de plantas, de Natureza, como se fosse um bocado de mim. Gosto das suas cores, dos cheiros, do toque, mas acima de tudo da sua presença.
      Se há uns tempos tinha sete plantas no quarto não era por uma questão de decoração. O poder da vida e a sua presença acariciam-me a alma e iluminam a minha vida. É uma coisa intrínseca: um gosto mais do que adquirido. Adoro receber vasos e, quando tinha o meu bonsait, passava alguns minutos por dia a falar com ele (enquanto juntos contávamos as estrelas). As plantas fazem-nos companhias. E minto se algumas delas, não fizessem mesmo parte da minha história de vida. Gosto de olhar para as plantas e recordar-me do feito que as trouxe até mim. O vaso das gerberas que foi dado pela minha mãe quando vim para Vila Real, os cactos que me foram dados o Verão passado, a kalenchua dada por uma grande amiga há muitos anos atrás, as canas de bambu do Natal de há quatro anos, a Camélia da minha avó, o Chá Príncipe que me foi mandado por carta, tudo têm histórias por trás e todas elas são representadas por plantas. Algumas em vasos, que também eles descrevem as histórias, e outras que já estão no jardim.
     Seja como for, as plantas têm histórias escondidas dentro delas. E quando me oferecem um ramo de flores penso em todas essas histórias que se vão perder. É verdade que adoro plantas. Mas gosto delas vivas: vê-las crescer, ajudá-las a sobreviver, observar os caules a aumentarem de tamanho e as flores a desabrocharem. E, sempre que me dão um ramo de flores, só penso na quantidade de flores que me entregaram mortas. Talvez seja um pensamento que aos olhos de algumas pessoas não faz muito sentido, mas é a minha perspectiva. Para mim, não faz sentido, oferecer ramos de flores. Porque não oferecer vasos? Porque não oferecer vida? Porque não oferecer memórias que sobrevivem e perpetuam durante um tempo indefinido? Tem tanto mais significado, tem tanta mais vida. 

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5 comentários

  1. É uma perspectiva diferente, mas tão verdadeira!

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  2. Eu também não gosto que me ofereçam flores, prefiro vasos. :)

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  3. Concordo absolutamente contigo! Não gosto que me ofereçam ramos de flores exactamente por isso: elas já vêm mortas. E isso é triste :(

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  4. Quem me dera poder ter vasos de flores assim como tu :p Eu tenho canas de bambu no quarto há muitos anos, mas não posso ter muitas flores em casa. A minha imã tem ataques de asma quando está ao pé de muitas plantas e assim :/

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