"Infância Perdida" por Cathy Glass {livro}

By Mariana Neves - agosto 24, 2013

Sabem aquelas pessoas que são um bocadinho viciadas em comprar livros? Eu sou uma delas. Contudo ultimamente tinha andado a tentar conter-me mais, mas acontece que a Editoral Presença de vez em quando aparece com umas promoções que eu não consigo resistir. E esse foi o caso deste livro. Devoro todos os livros sobre casos reais com pessoas, como é o caso dos livros da Torey Hayden. Interessa-me bastante, não só por causa do meu curso, como gosto de saber as várias realidades deste mundo.
Não conhecia a autora, mas gostei do título do livro e da sinopse. Não demorou muito até este livro estar em minha casa. Li-o durante uma única tarde, lembro-me perfeitamente, estava sentada nos Jardins de Belém encostada a uma árvore a fazer horas para o N. me ir buscar e regressar-mos ao Porto. Comecei a lê-lo por curiosidade e de repente estava completamente absorvida na história, quando acabei de o ler as aborrecidas horas de espera já tinham passado e estava quase na hora de eu estar pronta.  
Este é um daqueles livros que me captaram totalmente a atenção, mesmo depois de o ter acabado ainda continuei a pensar nas personagens (que eram verídicas). A história do livro é um relato da autora à cerca da sua experiência enquanto família de acolhimento, quando lhe chega às mãos uma criança que em pouquíssimo tempo já tinha passado por inúmeras famílias de acolhimento. Era uma criança difícil, e o livro retrata todas as situações com uma realidade pormenorizada capaz de nos tirar o fôlego. Ao ler este livro senti várias emoções: carinho, protecção, preocupação, raiva, ódio, medo, tristeza, amor, dor, alegria, desespero. Parece que senti tudo como se fosse eu a viver aquilo. São poucos os livros que hoje em dia têm esta capacidade - de nos colocar dentro da história, a Cathy Glass sabe bem como fazê-lo e fá-lo perfeitamente.
Depois de ler este livro (que caso ainda não tenham reparado aconselho vivamente) fiquei com vontade de duas coisas: ler muitos mais livros da Cathy Glass e de me tornar família de acolhimento quando sair de casa e tiver possibilidades. Pergunto-me porque é que mais pessoas não fazem isto, porque é que não alojam no seu lar, por um período de tempo, alguma criança que precisa de carinho? Eu sei que é difícil, mas se tudo fosse fácil, não valia a pena, não era? Deixo-vos este pensamento e este conselho. Boas leituras!

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4 comentários

  1. é tão bom saber que, de certa forma, existem por aí algures pessoas que não só se identificam com aquilo que escrevo mas também com aquilo que sou e isso deixa-me muito feliz :')

    fiquei com curiosidade de ler este livro! Eu sempre li imenso, e por volta dos meus 15 anos lembro-me de andar vidrada nos livros da Torey Hayden: são fantásticos e dão-nos a conhecer realidades infantis que por vezes nos escapam. Eu gostava particularmente de um, acho que se chamava "a criança que não queria falar" e que era sobre uma menina encantadora que tinha mutismo seletivo mas que ninguém a compreendia pois pensavam que se recusava a falar por teimosia ou falta de educação. Se a memória não me falha, no final a criança acabou por ultrapassar esse problema e tornou-se uma jovem bem-sucedida :) é um livro realmente bonito!

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  2. É dificil... depende de quanto tempo ponderas. Um mês para nos adaptarmos a uma nova casa, a uma nova familia e a novas caras não é suficiente. Por mim falo que já fui au pair e para quem não sabe au pair é um trabalho familiar digamos assim. Trocamos de familia e trabalhamos para eles. Muitas vezes dei por mim a ser ignorada e até banalizada pela familia, como se os outros fossem importantes, quando o objectivo de ter uma au pair é basicamente ter uma irmã mais velha. Mas isso nunca acontece claro. Somos estranhos que nos metemos no meio de um ninho já criado. O mesmo acontece com essas crianças... Não é fácil e é preciso dar tempo ao tempo. E quando damos por ela não nos queremos largar. Talvez por isso é que muita gente não pratique essa actividade. O coração pode ser bastante complicado quando se debate com a cabeça. Mas terei todo o gosto em ler o livro, pois tal como tu gosto de ler histórias veridicas. Eu própria consegui devorar um livro de uma entrevista que relatava cada pormenor vivido por uma criança que foi violada pela própria familia (agora já mulher adulta), mas consegui lê-lo em menos de 3h, na própria livraria Bertrand. Não me contive e disse a mim mesma que não saía dali enquanto não o acabasse!
    Beijinho ;)

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  3. Dantes lia imensos livros deste género.. Depois cansei-me mesmo! Porque lá esta é um turbilhão de sentimentos..
    Recebi um dos anos, vamos ver se pego nele em breve ...

    http://allaboutmakemehappy.blogspot.pt/

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  4. Obrigada pela participação minha querida :) Já tinha saudades de dar aqui um olhinho ao teu blogue :)

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