Fluir num mar de papel.

segunda-feira, maio 25, 2015

{fotografia de Sunsword & Moonsabre}

Quando comecei a escrever? Não me lembro. Porquê? Lembro-me perfeitamente. A escrita desde cedo tornou-se as minhas asas, o meu passaporte para todos os sítios que eu ousasse querer visitar ou inventar. Escrevi sempre para viajar. Aliás, para deixar viajar: pensamentos bons ou maus, saudades ou amores, o que for que eu quisesse transmitir. Com a escrita transmite-se sempre qualquer coisa. Sempre senti que as minhas palavras ultrapassavam as fronteiras da realidade e que, de alguma forma, chegavam sempre onde eu queria que elas chegassem.  

Escrevia para mim, para ti, para quem eu quisesse. Mas sempre em segredo. Acredito que quem quer ler, acaba por ler, por saber, por sentir... Gosto de metáforas, os simples e sábios truques da escrita. De contar as letras com preciosos estilos naturais, como o brilho do sol e o suar das gotas da chuva na pele quente. Comecei a escrever para me sentir, preencher, encontrar, sem fronteiras corporais, indo por este mundo fora.

Agora, não tenho escrito. Digo que não tenho tempo. Mas porquê? Não o terei mesmo? Digo que não serve de nada. Talvez sirva apenas para me fazer bem, para me libertar de algo que nem sei que me prende. Não chega? Comprei um caderno para escrever, mas deixei-o em sítio tão secreto que até eu tenho medo de o ler. Acho que é assim, quanto mais crescemos mais medo temos daquilo que nos faz sentir realmente bem, realmente inteiros, especialmente quando as coisas são tão simples. Parece-me que só temos tempo para as coisas complicadas, para as coisas que não são naturais, que não fluem como estas palavras que escrevo... Só temos tempo para as coisas impostas, regradas, compensadas... e esquece-mo-nos do nosso natural, do nosso eu... Daquilo que realmente faz parte de nós. Mesmo que essa coisa seja simplesmente escrever sem objectivo, sem plano, sem prazo... Apenas deixar as ondas fluírem num mar de papel. Por isso, hoje, vamos fazer as coisas simples simplesmente?

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9 comentários

  1. vamos! :)

    isso lembra-me o "ainda há coisas boas, sabes?" <3

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  2. Siga fazer as coisas simples simplesmente! :)
    As tuas palavras iniciais fizeram-me pensar que o que escreveste fui eu que o escrevi. Não me lembro quando comecei a escrever, talvez tenha a ideia que foi num período muito negro da minha vida. Mas sei perfeitamente que foi para fazer o que aqui disseste. A vida é tão mais fácil e bonita quando a preenchemos com as nossas palavras. E se há algo que me preenche é deleitar-me nelas.

    E depois chegamos a lugares na nossa vida onde só temos tempo para o complexo, como o dizes. Mas há sempre momentos em que regressamos.
    Quem escreve por gosto escreverá sempre.

    Um beijinho grande

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    1. "Quem escreve por gosto escreverá sempre." ~ é mesmo isso, minha Mariana*

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  3. A minha grande paixão já foi a escrita. Escrevia de dia, de noite, escrevi tantas histórias, tantas histórias ficaram por terminar, que já lhes perdi a conta. "Escrevi sempre para viajar", acho que essa tua frase se aplica totalmente à minha experiência. Viajar pelas histórias como se fosse cinema a decorrer à minha frente. E, tal como tu, o bichinho ficou mas agora falta o tempo. De vez em quando, quando o vento sopra mais forte nos meus cabelos, quando o canto dos pássaros se torna mais doce ou quando os dias se tornam mais alegres, aquela vontade suspira-me aos ouvidos. Mas falta sempre o tempo... Falta aquela magia de antes.

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  4. Como te percebo... parece que quanto mais velha fico, mais me custa começar a escrever. Mas depois quando lá me resolvo a começar, é muito bom. É como se nunca tivesse deixado de escrever! Por isso, insiste, teima contigo, porque só custa começar :) Vais ver que as letras e as palavras começam a aparecer no papel, naturalmente :)
    Beijinhos e boa semana!

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    1. "Insiste, persiste e faz acontecer" :)
      Beijinhos***

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  5. Sabes querida, eu desde miúda que sempre adorei escrever e sempre escrevi. Mas já me apercebi que há alturas em que escrevo muito mais que outras, mas penso que é normal. E quando ando numa fase que escrevo menos, deixo fluir... Sei que quando menos esperar lá estarei eu com a caneta na mão, sim eu sou daquelas que não larga as canetas e o papel, não forma de escrever que eu goste mais! Penso que quem gosta de escrever gosta sempre!
    Beijinho enorme princesa!

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