Leituras

"Paula" por Isabel Allende

quinta-feira, março 31, 2016

{instagram: @mmariananeves}

A última vez que falei aqui sobre leituras disse que me ia render outra vez ao meu vicio pela leitura. Não me esqueci da promessa e depois de ler o "Belivro" lancei-me na leitura de um livro que me chegou há uns anos via correio. Numa das cartas que troquei graças ao Projecto Cartas Cruzadas, recebi um livro com a nota que "ia adorar o livro". Passou-se um, dois e três anos e não peguei no livro. Peguei nele em Novembro de 2015 e demorei a lê-lo três meses. Normalmente quando começo um livro, dedico-me a ele, e em menos de um mês acabo de o ler. Este livro, contudo, trocou-me as voltas. 
Foi a primeira vez que li Isabel Allende e fiquei apaixonada pela escrita dela logo nas primeiras páginas. Demorei-me em cada palavra, cada vírgula, cada detalhe. Este é um livro triste e eu absorvi toda a sua tristeza. Afundei-me na história verídica da vida de Isabel Allende e o que aconteceu durante um ano da sua vida enquanto esperava que, Paula, a sua filha acordasse de um coma devido a uma doença grave. É um livro forte, onde as lágrimas deslizam algumas vezes, mas cheio de história, sentimento e sabedoria. Acabei de o ler com um suspiro e com a sensação que ficaria para sempre ligada a este livro e a esta história de amor puro, verdadeiro e extremamente duro. 
Aconselho este livro a quem queira ficar sem respiração só por ler um "Paula, filha, por favor acorda." Aconselho a quem goste de biografias e histórias cheias de dor e de vida. A quem goste de quase de 600 páginas de puro sentimento e um mergulho sem preparação para a realidade: da doença, da esperança, da morte e da vida. Obrigada à Cristina que me fez este livro maravilhoso chegar às minhas mãos. Realmente tinhas razão, adorei.

***

"Silêncio antes de nascer. Silêncio depois da morte. A vida é puro ruído no meio de silêncios insondáveis".

"A mente selecciona, exagera, atraiçoa, os acontecimentos esfumam-se, as pessoas esquecem-se e, no fim, resta apenas o trajecto da alma, esses escassos momentos de revelação do espírito. Não interessa o que me aconteceu, mas sim as cicatrizes que me marcam e distinguem"

"Os filhos, como os livros, são viagens ao interior de nós próprios, nas quais o corpo, a mente e a alma mudam de direcção, regressam ao próprio centro de existência"

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Para quem gosta de ler:

~ Juntei-me recentemente à comunidade do GoodReads, podem ver o meu perfil aqui.

~ A Raquel do blogue Just Happy With Less é uma inspiração e traz à nossa vida livros maravilhosos. É uma musa das leituras. Aconselho a seguirem o canal de youtube e o instagram dela. 

Reflexões

O que é feito da expressão máxima da nossa alma?

quinta-feira, março 24, 2016



O que fazer quando a tua energia não vai para o sítio que queres?

      Nunca achei que houvessem coisas que fosse necessário nomear. A energia foi uma delas. Existem vários nomes para aquilo que nos corre na alma: amor, fé… Eu chamo-a de energia. Sei e acredito que somos seres de energia. Tudo o que damos e recebemos é energia no seu estado puro: um sorriso, uma lágrima, uma palavra agradável ou desagradável, são para mim expressões do campo energético que há em nós.
         Como disse, não sou muito perita no assunto. Tudo o que sei é aquilo que vivo no dia-a-dia e as teorias não são chamadas para aqui. A verdade é que ultimamente tenho-me apercebido de um aspecto curioso: a forma vagabunda de ser da nossa energia.
      De certeza que já deram por vocês a pensar “quero fazer isto agora”, mas de repente a vossa atenção (energia) está noutro sítio qualquer bem mais presente do que no momento actual. O mesmo se passa com tudo o que nos rodeia. Tenho aprendido que a nossa energia é algo que temos que respeitar: é preciosa e não pode ir para qualquer lado. Mas quem escolhe para onde é que a nossa energia vai?
      Eu escolho. Eu tenho o poder da escolha, do focar a minha energia onde quero. De aplicar as minhas forças onde quiser: seja a cozinhar, ouvir alguém ou saborear um chá. A parte menos boa está quando a energia não segue as nossas coordenadas gps e vai parar aquela aldeia assombrada que abandonamos há uns tempos mas que continua nos continua a fascinar.
     O que fazemos nessa altura? Será necessário voltar aquela aldeia? Será que o nosso gps avariou? Ou será que só temos que parar para pensar onde é que a nossa energia nos quer levar? E porque é que nos quer levar?
      Como em todas as viagens, só voltamos aos sítios que nos dizem qualquer coisa. Se a nossa energia quer voltar para lá, é por saudades, é por teimosia, é por curiosidade ou é por necessidade? E nós, será que afinal queremos mesmo voltar para lá ou é só o nosso gps mental que nos está a por à prova?
    Não sei. Só sei que sou eu que escolho onde e como quero libertar a minha energia. Em última instância sou sempre eu. Sou eu que escolho onde vou investir o meu tempo, a minha atenção, o meu amor, os meus sorrisos, as minhas palavras e tudo o que emano. Até não saber onde anda a minha energia sou eu que a comando. Se a perdi, se não sei onde é que ela anda, se calhar está na altura para parar e pensar: o que é feito da expressão máxima da nossa alma?

Até a última lágrima cair.

sexta-feira, março 11, 2016

Voltei a reconhecer-te nas minhas lágrimas, 
na dor que passa o meu peito sempre que o teu nome vagueia no meu cérebro, 
nas palpitações que o meu coração aguenta nos dias em que a saudades não dá para disfarçar. 

Gostava de perceber a anatomia desta saudade que me aprisiona. Gostava de saber porque ainda choro quando me lembro de ti. Gostava de entender porque fico aterrorizada quando percebo que ainda há bocados de ti que me atormentam e dos quais ainda gosto. 

Voltei a reconhecer-te nas lágrimas que passeiam a minha alma tal e qual pedintes numa cidade atolada de gente. Desculpa-me mas porque é que ainda gosto de ti? Porque é que ainda há réstia de lágrimas num coração tão cansado? Pensei que as lágrimas para a desilusão, a dor e a saudade que se nomeavam tuas já estivessem secas. Mas não. Até o meu coração libertar a última lágrima, gostarei sempre de ti. Perguntarei vezes e vezes sem contas à minha consciência se esta distância se justifica e se há perdão para a frieza pouco habitual com que te tento tratar. Esperando que ela me responda que sim, que o que faço é o mais acertado e que desistir de ti é a melhor forma de não desistir de mim.

Voltei a reconhecer-te nas minhas lágrimas todos os dias desde que decidi que ia desistir de gostar de ti. Como se fosse fácil desistir de ti: da esperança que depositei nos nossos sorrisos, no amor que tinha pelos nossos planos e na felicidade que era ver-te sorrir. Como se desistir de alguém que se ama fosse natural. Chorei, e choro, até haver uma última lágrima com o teu nome a deslizar pelo meu corpo. A ultima e derradeira lágrima que será como uma tatuagem. A lágrima que ira rastejar por cada pedaço de mim, cravando cada bocado da sua existência como uma agulha na pele, deixando a sua tinta, a sua essência, dolorosa e demoradamente. Até que no fim, a marca fica lá  para nunca me esquecer - porque é impossível esquecer - que um dia houve um mar de lágrimas em mim navegadas por ti. 

Voltarei a reconhecer-te até à última lágrima. Quando ela chegar, irei encará-la com significado, com história e com alegria: felizmente o sofrimento terá acabado. Mas até lá, vou-te reconhecer sempre em todas as minhas lágrimas, mesmo que tente esconder. Porque não há terror maior do que tentar desistir de ti.

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