Para o meu super-herói.

quarta-feira, março 19, 2014

Não me lembro quando te conheci. Não me lembro que roupa usavas, ou qual foi a minha primeira reacção ao teu abraço, ao teu cheiro, ao teu toque. Não me lembro da primeira vez que te vi ou da primeira palavra que te disse. Não me lembro da primeira vez que chorei nos teus braços, nem da primeira vez que te disse que gostava muito de ti. Não me lembro da primeira discussão, nem da primeira carta que escrevi para ti. Não me lembro disso tudo, porque desde o primeiro segundo da minha existência que estás ao meu lado. Contudo, entre tantas coisas que me lembro - como a primeira vez que consegui nadar com a tua ajuda, ou a primeira vez que consegui andar sozinha de bicicleta, bem como a primeira vez que plantámos uma árvore juntos - a coisa que mais me lembro (e meu bem, é a essa memória que recordo sempre que a saudade aperta mais um bocadinho), foi uma situação que aconteceu em 2008. 
 No Verão de 2008, estávamos nós para os lados de Lisboa e numa noite quente de Verão aguardávamos o inicio daquele que viria a ser o melhor concerto da minha vida, daquele que é o teu cantor favorito: Leonard Cohen. Eu ainda era pequenina e embora sempre me tivesses habituado a ouvi-lo eu ainda não conseguia reconhecer o grande espectáculo que estava à espera de ver. Eu só queria ouvir uma coisa. A minha música, a nossa música (não é a mesma coisa?). A música com a qual me baptizaste: So Long Marianne. Foram duas horas de concerto e a música ainda não tinha dado. Já começava a desesperar. As pernas doíam-me, estava cansada e o frio já começava a instalar-se. Até que, com o som celestial de um piano, começou a melhor música de sempre. Não a reconheci ao início, mas mal ouvi "Come over to the window, my little darling..." juntei-me mais a ti e com a pele arrepiada e os olhos cheios de lágrimas abracei-te (incrível como até nos dias hoje esta memória me arrepia). Sei que não foi um abraço qualquer. Sei que foi um abraço que falou, aliás que gritou ao mundo a minha mensagem de amor por ti.
Foi um abraço, silencioso, mas apertado (como todos os outros). Recheado de tudo o que um coração envergonhado não consegue dizer e transbordando todo o carinho do mundo. Um abraço que gritou ao mundo, mais alto do que o que é possível, que te amo e que nunca, quero perder-te. Um abraço que te segurou em mim, sabendo que nunca mais te vou largar. Um abraço que te tatuou em mim, que te eternizou na minha memória. Um abraço de quem tem medo de te perder e um abraço de quem é feliz só devido à tua existência. Um abraço de gratidão, por seres o meu melhor amigo, o meu porto de abrigo, o meu super-herói. Um abraço, como quem jura a promessa, de que vou sempre ter contigo e de que iremos sempre reencontrar-nos (como os piscos de peito-ruivo que encontram as árvores). Um abraço que me guiará sempre o caminho para a felicidade. Um abraço que disse e que vai continuar sempre a dizer (porque desde aí os nossos corações ficaram sempre num abraço apertado) que nunca te vou abandonar e nunca, aconteça o que acontecer, vou deixar de gostar de ti. Um abraço, tão apertado, que ainda hoje o consigo sentir. Um abraço que cresce com o tempo, bem como o nosso amor. Um abraço que transpareceu tudo o que sinto por ti: amizade, orgulho, amor, carinho, compreensão...
Pai, nestes dias, em que saudade começa a bater a porta é disto que me lembro. Lembro-me deste sentimento, tão lindo, que nos une. E junto com aquele abraço de 2008, guardo as nossas caminhadas pelo mar, as nossas conversas, as nossas viagens, as nossas paisagens, e tudo que bem aconchegadinho no meu coração representa o mundo que és para mim. Obrigada super-herói por me dares memórias tão boas e por significares tanto para mim. És o melhor, para sempre.

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7 comentários

  1. Laços tão fortes que se eternizam em palavras tão doces. :) tudo lindo, lindo esse amor que ninguém pode separar****

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    1. Tão verdade, minha Mariana* gosto tanto de te ver por aqui!

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  2. Ohh, está tão amoroso! Os nossos pais são os nossos primeiros e eternos heróis, e essas memórias de que falas nunca se irão perder em ti.
    Gostei imenso do teu cantinho, e vou segui-te sem dúvida! Continua assim, tens aqui um excelente espaço:)

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  3. ...convidei o meu pai para ir a esse mesmo concerto... (mas ele já tinha coisas combinadas para esse dia e acabamos por não ir:( ) mas gostamos muito de ouvir Leonard Cohen qdo estamos juntos em casa!! lindo texto!!

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