Maria: mais bonita do que a vida.

quinta-feira, dezembro 08, 2016


Não sei como conheci a Maria, quem é que "encontrou" quem. Sei que um dia conheci o blogue dela, depois recebi um pedido para o Projecto Cartas Cruzadas e quando dei por mim a Maria fazia parte do meu dia-a-dia. Vejo borboletas e lembro-me dela, vejo coisas cor-de-rosa e lá está a Maria outra vez no pensamento. Quando a Maria entrou na minha vida eu não fazia a mínima do impacto que ela ia ter. A verdade é esta: tenho sempre pessoas novas a entrar na minha vida. Mas a Maria foi diferente. Ela não só entrou: como se sentou no lugar mais perto do meu coração.

Não soube logo que a Maria tinha uma doença. Soube-o por ela e isso não mudou minimamente a minha vontade de a ter na minha vida. Ela tem uma doença rara: neurofibromatose. Vive com dores todos os dias, assim como as idas ao hospital constantes. Mas nada disso a fez deixar de estar presente na minha vida. Manda-me cartas maravilhosas, mensagens de apoio e um carinho incondicional, que se eu não soubesse diria que não havia dores na sua vida.

A semana passada fui a Lisboa e avisei-a logo. Queria abraçá-la do papel para a vida real. Apertá-la bem nos meus braços e fazê-la entender que eu não vou a lado nenhum, estarei ao lado dela para o que der e vier - como ela também está para mim. 

Encontra-mo-nos perto do Hospital Dona Estefânia. E vou assumir: eu estava nervosa. A Maria perdeu a audição há uns anos atrás, bem como a expressão facial. Tinha medo de não conseguir comunicar com ela (desculpa Maria, fui uma tolinha!). Mas assim que ela chegou os medos foram todos para longe. Abracei-a - e controlei-me para não chorar. Ela estava ali. A Maria. Nos meus braços. Foi um abraço longo e eu devo ter parecido uma tolinha que não parava de sorrir.

Estivemos juntas uma manhã inteira e quando olhei para o relógio já estava atrasada para o encontro que tinha a seguir. Fui a correr, mas não me importei. Cada segundo com a Maria foi demasiado importante para o desperdiçar. Ela que não parava de me tirar fotografias, e eu a morrer de vergonha. Que me fez rir com a sua maneira tão única de ser. Sai de lá mais feliz do que poderia pensado.

Quando cheguei ao Porto, resolvi ler o livro "O Voo da Borboleta" que ela escreveu há uns anos. Já o tinha cá em casa desde Maio. Agora percebo que lê-lo depois de conhecer a Maria foi o melhor que podia ter acontecido. Devorei o livro em dois dias. E contive-me várias vezes para não chorar. O sofrimento presente no seu dia-a-dia é assustador e enorme. Acredito mesmo que não haja escalas, nem descrições para o descrever. Arrepiei-me sempre que ela descreveu alguma operação, algum exame ou alguma perda. No final do livro, decidi que a Maria era a minha heroína favorita. E caramba, sou uma sortuda por te ter na minha vida

Maria, obrigada do fundo do coração por teres baixado a guarda comigo e me permitires entrar nesse teu coração tão bonito. 

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6 comentários

  1. Não conheço a Maria, mas pelas tuas sentidas palavras percebe-se que tens muita sorte em tê-la na tua vida (e tu na dela). Um beijinho do tamanho do mundo para as duas❤

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  2. Nada te cheirou bem? Estou chocada :| Quando fui lá pela primeira vez fui apanhada por vários cheirinhos tão bons que nem me apetecia sair de lá.
    Se quiseres posso enviar-te um bocadinho do condicionador, tenho imenso ^_^ Manda-me uma mensagem para o e-mail do blogue.
    Beijinho*

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  3. Pronto agora acho que também quero conhecer a Maria ♥ e sinto-me muito melhor por saber que não sou a única a tirar-te fotografias :P quando vieres cá abaixo agendas uma reunião com toda a gente, boa?

    Adriana

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  4. Que palavras bonitas, Mariana! Têm muita sorte em terem-se encontrado, e espero que continuem a ter essa amizade :)

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  5. Que história linda Mariana :) Sabes, és uma pessoa "rica" :) Beijinho do <3

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  6. Um abraço tão apertado em ti <3

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