"O Fogo e o Vento" por Susanna Tamaro {livro}

By Mariana Neves - julho 19, 2013


      A minha paixão pelos livros da Susanna Tamaro é algo já muito antigo, creio que desde que descobri o prazer da leitura que sou uma seguidora fiel do seu trabalho. Não é que já tenha lido todos os livros dela, mas os que já li, absorvi-os totalmente como se da minha vida tratasse. É isto que esta escritora faz em mim: faz-me acreditar na vida, no futuro, no poder ingénuo e forte da escrita. Perco-me em todos os livros dela: por entre os detalhes da Natureza e as palavras sábias sobre os valores e decisões da vida. Considero-a das pessoas mais inteligentes e com carácter que já li. Não é ao calhas que é a minha escritora favorita e não é ao calhas que sonho um dia escrever tão bem como ela. (ou devo sonhar em forma de palavras?)
    Comprei este livro por uma pechincha numa promoção da Editoral Presença e já o li há uns bons meses, mas só agora tive tempo de opinar em relação ao mesmo. Como não podia sempre, este livro não me decepcionou. Os livros da Tamaro, fazem-me sentir como se me estivesse a ler a mim própria, o que ela diz vai exactamente de encontro aos meus pensamentos e talvez por causa disso me sinta tão confortável, tão em casa ao lê-los. São livros que nos fazem pensar não só na vida, como em tudo o que advém dela: amor, ódio, amizade, despedidas, momentos, sexo, política, cultura... Tudo é abordado, por vezes de uma forma leviana outras vezes não, mas sempre dando ao leitor um bocado mais de conhecimento, para pudermos ter um bocado mais de opinião em relação aquilo que nos rodeia. E o melhor? É que a escritora faz estas abordagens de uma forma tão íntima que quase chegamos a pensar que é exclusivamente connosco que ela está a falar. Para mim, é impossível não amar estes livros, que me completam tanto.
     Deixo-vos algumas das minhas passagens favoritas (que são tantas, como podem ver nos marcadores da fotografia!) e para quem gosta deste género de leitura aconselho e muito. Boas leituras! 

«Por isso, se queres mesmo pôr-te a caminho, primeiro tens de pegar num grande saco e meter lá dentro tudo o que não serve: os lugares-comuns, as frases feitas, as imagens óbvias. Depois, vai para a varanda da tua casa. Lá em cima, muito em cima, no meio das antenas e dos prédios, é provável que vejas brilhar as estrelas. Interroga-as. Quem é que vos pôs aí em cima? Porquê? O que se esconde por detrás da escuridão profunda do céu? E por detrás dos buracos negros? É esse o primeiro passo do caminho. Contemplar o mistério em estado puro.»

«Tenta imaginar o coração como um instrumento musical. Há cordas que tocam habitualmente: a corda da tristeza, da alegria, da raiva, da dor, da distância, do enamoramento. E, por fim, há uma, mais escondida e profunda, que costuma ser difícil de descobrir, mas é justamente aquela que, ao vibrar, torna harmónico e potente o som de todas as outras. É essa corda que nos faz deixar de ser um ser-fragmento para sermos um ser-unidade.»

«Por mais voltas que dermos, temos sempre dois caminhos à escolha, um que nos conduz à realização da nossa unicidade de criaturas, e o outro que nos leva a separar-nos do nosso destino. Por isso, em primeiro lugar, deves pensar bem no tipo de amor que queres conhecer na tua vida. O da confusão ou o da comunhão? O anatómico, mecânico, epidérmico ou o que implica a profundidade do coração?»

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4 comentários

  1. Não conhecia esta autora mas das passagens que mostraste aqui fiquei cheia de vontade de a conhecer! :) Acho que me vou identificar bastante com as palavras dela.

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  2. Já tinha ouvido falar desta escritora.. Qual o livro que aconselhas para começar? :)

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  3. Eu li apenas "A Alma do Mundo" dela... E sinceramente detestei! Mesmo... Talvez um dia me esqueça e lhe de uma nova oportunidade :)

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