Um ano depois da queima ~

By Mariana Neves - maio 07, 2015


Há um ano atrás eu não queimei as fitas. Não tive discursos escritos em fitas roxas e castanhas, nem cartoladas, nem nada a que como finalista tinha direito. Optei por não ter. Mas estas fotografias que rondam por aí... lembra-me tudo aquilo que tive: os abraços cheios de lágrimas, os "gosto de ti" que disse e ouvi e voltei a repetir em noites em que as horas não importavam, os shots que foram alianças de amizade eternas, as promessas de "nunca te vou esquecer" e tudo aquilo que uma pessoa viveu, mas não arranja palavras para descrever. Nunca é fácil dizer adeus. Especialmente às coisas boas. Mas há coisas, que por mais finais que tenham, nunca terão um verdadeiro adeus. (Mesmo que a cidade já não seja a mesma, a amizade nunca escolhe só um sítio para morar)
Dizem-nos que os amigos da faculdade são para a vida. E realmente, são. Mas não nos dizem que apesar de as amizades que se formam na faculdade serem para a vida, são também aquelas que mais nos enchem de dor. Os amigos da faculdade são para a vida, mas as saudades também o são. Vivemos com o coração de mão dada com a saudade e com a amizade. Porque as ruas nunca mais são as mesmas, as bebedeiras já não têm a mesma graça e as conversas passam de libertinas a conversas de horas marcadas. Porque a distância é tão cruel que nos faz ter que dar cambalhotas na agenda para estar com as pessoas que nos fazem sorrir. E, caramba, como é que uma coisa tão natural como ligar a alguém às três da manhã só para irmos dar uma volta passa a ser uma coisa tão difícil e às vezes tão impossível?
As amizades da faculdade (que não são muitas mas valem mais do que o Universo) são difíceis mas são as mais reais. Porque são eles, os amigos das 24horas sobre 24horas, os amigos-irmãos-guardiões, que sabem todos os nossos erros (mesmo os que nós nem nos lembramos), que nos conhecem por entre luares e amanheceres como ninguém. Porque, com eles, não há nada mais para ser, do que nós mesmos. E quando se encontra alguém assim, não há outro jeito do que para ser para toda a vida.
Por isso, finalistas, ou não, aproveitem o tempo da faculdade, as amizades da faculdade, porque viver longe delas é o que torna mais difícil este "adeus". E acreditem, que depois deste "fim" todos os dias passam a desejar voltar ao primeiro ano e recriar tudo outra vez: a primeira conversa, o primeiro abraço, a primeira asneira, o primeiro segredo... o primeiro ano de uma amizade "para a vida".

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4 comentários

  1. a minha queima está a aproximar-se, não imagino como pensarei nestes momentos daqui a uns tempos, mas certamente orgulho sentirei

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  2. Deve ser uma experiência única. Um abraço em ti <3

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  3. É tão bom receber as tuas palavras. Tão acolhedor. Dá-me sempre vontade de escrever mais.

    Tens razão... A amizade nunca escolhe apenas um sítio para morar. Estou no terceiro ano mas ainda me faltam mais dois. E parece que já passou a voar. Aproveitarei até aos último minutos. Como tu guardo pessoas que quero que permaneçam na minha vida para sempre. Poucos mas que valem mil.

    Um beijo e um abraço grande

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