"A liberdade é uma maluca, que sabe quanto vale um beijo."

By Mariana Neves - junho 13, 2012


      O dia de hoje teve muito haver com este post. E não é ao calhas que o seu título se direcciona a uma canção (do grande Jorge Palma) sugerida nos comentários, nenhum outro título faria sentido. Ontem acabei o dia dizendo que vale a pena lutar, vale a pena acreditar, vale a pena fazer esforços e especialmente ser feliz. Em grande contradição hoje à hora de almoço tive semelhante dor de cabeça e enjoo que nem consegui almoçar. Demorei-me ainda uma hora no sofá enquanto assistia a esta reportagem (que aconselho toda a gente a ver, apesar de ainda não ter uma opinião devidamente formada sobre a mesma) e nos entrantos pensava no que me tinha levado a escrever o grande desabafo de ontem e o que isso tinha gerado. O que me levou a pensar num amigo meu que disse que ao ler o texto se lembrou e se sentiu incentivado para fazer umas coisas que tinha pendentes. Rapidamente comecei a pensar nas minhas "coisas pedentes". O que é que estava na minha lista de coisas para fazer? Qual é a minha tarefa adiada? Arrancar as ervas daninhas do jardim, claro está.
        E foi essa mesma tarefa adiada, que me tirou os enjoos e a dor de cabeça. Perto das 2h fui para o jardim com o meu pai e só saímos quando tínhamos o canteiro dos girassois, dos narcisos e dos crisântemos totalmente livre de ervas daninhas, isto é às 4h35! Passo então a explicar porque é que esta é uma tarefa adiada. Quem me conhece, quem me lê, ou quem já topou a 'minha cena' sabe que eu adoro plantas, flores, frutos, a terra, a Natureza em si. E desde há muito tempo tenciono começar a participar mais activamente na lida do quintal cá de casa, até porque se sou a favor da agricultura e desse modo de vida, tenho que o praticar, as coisas têm que ser coerentes. Se gostas de laranja, não vais andar sempre vestido de preto. Contudo desde que saí de casa (embora isso não seja desculpa) nunca me dispus realmente para tal feito. Hoje foi o dia. E essas duas horas e tal a levar com o sol, a mexer na terra, e a falar com as plantas (e com o meu pai, ao som de Bon Iver) fizeram-me tão mais feliz do que se tivesse ficado o dia todo a ver documentários, séries ou a ler.
       Enquanto estava entretida na jardinagem lembrei-me de uma conversa que um dia tive com uma pessoa que conheci, em que em género de despedida lhe disse «vejo-te pelo blog», ao qual essa pessoa me respondeu «Eu já não ando pelo blog Mariana, deixei-me disso. Eu ando pela vida, ando lá fora a explorar, a viver.» Na altura não percebi muito bem se isso era uma critica ou o que raio era, agora realmente entendo. Entendo que tantas vezes deixamos passar alegrias (como a que eu tive hoje) por coisas de nada, por virtualidades
       E por falar em virtualidades, confesso que nestes dias senti a falta imensa do facebook (do twitter já nem me lembro...), senti a sua falta para saber de noticias e actualizações dos meus interesses. Então ontem criei um novo, mais pessoal, completamente privado, sem que ninguém soubesse da minha vida, mas foi inevitável, mal entrei comecei a ver cusquices e coisas que me irritaram. Já para não falar que me senti extremamente desiludida comigo mesma. Então hoje, depois da jardinagem e de ter visto o jogo de Portugal com o meu pai - a dizer mal e bem dos jogadores, como se eu fosse muito entendida - percebi a resposta da pessoa. A vida está lá fora. E se quero novidades, se quero estar informada sobre o mundo, sobre o ambiente, e sobre tudo o que me fascina (ou pode vir a fascinar) não preciso dum facebook, preciso de sair lá para fora! Claro que o facebook é uma plataforma fenomenal, e acaba por ser bastante útil, mas sem ele também se consegue viver e ter acesso a muita informação! (e muito melhor tratada)
     De modos que, depois deste dia de descobertas e sorrisos, decidi fazer um jantar bem ao estilo de Portugal - e porque é dos pratos favoritos do meu pai. E enquanto contava à minha mãe o relato do jogo, e o quanto fiquei fascinada pelo desempenho do Nani, fui fazendo umas pataniscas de vegetais (que foram acompanhadas com arroz frade e salada de alface). O jantar correu às mil maravilhas, assim como todo o dia. Não é fascinante como uma simples actividade nos pode fazer tão felizes de forma a conseguirmos contagiar tantas pessoas? Haja alegria, haja jardinagem e haja Portugal a ganhar os jogos (já agora)!

*** A receita é bastante simples: junta-se água com farinha até obter uma pasta. Depois corta-se os pimentos, os tomates, a salsa, o manjericão, os alhos, a cebola, e os oregãos muito miudinho e junta-se à pasta assim como se junta ovos, sementes de linhaça e sésamo e um bocado de sal. Mistura-se tudo e é só fritar! E está pronto. ***

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7 comentários

  1. já não tenho facebook à uma ano (mais coisa menos coisa), mas na altura que o eliminei estava sempre a reactivar a conta para ir ver as novidades, depois ficava irritada comigo mesma e um dia prometi-me que nunca mais lá ia. dito e feito. As novidades chegam, se formos atrás delas, se alarmos e sairmos com as pessoas de quem queres-mos saber e essas fiam sempre, com ou sem facebook.

    E é isto, depois de ler este teu texto, estou com uma enorme vontade de por a mala às costa e ir atrás da novidade que quero saber xD

    beijinhos*

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    Respostas
    1. Éme, com a tua resposta fiquei com a impressão que tinhas pensado que eu sentia saudades do facebook por não ter acesso às novidades 'sociais'. Pois bem, não era a essas novidades sociais que me refiro. Mas sim, às novidades do mundo ambiental, petições, receitas, etc.. Espero que fiques mais esclarecida. Contudo, fico feliz por saber, que te dei vontade de por a mala às costas. É sempre bom saber isso! :) Um beijinho.

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  2. as vezes sao as coisas simples que nos dao mais felicidade
    gostei....
    beijo

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  3. estava a ler e a lembrar-me da música "sai de casa e vem comigo para a rua vem...." xD

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  4. Nesta receita costumo usar espargos, gosto imenso!

    E sobre o assunto que este post realmente trata: As pessoas deveriam ter mais epifanias deste género.

    Beijinhos,
    Beatriz

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