Taizé: o sítio onde a (minha) fé fala mais alto.

By Mariana Neves - fevereiro 01, 2017

«El alma que anda en amor, ni cansa ni se cansa.»
Fotografia de Ana Catarina Reis.
Existe um sítio em França, chamado Taizé, onde mora a minha fé. Descobri-o quando tinha 16 anos e desde aí, é um sítio onde o meu coração recorre diariamente. Não costumo falar de fé ou de religião mas depois de uma carta que troquei com a Joana, achei que estava na altura de partilhar com vocês a minha experiência com palavra tão forte como: .
Fotografia de Maciej Biłas
Primeiro deixei-me situar-vos: perdi a fé no dia em que o meu avô faleceu. Fiquei transtornada por alguém levar, assim tão rápido, alguém que eu amava tanto. Tinha dezasseis anos e não compreendia muito bem as lições da vida. Não entendia porque eu sofria tanto internamente quando não queria sofrimento na minha vida. Não entendia sequer porque sofria. Naquela altura estava amarrada a sonhos e a ilusões descabidos e parti demasiadas vezes o meu coração (e os dos outros). Foi difícil aprender a lidar com as saudades, a maldade e a decepção da vida. Taizé foi, certamente, o primeiro passo para eu me perdoar, perdoando os outros e tudo o que eu esperei e nunca chegou.

Sempre fui católica: primeira comunhão, comunhão solene, crisma, tudo direitinho. Até que, como já disse, a morte surgiu. Mas nesse mesmo ano, em que me revoltei contra tudo, surgiu também Taizé. Depois do Encontro Ibérico, surgiu a hipótese de ir a França cerca de duas semanas para aquilo que eu chamei como “acampamento espiritual”. Fui com a minha melhor amiga e com mais amigos, o que não podia ter sido mais perfeito. Saímos do Porto de autocarro e paramos numa aldeia, com tenda atrás e a primeira coisa que encontrei foi: o céu mais bonito que já vi e o sentimento de pertença.
Fotografia de Maciej Biłas
Taizé é uma comunidade espiritual criada pelo irmão Roger. Quem vai para lá assiste às orações diárias (cantadas em todas as línguas) e faz trabalho comunitário. “Vir a Taizé significa ser convidado a uma procura de comunhão com Deus através de orações comunitárias, de cânticos, do silêncio, da meditação pessoal e da partilha. Uma vinda a Taizé pode ajudar a olhar a vida quotidiana de outra forma, a encontrar uma grande diversidade de pessoas e a reflectir sobre empenhos na Igreja e na sociedade. Em Taizé, todos participam na vida comunitária e no programa proposto.
Se bem me lembro os dias mágicos em Taizé começavam da seguinte forma: Oração da manhã, pequeno almoço (aquele pão com chocolate negro maravilhoso), partilha comunitária (onde se fazia uma leitura bíblica e depois uma reflexão em grupo sobre ela e levava-se à atualidade), almoço (melhores lentilhas estufadas do mundo!), trabalho comunitário (ajudar nas refeições, nas limpezas…), momentos livres (normalmente íamos para o lago do silencio), oração da tarde/noite e jantar, e depois momento de convívio e cházinho!
Fotografia de Maciej Biłas
Aqueles dias que para mim pareceram anos renovaram a minha fé no melhor do mundo. Não num Deus em si, mas no AMOR. Foi lá que fiz o meu primeiro “evento” de abraços grátis, a primeira rasta e amigos para uma vida inteira. Lá vi também a primeira chuva de estrelas. Lembro-me perfeitamente de uma oração em que saí a chorar da “capela” porque já não aguentava, reprimi tanto tempo coisas menos boas dentro de mim, que aquele clique foi tudo para mim. Foram lágrimas óptimas a olhar as colinas e a desejar que aquela tranquilidade durasse para sempre.
E na realidade, tem durado. Taizé é um sítio onde se vai uma vez e fica tatuado para toda a vida. O espírito de Taizé: de entrega, tranquilidade e amor. Sempre que vou a uma “oração de taizé” (se tiverem curiosos, é uma questão de se informarem, várias igrejas organizam) fico com o coração arrepiada e as lágrimas caiem. É um sentimento de plenitude perfeito. Aquelas velas, aquele cor-de-laranja… aquele sinónimo de fé.
Fotografia de Maciej Biłas
Para mim, se há uma definição para fé, ela tem que incluir AMOR e TAIZÉ. E eu fico tão feliz por ter esta na minha vida.


Algumas das minhas músicas favoritas, caso tenham ficados curiosos:

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4 comentários

  1. Olá Mariana!!

    Muito obrigada por partilhares todas estas coisas connosco.
    Nunca tinha ouvido sequer falar de Taize. Fiquei baste curiosa e com vontade de conhecer. Quem sabe um dia?

    Beijinho enorme*

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  2. Mariana, obrigada :)

    Obrigada pela partilha e pelas palavras bonitas e sentidas. É fácil perceber, dessa forma, como esse sítio e especial para ti e fico com muita vontade de o descobrir também. Ainda bem que a fé voltou :) Um beijinho!

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  3. Gostei muito de ler este post tão inspirado e profundo, e também de saber que recuperaste em Taizé algo tão importante que tinhas perdido. :) Parece-me ser um sítio mesmo incrível!

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