A esperança no Natal. ★

sexta-feira, dezembro 04, 2015


Deixei de gostar do Natal no dia em que o meu avô morreu. Desde esse dia, as passagens de ano e escolher árvores de Natal em miniatura para a sala dos avós, deixaram de fazer sentido. Entre tantas coisas que se tornaram incompreensíveis, o Natal foi uma delas. Todos os Natais chorei (deveria dizer todos os dias?) porque já não havia mais esperança que voltasses. Deixei de ver o Natal como algo maravilhoso e mágico, mas antes como uma época que se crava no coração dolorosamente à espera de quem já esteve e agora não está.
Durante os três longos anos desta dor incompreensível, só queria que Dezembro passasse. A saudade continuou a ser dolorosa, mas foi no dia em que a avó foi ter contigo que passei a ver o Natal de forma diferente. As luzes da cidade lembra-me a vossa lareira onde aqueciam a maçã cozida e a cevada, as mantas lembram-me as vezes em que me sentava a aquecer-vos as mãos. O Natal relembra-me a esperança de nunca vos esquecer e de continuar a ter este amor forte a aquecer-me o coração.
Sem ti, avó, eu tinha que depositar a minha fé nalguma coisa que não o teu sorriso. Depositei-a, novamente, no Natal. Não me interessa a religião ou a história, o que me interessa é que entre tantas desculpas que existem, o Natal tornou-se a minha favorita. Esta é a época em que o meu coração salta e brilha mais do que acontece durante o ano todo. Porque ainda há amor. O amor que supera a tristeza, a saudade, as lágrimas secretas na madrugada. E enquanto houver amor, vai haver Natal. Vão haver mesas cheias de uma família que continua a crescer, sempre com a vossa presença na Aletria e no Chá (como se eu esperasse que se juntassem a nós para darmos mais um beijinho de amor), vão haver miminhos, beijinhos e postais de agradecimento. E é por isso, que o Natal, depois de tanta reviravolta, me trás de volta de um oceano no qual quase naufraguei.
Se o Natal é uma época de saudades, é uma época também de esperança que o amor nunca desapareca. O que é a saudade se não a maior prova de amor? Por isso, este ano já estou rendida aos mil postais que quero enviar, à lista de prendas, às receitas com cheiro a gengibre e ao monte de velas acesas. Está aberta a época da melhor desculpa do ano, quem está comigo?

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