Um quarto com alegria

By Mariana Neves - janeiro 13, 2017

"Rodeia-te das coisas que amas. 
Dispensa o resto."



Percebo que a vida é mesmo uma jornada sem fim, cada vez que volto a escrever sobre arrumação. Os meus pais vão dizer que estou obcecada com isto, eu digo antes que estou apaixonada. Apaixonei-me por ter as coisas em ordem e acima de tudo, por as coisas me fazerem sentir bem. Esta paixão não é nova mas a verdade é que se acentuou assim que li o livro "Alegria" da Marie Kondo. Nunca li o primeiro livro (apesar de já me terem dito que é o melhor) mas este segundo cativou-me de uma forma intensa. Não o consegui parar de ler e muito mais do que o meu quarto ter sofrido alterações, toda a minha vida e especialmente o meu coração sofreram.

Para quem não sabe, a Marie Kondo desafia-nos a destralhar tendo por base a alegria que as coisas nos transmitem. O que já por si é um desafio e pêras. Sabem aquela blusa que a tia vos deu mas não nunca usaram e nunca gostaram? Ela desafia-nos a retirar essa peça da nossa vida. Ou aquele livro que nunca vamos ler e que nos lembra pessoas que não gostamos? Mais um desafio. E aquela roupa interior que só de olhar para ela nos dá pena de nós mesmos? Exactamente isso também vai para fora da nossa vida. Basicamente ela desafia-nos a retirar todas as coisas materiais da nossa vida que não nos inspirem alegria. A partir do momento em que li esse conceito, abraçei-o e vou sincera: pensei que fosse muito mais fácil. Achei que já fazia essa selecção mas estava completamente enganada. Nos próximos três post vou-vos contar como destralhei diferentes partes do meu quarto. É só irem acompanhando, vamos a isso?




Hoje vou-vos falar essencialmente do que aconteceu no meu quarto e na minha mente. A primeira coisa que notei logo foi olhar para as coisas e perceber aquilo que me fazem sentir. Apercebi-me que tinha coisas há anos sem saber porquê e que não me transmitiam nada. E, apatia, meus caros, é das piores coisas para sentir. A primeira grande mudança do meu quarto foi: retirei a estante!!! Não tínhamos estante na sala então fizemos a troca. Antes disso seleccionei os livros que realmente queria manter, todos os os outros doei a amigos e à biblioteca municipal. Só esta mudança já acrescentou imensa luz ao meu quarto. E eu sou fã de sítios com luz. Os únicos livros que mantenho no meu quarto (que estão ali na mesinha de cabeceira) são livros sobre meditação, chás... coisas que às vezes gosto de ler antes de dormir. 

Outra coisa que descobri também, é que apesar de adorar o conceito de decoração minimalista existem coisas que ainda não quero deixar ir. Como a vela em forma de coração que a minha mãe me deu, o meu mini-bule de ferro, as minhas velas, o meu anjo da guarda feito especialmente para mim com girassóis, o meu buda, entre outras. São coisas que só de olhar para elas o meu dia fica mais colorido, a minha casa mais quente, o meu coração aconchegado e isso são as coisas que realmente quero manter na minha vida.



A mobília do meu quarto é muito antiga (tem a mesma idade que eu) por isso não está de acordo com os meus gostos, quem sabe um dia não a pinto de branco! Para já aproveitar os elementos decorativos para "clarear" o ambiente parece-me uma boa solução. Ah, adoptei uma coisa que se chama "lugar para o telemóvel". Admito que sou uma viciada no telemóvel, especialmente à noite, então uso aquela caixinha que me deram (e eu adoro) para pousar o telemóvel antes de ir dormir ou para quando estou a estudar. Vamos lá ver se funciona! 

Esta caminhada está a fazer-me entender o quão é importante escolhermos as coisas que gostamos e que nos fazem sentido para rodear o nosso dia e isso não só se aplica às coisas materiais. Passando para fora do "destralhe" aplica-se também às pessoas, aos sítios, às rotinas. Mantém o que te faz feliz, enquanto possível, e vais ver como a forma de olhares para  a vida e de a viveres muda. (E cá está uma grande lição: aprender a dizer que não e a deixar ir. Não somos nenhum contentor que deve aceitar tudo). Quem concorda?

Um xi-♥, 
Mariana.

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12 comentários

  1. O meu quarto é extremamente cheio de coisas, mas não é uma coisa que me "incomode" porque gosto mais de o ver assim do que minimalista (esse estilo não combina, de todo, comigo). Ainda para mais com todas as colecções que faço e a viver em casa dos pais tenho de manter tudo neste espaço. Mas pelo menos uma vez por mês faço uma arrumação a fundo e há sempre alguma coisa que vai para o lixo ou para doar. No ano passado esvaziei imensas caixas assim e agora tenho caixas a mais, ahah. Aquilo que gosto mesmo de destralhar é o guarda-vestidos. Tanta roupa dei no ano passado e sei que há ali mais algumas coisas para deixar ir...agora é só arranjar tempo.

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    1. Olá Helena,

      Realmente isto do "minimalismo" depende daquilo que cada um ache agradável, é importante que te identifiques com o que te rodeia, mais do que tudo.

      Beijinhos*

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  2. Também ando nessa jornada, por isso este texto disse-me muito. Por vezes não é fácil, mas acredito que o resultado final vale muito a pena. Fico a aguardar pelos próximos posts :)

    Mundo Indefinido

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  3. Olá menina do coração grande!!
    Ler é sempre bom, e quando lemos algo que mexe com o nosso interior de uma forma tão positiva, e ainda se reflecte no nosso dia a dia melhor ainda!
    Ao ler o que nos escreves dá para sentir a tua alegria em cada palavra, que bom Mariana.
    Eu li os dois livros da Marie Kondo, como já te tinha dito. Muito sinceramente preferi o primeiro, embora também tenha gostado do segundo. Talvez porque os li em alturas diferentes ambos tiveram efeito em mim, e de forma muito positiva também.
    Na minha opinião é pouco relevante se um é melhor que o outro, importante mesmo é o efeito que cada um tem nas pessoas que o lê. E se o efeito for assim como foi contigo, perfeito!!!
    Muito obrigada por partilhares o teu testemunho, e parabéns pelo teu quarto, nota-se que está arrumado e organizado com muito amor!
    Beijinho enorme e bom fim de semana!

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    1. Obrigada Catarina por tanto carinho e por tudo! *

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  4. Já tive o livro várias vezes na mão, mas nunca o trouxe comigo. Gostei muito deste post e apesar de ter destralhado a minha casa de uma ponta à outra, há dois anos atrás, tenho consciência que deixei alguns objectos que não gosto. Estou curiosa com os próximos passos.
    Beijinhos

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    1. Olá Carla,

      Eu ainda não destralhei a casa completa, mas é um objetivo de 2017!

      Beijinhos*

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  5. Ainda ontem estive com esse livro na mão, mas não comprei :) Também estou em processo de 'destralhar'! E a verdade é que, quando começamos a remexer nas coisas, percebemos que temos uma série delas acumuladas que já não nos servem e que só estão a ocupar espaço! E acho que vou mesmo comprar o livro :)

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    1. Ajudou-me muito Catarina, aconselho! :) Beijinhos*

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  6. Amei o texto. Adoro. Vou ler esse livro.

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  7. Conheço essa placa aí :)

    já te disse que quando quiseres te deixo destralhar o meu quarto, não já? :p
    Adoro o conceito!

    Um dia, quando deixar de andar a 200 à hora, vou pedir-te o livro emprestado e vou organizar a vida, uma divisão de cada vez :D

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