O que ainda resta de teu no meu coração.

quarta-feira, junho 29, 2016

Todos os dias penso em ti e todos os dias tento não o fazer. Contorno todos estes pensamentos mesmo que seja quase impossível, avanço a minha linha de pensamento tão velozmente quanto me é possível. Dou voltas e rodopios no labirinto da memória tentado achar as lembranças mais felizes. A primeira vez que te vi, as tuas expressões, todos os elogios que me deste e as vezes que me fizeste sorrir. Mas logo que me lembro de ti, no instante a seguir ao sorriso, lembro-me do porquê de não querer pensar em ti. Custa-me admitir que já cá não estás. Então vou-me enganado. 

Já sei de cor os atalhos da minha mente para não me encontrar de frente para o que resta de ti. Já sei os caminhos alternativos para não passar nos mesmos sítios onde estivemos. Neutralizo tudo aquilo que me lembra de ti e recuso-me a ouvir. Escrevi-te apenas uma carta. Só uma. Quando fez um mês que partiste. Sei lá eu o que lá disse. Enviei-a para o céu e fiz figas para que a lesses. Mas não leste.

A tua partida lembrou-me que existem partidas sem reencontros, mensagens sem resposta, chamadas que nunca vão ser atendidas e planos que nunca vão ser cumpridas. A tua partida lembrou-me que os fins acontecem num piscar de olhos. Sem despedidas possíveis. Lembrou-me também a vulnerabilidade que é amar alguém e este sentimento horrível que nos assola cada centímetro de corpo. Escrevo-te agora, e caramba, como me falta o ar. É difícil respirar quando o nosso corpo está tão cheio de saudades. Não te sei explicar cientificamente, mas só sei que até a minha barriga me dói. As lágrimas correm e escrever torna-se cada vez mais difícil. Queria escrever-te um texto bonito, daqueles que eu sei que ias guardar as citações no teu registo pessoal. Mas não consigo. Desconfio que nunca o vá conseguir. Faltas-te tu para me leres. Faltas-me para tanta coisa. 

Todos os dias penso em ti e todos os dias tento não o fazer. Aceitar a tua morte é tão difícil quanto respirar quando as lágrimas ganham esta corrida impossível. Aceitar as saudades é tão impossível como deixar de sorrir ao pensar em ti. (E só por isso, vou pensar em ti, só um bocadinho -  mesmo sabendo que depois disso, vêm mais lágrimas).

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3 comentários

  1. Olá.. Dizem q o tempo tudo cura... Mas não cura a saudade... Ameniza-a, talvez! Fizeste-me chorar e recordar... E recordar é tão bom e pacificador, que não importo de verter estas lágrimas!
    Beijinhos da costa alentejana, Xana

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    1. Beijinhos cheios de afecto para esses lados ♥

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