[até já, raio-de-sol]

quinta-feira, abril 07, 2016


As saudades bateram à porta e eu não soube como lhes responder. Deixo-as entrar ou deixo-as morrer de frio? O dia é inundado de sol mas as noites são tão frias desde que partiste. Não há calor para aquecer o meu coração nem para tudo o que está longe desta cabana de saudades desastrosas. E se eu as deixar entrar? Será que juntas poderemos aquecer um bocadinho de nós as duas? Será que com as saudades poderei falar das dores que atropelaram o meu coração? Poderei falar das nossas memórias sem ser invadida de lágrimas? Ou as lágrimas ainda vêm mais depressa? Com quem falo agora que partiste? É com as saudades ou com a dor? Ou nunca vai existir alguém com quem queira partilhar as nossas conversas? 
As saudades bateram à porta e eu só queria que viesses em vez dela. "É mentira" - dirias. E trazias-me o girassol, que te levei a última vez que te vi, num vaso como disseste que me ias dar. "Está tudo bem". Mas não. Foram as saudades que bateram à porta e eu vou deixá-las entrar, porque a dor de teres partido é muito forte para aguentar sozinha. Entrem saudades mas tragam com vocês as memórias, as conversas, as brincadeiras e todos os planos que não realizamos esta vida. Entrem sem fazer barulho porque eu ainda tenho esperança que esta vida o devolva e tudo isto seja um pesadelo. Entrem... 

Sejam bem-vindas até o resto da minha vida.

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