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By Mariana Neves - maio 07, 2014

Encontrei-te. Encontrei-te na rua onde te deixe há tantos anos atrás. Estava escuro, as folhas de eucalipto jaziam no chão como corpos enamorados abandonados na solidão. Estava escuro, as estrelas do céu palpitavam como um coração que morre. Estava escuro e onde estavas tu? Onde andavas tu? "Meu bem, que saudades tuas." - murmurava o vento. O vento murmura (e murmurou este tempo todo, não foi?) algo que nem eu sabia. Faltavas-me. Faltavas-me: noites escuras em papeis tingidos a café. Faltavas-me: cigarros e incenso. Faltavas-me: caminhadas sem rumo. Faltavas-me e encontrei-te naquela rua tão fria no calor da dor de te ter perdido (queimaste tanto de mim, com essa dor que me suga).
Encontrei-te. Encontra-mo-nos.Estavas perdida pequena? Por onde andaste tu? Quantos mundos encontraste? Quantos mares remaste? Quantos barcos naufragaste e quantos aviões abandonaste? Quantas vezes te perdeste nesta tua (e nossa) descoberta? Descansa, descansa. Encontrei-te nos meus braços. Encontrei-te. Revelar-te-ei o sol das cores que quiseres. Descansa, não te percas mais. Vamos perder-mo-nos juntas como malucos pelas ruas que anseiam o sol. Encontra-te comigo. Junta-te a mim. Dá-me a mão e deixa-me tirar-te desse mundo perdido.
Encosta a tua mão de pele tão seca (também a tua pele se perdeu na dor?) nas minhas mãos macias. Vamos aquele rio, que cheira a lavanda, e a liberdade emana. Volta a nadar nua sobre a luz do sol (ou da lua se quiseres). Volta a sorrir, a deixar-te alegrar com a tua existência. Faz das folhas abandonadas de eucalipto o caça sonhos que te liberta de um mundo que nem sempre aceita a tua liberdade, que nem sempre te aceita. Encontrei-te escura e no meu abraço te pintarei com as cores da vida. Abraça-te. Encontrei-te. Encontra-mo-nos. As saudades eram tantas, sunshine. Nunca mais nos perdemos. 

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