Quando nos afogamos (com palavras).

segunda-feira, setembro 07, 2015

{Image by Digpik}

Existem palavras que nos atacam como a água fria ataca o nosso corpo quente, quando a luz falta e o esquentador não liga, ou então a botija de gás já não tem mais energia para nos dar (como nos acontece tantas vezes em relação a este mundo). São, certamente, palavras que nos chocam e magoam. Mas palavras elas, que também nos fazem mergulhar num mar de sentimentos, introspecção e reconhecimento daquilo que somos naquele exacto momento em que nos afogamos. Perceber, ouvir e encarar aquilo que somos quando o chão some e a respiração é a única coisa que controlamos nem sempre é fácil. É o centro de nós: as memórias que passam, os arrependimentos que surgem e todas as palavras que anteriormente ouvimos fazem sentido. 
As palavras água-fria ou pedra-na-janela. Palavras, simples frases, que entram pelo nosso ouvido passando pelo nosso corpo apenas para nos acordar e contagiar cada pequena célula de vida com uma revolução. E nos fazem perguntar, duvidar daquilo que somos até agora. Seremos aquilo que pensamos ser? Entre a dúvida e o medo venha o diabo e escolha qual a melhor para habitar em nós.
Existem palavras que nos afundam, que fazem com que nos percamos de nós mesmos. Mas existem também palavras que logo após nos afundarem nos trazem à mó de cima. Palavras que só permitem três segundos debaixo de água gelada para percebermos que, quando não temos nada, quem somos verdadeiramente. 
Existem palavras que nos afundam e nos salvam. Que nos prendem e nos libertam. E enquanto a liberdade: dos nossos medos, dúvidas e fantasmas, for o seu objetivo, que venham elas. Vamos aguentar mais um afogamento, vamos despir-nos um bocadinho menos de rodeios e vamos deixar que estas palavras nos salvem. Sim? 

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