O meu projeto a encher-se de vida.

By Mariana Neves - maio 18, 2014


Vou ser sincera, quando me propus a ter a minha própria horta não pensei que a ideia fosse durar, não pensei que eu realmente me fosse comprometer com aquele pedaço de terra. Isto porque esta ideia já me tinha passado tantas vezes pela cabeça e eu, tantas vezes, deixei-a de parte: porque não tive paciência, porque dava trabalho, porque não tinha o conhecimento suficiente, porque a terra não estava suficientemente nutrida e mais umas quantas desculpas de mau pagador. Contudo desde o momento (há um ano atrás!) que comecei a ler livros sobre agricultura biológica e a esquematizar a minha horta, o bichinho das aromáticas e dos chás pegou-se um bocadinho mais a mim. E a verdade é que acabei mesmo por me dedicar a este projecto.


Esta minha horta passou a ser muito mais que uma horta, aliás, como lhe chamo, passou a ser o meu projecto com vida. São uns escassos metros de um território só meu: que me permite cuidar e acariciar aquilo que tanto gosto e me dá prazer ver crescer. São uns escassos metros terapêuticos, uns escassos metros onde me reencontro: de pés descalços na terra a cuidar desta nossa Mãe Natureza que faz de mim tanto daquilo que sou. Que faz de mim a essência. Creio que o grande segredo para me dedicar tanto a esta horta é esse mesmo: porque é a minha essência. Tratar. Descobrir. Mimar. Semear. Crescer. Aprender. 


Dá-me prazer redescobrir sempre que olho para as plantas o grande poder da Mãe Natureza. Este poder, da vida, da reparação, da mudança, este poder cíclico em que nada morre, tudo se transforma. Dá-me prazer ser uma observadora (e por vezes uma intermediária) neste processo magnifico que envolve todos os seres vivos. Deu-me prazer ajudar a cidreira (que quase secou com a geada) a erguer-se novamente, e por entre folhas secas ver brotas pedacinhos verdes que já formaram uma bela e grandiosa planta. Deu-me prazer ver a calêndua espalhar filhos pelo espaço disponível. Deu-me prazer ver o tomilho renascer depois de, sem querer, por causa das obras ter levado um bocado de cimento em cima. Deu-me prazer ver novas plantas chegarem ao terreno: aloe vera e limonete. Deu-me prazer tirar as ervas daninhas, uma a uma, e ir verificando os novos rebentos de cada planta. Deu-me prazer ver esta magia bem perto dos meus dedos. E assim vai continuar, porque uma vez que se descobre este milagre imenso que é a Natureza uma pessoa simplesmente está proibida de parar. Sabem que mais? A vida é um milagre maravilhoso.

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7 comentários

  1. lindo Marianinha!Apoio a 100% este projecto. Continua princesa :)

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    1. Hei-de continuar, é das coisas mais bonitas que me rodeiam! :') **

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  2. Que maravilhoso, agora também adquiri uma planta, "adquirir" nem sequer fica bem porque estou a falar de uma vida, mas de qualquer forma, adoro, e é tão lindona. Mas uma horta inteira penso que iria ser um caos para mim ahah boa sorte ! :)

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    1. É um caos extremamente bonito, acredita! Mas começa por uma planta e vais ver que daqui a nada te apercebes que as plantas são óptimas melhores amigas :) um beijinho **

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    2. ahah se esta sobreviver nas minhas mãos vou sem dúvida querer mais ! :)

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  3. Ahhh, deu-me prazer apreciar cada palavra sua como quem colhe tesouros. Eu sei bem qual a sensação tão bem descrita por ti, Mariana.

    Eu, com o meu coração verde (simmm, verde rsrs, pois me descobri vegetariana desde que me conheço por gente lá pelos meus 8 anos, e isso já vai uns 20 anos. Digo descobrir, porque não foi uma escolha, uma decisão, não 'virei' e quando tive alguma consciência disso, eu já estava na minha pré adolescência e pude entender essa que já era um caminho feito pela minha alma, mas enfim.... isso é outro assunto rsrs)

    Bem, eu estava a dizer que eu com o meu coração verde, sempre me senti muito mais que perto do bem estar que cada ser da natureza me proporcionava.

    Eu, com minhas invenções gororobentas na cozinha, sempre querendo ter o prazer de ir no quintal roubar uma folhinha fresca, uma erva, uma especiaria e respirar profundo como quem se delicia em pratos refinados, também sempre mantinha a minha horta e minha compostagem para então, devolver a terra os nutrientes que ela, tão generosa me deu.

    Árvores frutíferas, ervas, canteiros de flores, passarinhos e a delícia de sentir os pés descalços, no chão, são pequenezas que de valor imenso compõem o meu coração. E sempre foi assim.

    A delícia de mergulhar a mão na terra e preencher o vão das unhas com ela, de acompanhar e esperar ansiosa as semenetes germinarem, de provar a primeira fruta ou legume, ou outra coisa e ficar tão feliz por isso, como quem ganha um troféu, por próprio mérito e sorriso.

    O de sentir o cheiro e o paladar diferenciado daqueles alimentos envenenados de tóxicos.

    de preparar e oferecer às pessoas mais queridas, uma comida que você não só preparou como plantou, cuidou...

    É uma delícia se valer de momentos assim e poder aproveitá-los com essa mesma alegria que você demonstrou e definiu bem como sendo "projetos com vida'. E trazem mesmo, muita vida aos nossos dias e aos nossos quintais.

    O seu lugar é ensolarado. E eu, eu gostei tanto.

    Beijo n'alma,
    Samara Bassi.

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    1. Oh Samara, os teus comentários não podiam ser mais mágicos, sabias? :)
      Estou a ver que temos muito que conversar, muito para conhecer uma da outra*
      Um beijinho, Mariana.

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