So Long, Cohen.

sexta-feira, novembro 11, 2016

{retirado daqui}

Acordei assustada, levantei-me da cama tão rápido quanto consegui e corri para os braços do meu pai. "O Cohen morreu". Disse-lhe isto exactamente como lhe diria se alguém da nossa família tivesse morrido. Abraça-mo-nos e sei que a saudade a partir de agora tem mais um apoiante nos nossos corações. As lágrimas não resistiram e correram-me no rosto. Cresci a tratar o Cohen como alguém familiar porque a sua presença sempre foi certa na minha vida. Ele esteve lá em todos os momentos: nas grandes viagens, em noites solitárias, em momentos de celebração.

O meu nome foi inspirado numa música do Cohen mas em perspectiva não é errado dizer que toda a minha vida foi de alguma forma inspirada por este senhor. Nasci como "So Long Marianne", mas fiz da "Dance me to the end of love" a minha valsa favorita e da "If it Be Your Will" o meu hino à saudade. A "I'm your man" presenciou o meu primeiro romance, a "Famous Blue Raincoat" as minhas grandes despedidas e a "Going Home" os últimos regressos da minha vida. Recorri - e recorro - às músicas dele vezes sem conta. Como não o fazer? Como não me deixar apaixonar pelas letras, pela voz, pelo instrumental? Se a minha vida tem uma banda sonora, o Cohen  foi sem dúvida, o artista principal.

Recebo a notícia da morte dele triste, despedaçada, mas ao mesmo tempo tão feliz por ter o privilégio de viver na mesma época que este senhor. De ter o privilégio de já ter ouvido este senhor ao vivo (que me fez arrepiar e guardar aquele momento como um dos melhores da minha vida) e de ter sempre uma marca dele em mim. Para nós o Cohen será sempre eterno. Fará sempre parte da nossa família, dos nossos serões na sala a ouvir os discos inteiros, e será para sempre: o nosso artista favorito. Para sempre.

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