A minha caminhada no yoga

quinta-feira, março 23, 2017


Setembro de 2016
Lembro-me perfeitamente da primeira vez que pratiquei yoga. Foi na Praia da Barra, em Aveiro. Eu tinha quinze anos e estava lá a passar férias. No final de uma tarde belíssima de Verão vi um panfleto a anunciar que ia haver uma aula de yoga gratuita ali mesmo, no areal. Na altura eu já tinha "despertado" para assuntos como o vegetarianismo e senti que tinha que ir aquela aula. Foi aí que me apaixonei pelo yoga. Naquela tarde, estar a sintonizar a minha respiração com o mar, sentir a energia do sol e que pertencia aquele lugar fez todo o sentido para mim. Yoga era claramente para mim, já ninguem me convencia do contrário.

Isto foi algures em 2008/2009 mas só em 2012 comecei a ter aulas de yoga. Fui lendo sobre o assunto mas tinha medo sabem? De me entregar. O yoga mexia comigo em camadas que eu nem sabia que existiam. E era terrível perceber que simples asanas (posturas) e modos de respirar mexessem tanto comigo. Foi quando morei em Vila Real que me inscrevi naquelas que iam ser as minhas primeiras aulas de yoga. No meu segundo ano da faculdade, uma vez à noite, ia ter aulas de yoga com o Carlos Yogeshwara no Bigasas. Foi nessa altura que o Carlos me apresentou ao mundo do yoga e à magia dos mantras. Já nessa altura comecei a dar por mim a cantar os mantras que cantávamos todos juntos (naqueles que foram os melhores concertos improvisados da minha vida). Nunca mais abandonei os mantras, também.

O bigasas foi o primeiro sítio a acolher-me enquanto yogini. Mas foi a Paula Rios que me mostrou a devoção do yoga e como aquelas "camadas" que me assustavam eram fundamentais para progredir. Em 2013, no último ano da minha faculdade, tive a sorte de ter conhecido a Paula e comecei a fazer yoga com ela. A Paula tinha um protocolo com a faculdade e dava aulas gratuitas nas residências da UTAD. Aulas essas que às vezes duravam horas. Decorei o meu tapete e abracei-o como o meu melhor amigo. Sofri tantas vezes em Adho Mukhmma (posição do cão) que hoje em dia tornou-se das minhas posições favoritas. Encontrei a Paula numa altura da minha vida em que me sentia a nafragar. Ela e as suas aulas de yoga salvaram-me. Mais uma vez percebi: o yoga era para mim. Aquele silêncio na sala e todas as conversas mentais que tinha durante aquelas horas fizeram-me tomar decisões muito importantes pela vida fora - e ainda fazem. Em 2014 terminei o curso e assim me despedi das aulas de yoga com a Paula. Sabia que ia sentir saudades delas incondicionalmente. 

Felizmente no início de 2015, já em Mafra, encontrei a Mónica que me fez aprofundar ainda mais a minha prática de yoga. Aqui a minha prática de yoga deu um salto monumental. A Mónica transpôs o yoga do corpo para o meu coração. Tive a sorte de ser aluna dela durante um ano maravilhoso e de ter aulas quase individuais. As aulas de yoga na Ericeira, as vezes que ela me fez relaxar com os seus óleos, ficaram para sempre marcados no meu coração. Mais uma vez: o sentimento de pertença. O yoga faz-me sentir presente, viva, onde quer que eu esteja. Houveram vezes em que quase chorei no tapete, outras em que me ri até chorar. Depois da Mónica estava decidido: nunca mais ia deixar de praticar yoga na minha vida.

Assim chegamos em 2016. Voltei a casa e começou a minha procura por um novo sítio para fazer yoga. O Universo atendeu-me e levou-me até à Krystal. Estou com ela há sensivelmente um ano. Duas vezes por semana, a deixar-me ser abraçada pela voz tão doce e compreensiva que só ela tem. Todas as aulas descubro algo novo, algo que me aprofunda nesta pratica, uma vitória que conquisto, uma camada que se solta. Conheço-me melhor, sinto-me melhor. Para mim o yoga é muito mais do que posturas, mantras... é uma filosofia de vida, é oxigénio, é saber que o que quer que aconteça: eu estou pronta. 

Março de 2017
No outro dia disse a alguém: "yoga para mim é sinónimo de saúde mental". As horas no tapete são sagradas para mim. Quando estou triste ou nervosa já sei: vou para o tapete. O yoga ajuda-me a acalmar, a clarificar e a prosseguir. Encontrei no yoga o meu refúgio e a minha caminhada para uma vida mais plena. Sei, agora, que este é o meu caminho. Agradeço a todas as pessoas que até agora me mostraram um bocadinho daquilo que é (e pode vir a ser) o yoga. Sem elas, todas as que mencionei e mais algumas, duvido que estivesse onde estou agora. Grata! 

A todos que querem experimentar o yoga: Procurem sítios que vos façam sentir bem, em casa. "Professores" que vos abracem com o coração e vos façam sentir a magnificência da vossa alma. Não aconselho yoga em ginásios, não creio que seja o sítio ideal para praticar. Se já tens uma prática-base os videos da Yoga With Adriene são maravilhosos (faço-os para consolidar a minha pratica em casa). Yoga ao ar livre é "tudo de bom". Experimenta! Para quem é da zona do Porto, juntem-se à aula de yoga à luz das velas em Ermesinde dia 25 às 20h30 na Hora do Planeta - aproveitem e vejam as iniciativas perto de vocês!

Namasté.

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4 comentários

  1. Namasté Mariana! Gostei muito de saber a tua experiência com o yoga. Como sabes estou a começar e gostava de saber a tua opinião: Achas que é imprescindível ter aulas com professores? Quem pratica em casa fica sempre um pouco aquém daquilo que podia ser se tivesse aulas?

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    1. Olá Carla! :) Acho que se não tem base nenhumas de yoga um professor é imprescindível, para a proteger em certas posturas e a encaminhar para uma pratica melhor. Praticar em casa é um bom complemento às aulas de yoga, mas na minha opinião praticar só em casa não chega. Há muita coisa no yoga que se pode aprender com um "professor". Aconselho que encontre alguém que a encaminhe :) Tudo de bom**

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  2. Ola Mariana!
    Nem imaginas como eu gosto de caminhadas neste mundo maravilhoso que é o Yoga. Um caminho que nos leva à descoberta de nós mesmos.
    Uma vez no Yoga, O yoga para sempre em nós!
    Vamos lá a praticar cada vez mais dentro e fora do tapete!
    Beijinho enorme*
    Namaste!

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  3. Oi Mariana!
    Eu pratico há uns trinta anos e tudo o que você falou, pulsou em mim!
    Beijo e boas práticas!

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