"Um mundo sem queixas"

terça-feira, março 14, 2017


Este foi o primeiro livro que li em 2017 (sim, já lá vão três meses) e não podia ter começado as minhas leituras de melhor forma. Chegou-me às mãos porque a A. o leu e disse que eu "tinha que ler". Segui o conselho dela (como faço quase sempre) e comecei a ler o livro que mudou a minha perspectiva sobre aquilo que sou e que digo. Não me interpretem mal mas quando vi que era um livro sobre "queixas" achei que não ia acrescentar muito à minha vida. Considero-me uma pessoa bastante positiva e de bem com a vida, as queixas - pensei eu - não seriam uma grande presença na minha vida. 

Isto era o que eu pensava antes de começar a ler este livro. Basicamente o autor: Will Bowen propõe que durante 21 dias não nos queixemos. Fácil, não é? Não. Nada. Frustrante até, na realidade. Abracei o desafio assim que comecei a ler o livro e de repente apercebi-me como a nossa sociedade está moldada às queixas - e eu. Basta um simples "Está tanto frio hoje!!" E lá está uma queixa que usamos frequentemente para quebrar o gelo muitas vezes [pelo menos queixar-me do tempo é dos meus tópicos de conversa favoritos]. Isto é só um exemplo porque na realidade o nosso diálogo exterior e interior está cheio de queixas mesmo que a maior parte das vezes não tenhamos consciência disso. Crescemos no meio de queixas e elas tornam-se um hábito que é difícil de deixar. No livro são relatados vários casos verídicos que nos inspiram na mudança.

"A manteiga de amendoim acabou! Logo hoje que me apetecia tanto.", "Estou tão cansada ontem o treino foi mesmo puxado.", estes são exemplos de algumas queixas minhas que faço continuamente (vá tirando a da manteiga de amendoim às vezes é o gengibre que acaba, ihih). Podem-me dizer: Mariana, isso não são queixas, são constatações. No livro fala-se muito da conotação que damos aquilo que dizemos. E neste caso estas frases eram queixas, argumentos que eu disse para me colocar inconscientemente no papel de vítima. O que eu queria era atenção porque tinha ficado sem a minha manteiga de amendoim e porque estava cheia de dores. Percebem onde quero chegar? O autor chama a atenção para a tendência que temos de nos queixarmos para nos colocarmos no papel de vítima e logo termos mais atenção. Atenção tudo isto é feito de forma inconsciente mas a partir do momento que nos apercebemos disso temos que admitir que é a pura realidade. Queixar-nos é uma forma perfeita, aparentemente inofensiva, de ter mais atenção. 

Aliás o autor chama a atenção para a conotação que damos em tudo aquilo que fazemos e dizemos. As nossas palavras têm uma influência muito grande nos outros e em nós próprios, não as devemos dizer em vão - como acontece tantas vezes. A questão é que as queixas e o nosso discurso direccionado para o lado menos bom têm consequências no que diz respeito à nossa própria perspectiva da vida e do momento. Mudar o nosso discurso é mudar também a nossa forma de olhar e de perceber o que se passa à nossa volta. Estou desde Janeiro a tentar estar 21 dias sem me queixar, ainda não consegui, mas está tudo bem, tem sido uma caminhada engraçada. A pulseira que vêm na fotografia foi-me oferecida pela A. e o objetivo é mantê-la 21 dias no mesmo braço. Sempre que me apercebo de uma queixa tenho que a mudar de sítio. É um relembrar que o meu mundo sem queixas é um mundo bem melhor - e acredito que o vosso também. Se não conhecem este livro aconselho-vos a lerem, é um despertar magnífico para a nossa presença nesta vida. Vamos tentar não nos queixar hoje?


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7 comentários

  1. Por acaso tenho bastante curiosidade em ler! Eu admito, por vezes, queixo-me demais!

    Beijocas,
    ANDA DAÍ!

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  2. Parece-me bastante interessante. Realmente não damos conta das vezes que nos queixamos.:p

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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  3. Ora aqui está uma coisa que me fascina! Um mundo sem queixas!!
    Não sou pessoa de me queixar e sempre que por alguma razão o faço, penso logo se realmente tenho razão para o fazer.
    Acho que iria gostar de ler esse livro!
    Beijinho enorme minha doce Mariana!

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  4. Considero ne uma pessoa que não se queixa muito, por ter essa consciência e por considerar a sua conotação negativa. Mas por vezes sai um "ahhh tou tão cansada" e depois é que me apercebo do que disse. Queixo me muito ao pé do bruno para ele dar me miminhos =) bom livro sim sra!

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  5. Não conhecia mas provavelmente irei ler. O desafio da pulseira é mesmo engraçado. Espero que consigas que ela fique no mesmo braço =)

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  6. Sou uma queixinhas inveterada mas ainda não dei a volta à questão, de todo, e não sei se quero. Não tenho tendência para me armar em vítima e não vejo mal em usar queixas (inhas) para chamar a atenção. Todos precisamos de atenção e queremos ser ouvidos. Às vezes é mesmo a maneira mais imediata de o fazer. Se é a mais correcta ou a mais saudável? Talvez não, de facto. É difícil traçar a linha da plausividade nesta questão. O autor conclui alguma coisa a partir desse desafio? Acredito que este é um hábito inofensivo mas pode tornar-se numa armadilha, gostava mesmo de perceber se ele considera que nos sentimos mais felizes, leves e independentes se pararmos as queixas. Acho que vou estar mais atenta a esta questão a partir de agora...

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  7. Comecei a pensar um pouco no meu dia-a-dia (obrigada por este despertar de consciência) e cheguei à conclusão de que eu não tenho por hábito queixar-me. No entanto, há algo inevitável: queixo-me do calor, não do frio! Mas com o calor eu fico mesmo insuportável, é terrível... Enfim, durante o próximo verão vou tentar controlar isso, vamos ver como corre.

    Mundo Indefinido

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