O meu problema com a meditação.

By Mariana Neves - janeiro 07, 2014

Um dos meus objetivos para o ano de 2013 era voltar a meditar regularmente. Infelizmente, ainda que tenha melhorado consideravelmente as vezes que tentei meditar, nunca o cheguei a fazer verdadeiramente. Desde os tempos que andava no yoga (pois é, deixei o yoga... falta de tempo e cortes de orçamento...) que a meditação sempre foi um bicho de sete cabeças para mim. Aliás, desde pequena que tenho sérios problemas em concentrar-me numa só coisa.
Com a escrita aprendi a total concentração no pensamento e desde há alguns anos que esta foi a minha maneira de meditar, de "apagar", de relaxar. Contudo, como as coisas mudam com o crescimento, sinto cada vez mais a necessidade da verdadeira meditação: de me abstrair/afastar/anular dos meus pensamentos (que crescem a cada segundo), a escrita já não faz de todo o seu papel e como ser humano que sou, quero mais. 
Houve uma altura da minha vida que eu quase consegui alcançar a meditação. Era de noite, havia incenso no quarto, as velas estavam acesas e a janela aberta. Colocava o creme de alfazema, atava o cabelo com um lápis (o meu penteado favorito), sentava-me na cama (ou no tapete no chão) e olhando uma última vez a lua, fechava os olhos e com a respiração sintonizada com as ondas do mar, ou com o vento, ou com a rotação da terra, lá ia eu... Não sei o que se passava naquela altura, mas era relativamente fácil apagar-me. Talvez não houvessem tantas responsabilidades, talvez os tempos fossem outros. A verdade é que agora a minha cabeça parece uma leoa que não pára de correr atrás de sei lá o que e a corrida continua por mais que eu a queira parar. Conhecem a sensação? Pois, se conhecem, percebem a minha dificuldade em acalmar-me e trancar os meus pensamentos.
Mas sei que isso não é impossível. Os benefícios da meditação são imensos e cada vez sinto que ela realmente me pode ajudar a acalmar, a reflectir nas coisas com mais calmas e organizar-me mentalmente. A questão é: onde está a minha dificuldade em meditar? Para além da minha falta de focalização, está no "arranjar tempo" (eu sei, é só uma desculpa) e no predispor-me a fazê-lo. Passo a explicar: eu quero meditar, mas como já falhei tantas vezes, custa-me estar a tentar novamente. Sim, sei que é um pensamento derrotista, mas muitas das vezes acho que é demais para mim e que tenho que me mentalizar que simplesmente não o consigo fazer. Isto porque para mim meditar não é só sentar-me, cruzar as pernas e fechar os olhos. Meditar é também preparar o ambiente: velas, incenso e luz da lua e acima, de tudo, travar uma luta contra os meus pensamentos e a favor do silêncio. O quão difícil é silenciar os pensamentos?! Chega até a ser assustadora, toda esta luta e a consciência do tamanho gigante de pensamentos descontrolados que tenho.
Portanto, concluído e resumindo: eu não medito porque tenho medo dos meus pensamentos. Admito. Tenho medo de nunca os conseguir controlar e de cá dentro andar sempre tudo assim: agitado e em corridas eternas. Parece que quanto mais os tento controlar, mais eles ripostam, mais eles ficam ferozes. Mas só crescem os pensamentos que nós alimentamos, certo? Por isso, hei-de ganhar força, para aos pouquinhos (é mesmo aos pouquinhos!) começar a meditar. Estou a precisar urgentemente e o urgente merece esforços urgentes, certo? Se hoje começar com a tentativa de dez minutos amanhã esses dez minutos já são onze minutos e assim sucessivamente.
Portanto, Mariana, presta atenção: hoje vais colocar o ambiente que tu queres, colocas o tapete de yoga no chão, sentas-te e cruzas as pernas. Fechas os olhos e colocas as mãos na tua barriga, sente o aumento dela quando inspiras e ela a esvaziar-se quando expiras. Repete o processo com calma, sente o ar a entrar no teu corpo. Respira. Acalma-te. Focaliza-te num ponto na tua cabeça. Respira. Manda os pensamentos calar. Com calma, inspira...1....2.....3.... expira. Repete. Tens tempo. O silêncio é teu amigo. Abraça-o, não o temas. "Ommmmmmmm": repete mentalmente. Sempre assim, até achares que estás pronta. Força Mariana, é para o teu bem. Vamos lá meditar!

  • Share:

You Might Also Like

7 comentários

  1. queres meditar uns minutos no meu abraço? :))

    ResponderEliminar
  2. Não tens que ter medo dos teus pensamentos e acredito que seja mesmo isso que torne a tarefa meditação tão difícil e impossível. A melhor forma de ultrapassares é mesmo aceitares os teus pensamentos, mesmo que nas primeiras vezes não medites nada e que fiques só afogada em pensamentos! Viras-te para eles e dizes "venham, venham" (eheheh) e acredita que passados alguns dias (mesmo que demorem meses não faz mal, cada pessoa tem o seu tempo) vais ver que já meditas na boa e já controlas bem os teus pensamentos. É que antes de controlarmos os pensamentos temos que os deixar ocupar todo o espaço para ver se eles encontram o lugar deles. Depois disso quem manda és tu!
    Eu sei que tu consegues :)
    Força nisso!
    Beijinho

    ResponderEliminar
  3. Percebo tanto o que queres dizer. Também sinto essa dificuldade em abstrair-me dos pensamentos. Mas, sinceramente, acho que depende tudo da nossa cabeça. É o que dizes: muitas vezes, temos medo de deixar voar livremente o pensamento, porque há coisas que ainda não aceitámos e não estamos dispostos a pensar nelas. Temos medo. E o medo paralisa-nos ao ponto de não conseguirmos deixar de pensar nesse medo. Achamos que vamos falhar. Achamos que não vamos ser capazes. Mas vamos. Eu acredito que meditar é possível. E o teu último parágrafo mostra que é possível. Aos poucos e poucos, vamos ganhando essa capacidade. Mesmo que, no início, despertemos milhares de pensamentos, em vez de os calarmos. Só conseguiremos meditar quando esses pensamentos que libertámos forem arrumados :) Eu estou a tentar todos os dias :p Da próxima vez que meditar, prometo que envio pensamentos positivos e de força para ti! :p

    Beijinho *

    ResponderEliminar
  4. Tu consegues! Acho que o segredo está na insistência e em saber aceitar que cada vez que o fazemos é diferente.
    Eu já não medito há uns tempos e tenho pena, porque a mal ou a bem termino sempre cada sessão com uma sensação de bem-estar que merece a pena procurar. As minhas últimas tentativas correram mal, mas ainda não desisti. Mesmo que, quando consigo entrar levemente naquele estado em que os pensamentos começam a dissipar-se e eu penso "estou a conseguir"... e estrago tudo. :)

    ResponderEliminar
  5. Querida Mariana! Comecei a tentar praticar meditacão no final de 2013 e fazê-lo regularmente é um dos meus objectivos para este ano. Compreendo bem o que escreveste. Concordo com a Analog Girl: é essencial aceitar que cada vez que o fazemos é diferente. Já me sentei várias vezes decidida a meditar e nada. De outra vez, levou 5 minutos. De outra, 25. Eu não tento confrontar os pensamentos; contar para mim também não costuma funcionar. Eu tento focar-me em pontos minúsculos do corpo, como cada dedo do pé, da mão, as sobrancelhas... ahah vale tudo. Também tento 'respirar' com partes do corpo. Ainda só consegui meditar verdadeiramente uma vez. Foi de sonho. Tive visões de verdadeira felicidade e senti uma paz incrível. Para atingir isso terei sempre tempo. Boa sorte!

    ResponderEliminar
  6. Também pratico yoga, sei os benefícios da meditação, e sei o difícil que é alcançá-la. Mas com a prática, a dedicação e regularidade tudo se torna mais fácil. Continuar a praticar yoga também ajuda bastante, por isso não deixes de praticar, faz as respirações e algumas mentalizações.

    ResponderEliminar
  7. Saudades de pronunciar o "Ommmmmm" a teu lado!

    ResponderEliminar