A urgência de acalmar e aproveitar o tempo.

quarta-feira, junho 03, 2015


Acredito cada vez mais que quando algo não está bem o nosso corpo avisa-nos. É o primeiro a dar o alerta, mas nem sempre nós somos os primeiros a ouvir. Por isso, às vezes ele tem que tomar medidas drásticas. Isto para vos dizer que esta semana aconteceu-me uma coisa - a mim e ao meu corpo - que me fez acordar para uma situação que nem sabia que existia.
Na segunda-feira, tinha acabado de chegar ao trabalho, quando não sei como nem porquê cai das escadas abaixo. Contei uns seis degraus num pumbas-contra-pumbas, até que só parei quando atingi o chão seguro e estável. Da queda fiquei com o corpo marcado de sangue, nódoas negras e algumas dores. Mas não é aos danos corporais que me quero referir. Quando, mais tarde contei o que se tinha passado, alguém me respondeu: "estava mesmo a ver que isto ia acontecer, andas sempre numa correria." E é precisamente disto que quero falar hoje. 
Durante algum tempo eu queria ser daquelas pessoas que têm a agenda cheia, que têm intervalos contados para respirar e vinte e quatro horas completamente planeadas e preenchidas. Achava que o síndrome de agenda cheia era o mesmo que "aproveitar o tempo". Enganei-me. O síndrome da agenda cheia a maior parte das vezes é o equivalente ao síndrome da frustração. Porque uma coisa é planear para rentabilizar o tempo, outra é planear tempo que não existe e com coisas muitas vezes irreais. Coisas que às vezes acabamos por fazer à pressa e não fazemos nada de jeito. E quando as coisas riscadas são menos do que aquelas que nos faltam riscar? Vem a frustração. Porque não somos capazes, porque nos dói a cabeça, porque estamos cansadas desta correria para sítio nenhum e com uma meta sem prémio. Apesar de gostar de ter a agenda cheia nunca pensei que fosse daquelas pessoas que anda sempre numa correria, devo admitir. Pensei que transmitia paz, calma e segurança. Enganei-me a mim própria.
Depois da "chamada de atenção" comecei a aperceber-me de certas coisas e hábitos mentais meus. Por exemplo, apercebi-me que estou sempre a planear o minuto seguinte, a refeição seguinte, o sítio seguinte... Não deixo tempo ao acaso. Tenho sempre a cabeça tão carregada de listas de coisas para fazer, de deveres, que me esqueço da simplicidade da vida. De saborear uma caneca de chá enquanto o incenso arde... de ler umas páginas de um livro com a luz da lua. 
Por isso, hoje o meu corpo fez-me comprometer com a urgência de acalmar e aproveitar o tempo. Planear o estritamente necessário e saborear tudo o resto... Deixar fluir. Deixar as horas passarem comigo como lençóis de seda passam pela pele... Sem magoar, sem doer, apenas sentindo e apreciando esta beleza que é sentir, viver, absorver e existir no tempo, no agora. 

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3 comentários

  1. Oh, espero que não te tenhas magoado muito :(
    Também já cheguei a essa conclusão... (só não caí).
    O stress andava a pôr-me maluca e não havia organização ou métodos organizativos que me ajudassem. O nosso corpo não está adaptado para a quantidade de trabalho e tarefas que esta vida "moderna" nos obriga a fazer. Às vezes é mesmo melhor desacelerar e aceitar que não somos máquinas de fazer tudo.
    Beijinhos e relaxa, tudo irá ficar bem :)
    Enjoy life!

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  2. Minha queridas as coisas menos boas fazem parte dos dias de qualquer um de nós! Mas temos de ver sempre algo de bom até nas coisas más, e sempre que há dor, há lição! E é a aprender que crescemos!
    Para a caminhada se fazer há que parar de vez em quando. Inspirar, expirar... várias vezes e deixar fluir. No tempo certo tudo toma o seu lugar!
    Beijinho enorme, tem uma boa semana!

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  3. Que bonito texto, Mariana!
    Espero que estejas recuperada da queda, e a desfrutar do prazer ínfimo de apreciar cada momento ao sabor do vento. :)
    Beijinhos!

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